TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Economia & Mercado

Semana do Agro: Entre recordes de exportação e os reflexos da geopolítica no campo

Publicado em

O cenário do agronegócio brasileiro nesta segunda semana de julho é marcado por um misto de superação produtiva e alertas ligados ao cenário internacional. No tradicional balanço do programa Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli traz uma análise profunda sobre os eventos que moldaram os últimos dias, desde o impacto emocional da eliminação brasileira na Copa do Mundo até as complexas engrenagens da economia de guerra no Oriente Médio.

O “Adeus” na copa e a necessidade de foco

Ao iniciar suas reflexões sobre o sentimento nacional, Arioli destaca que a eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 é um momento em que “a ficha tem que cair” para o país. Afinal, embora o futebol mova paixões, o agronegócio não para e a economia real exige pragmatismo. A resiliência do setor, segundo o autor, deve servir de exemplo para que o Brasil retome o foco nas pautas produtivas e estruturantes, deixando a frustração esportiva em segundo plano diante dos desafios que a safra impõe.

Leia mais:  Endividamento rural em Mato Grosso atinge níveis preocupantes, aponta IMEA

Leia mais:

Geopolítica em chamas: o impacto da retomada da guerra

Uma simples análise do cenário internacional leva à constatação de que a volta da guerra no Irã acende um alerta vermelho para o custo de produção no Brasil. A instabilidade no Oriente Médio pressiona imediatamente as cotações do petróleo, o que reflete no preço do diesel e, consequentemente, nos fretes logísticos. Além disso, a dependência global de insumos daquela região, representa um alerta de que o produtor brasileiro deve estar atento à volatilidade dos fertilizantes nitrogenados, que podem sofrer novos reajustes caso o conflito se prolongue.

Recordes de exportação: soja e gado vivo em alta

A semana também trouxe boas notícias, com o Brasil alcançando vendas recordes de soja. A demanda global segue aquecida, consolidando a posição do país como o principal fornecedor do grão.

As exportações de gado vivo também são destaque, evidenciando a versatilidade do Brasil em atender mercados específicos que demandam animais para terminação ou abate em solo estrangeiro, garantindo a liquidez do setor pecuário nacional.

Leia mais:  Endividamento rural em Mato Grosso atinge níveis preocupantes, aponta IMEA

Leia mais:

Sustentabilidade: o novo papel das vacas europeias

Por fim, ao abordar as tendências de sustentabilidade, o autor da coluna comenta o curioso fenômeno das “vacas europeias”, que passaram do status de poluidoras a “salvadoras da pátria”. O autor das reflexões explica que a Europa começa a reconhecer o valor dos ruminantes na economia circular e na fertilização natural dos solos, reduzindo a dependência de adubos químicos. Para o colunista, essa mudança de percepção é fundamental, pois valida o que o produtor brasileiro já defende: a integração lavoura-pecuária é uma das ferramentas mais poderosas para uma agricultura de baixo carbono e alta eficiência.

Ouça o programa Momento Agrícola deste sábado, 11 de julho, clicando abaixo:

 

Comentários Facebook
Advertisement

Economia & Mercado

Endividamento rural em Mato Grosso atinge níveis preocupantes, aponta IMEA

Published

on

A situação financeira dos produtores rurais de Mato Grosso está em sinal de alerta com o endividamento atingindo patamares preocupantes. Dados recentes do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) revelam que o chamado crédito problemático – que engloba operações inadimplentes, renegociadas e prorrogadas – alcançou a marca de R$ 21,79 bilhões até abril deste ano, representando 18,22% de toda a carteira de crédito rural do estado. Este é o maior percentual já registrado na série histórica.

A rentabilidade da atividade rural tem encolhido significativamente, impactando diretamente a capacidade dos produtores de honrar seus compromissos financeiros. Conforme destacado pelo jornalista Olmir Cividini, em sua coluna Circuito Rural (ouça na íntegra, ao final do texto) quase R$ 22 bilhões em operações de crédito deixaram de ser liquidados dentro do prazo, sendo renegociados, prorrogados ou entrando em inadimplência.

Fatores de pressão

Diversos fatores contribuem para este cenário desafiador. Os juros elevados, os altos custos de produção e a queda nos preços das commodities agrícolas formam um tripé que pressiona a margem de lucro dos produtores. O desequilíbrio entre receitas e despesas tem sido uma constante desde a safra 2022/23, resultando em aproximadamente quatro anos de rentabilidade comprimida.

O superintendente do IMEA, Cleiton Gauer, enfatiza que o principal desafio não reside na capacidade produtiva do estado, mas sim em transformar essa produção em resultado financeiro. “O produtor continua produzindo bem, mas esse esforço já não tem se traduzido em resultado financeiro. Além da produtividade, ele precisa administrar custos elevados, preços menores do que os registrados no pós-pandemia e um volume crescente de dívidas acumuladas”, afirma Gauer.

Leia mais:  Endividamento rural em Mato Grosso atinge níveis preocupantes, aponta IMEA

Crédito Problemático e recuperações judiciais

O avanço do crédito problemático é notório. Em 2022, apenas 2,08% da carteira de crédito rural apresentava algum tipo de problema. Em pouco mais de três anos, esse índice saltou para os atuais 18,22%, o que significa que quase um em cada cinco reais emprestados ao setor rural em Mato Grosso já enfrenta dificuldades de pagamento.

A inadimplência superior a 90 dias também cresceu, atingindo 4,98% da carteira estadual, totalizando R$ 5,25 bilhões em operações em atraso. Outro indicador alarmante é o aumento das Recuperações Judiciais (RJ) no agronegócio. Mato Grosso lidera o ranking nacional desde 2023, com 332 pedidos de recuperação judicial registrados em 2025, superando estados como Goiás e Paraná.

Impasse em Brasília

Enquanto a situação se agrava no campo, as negociações para a renegociação de dívidas rurais em Brasília não avançam. Há um impasse entre a bancada do agronegócio e o Ministério da Fazenda. O governo propõe restringir o benefício a produtores que sofreram perdas climáticas, enquanto o Congresso defende a ampliação para todos os inadimplentes.

Leia mais:  Endividamento rural em Mato Grosso atinge níveis preocupantes, aponta IMEA

Olmir Cividini ressalta que o problema pode ser ainda maior do que as estatísticas oficiais indicam, pois muitos financiamentos via revendas, tradings e cooperativas não são contabilizados pelo Banco Central . A falta de capital desacelera o crédito, adia investimentos e enfraquece a economia regional e toda a cadeia do agronegócio.

Perspectivas e Desafios

Apesar do cenário financeiro adverso, Mato Grosso mantém sua alta capacidade produtiva. Cividini menciona o exemplo de Rodolfo Paulo Schlatter, de Confresa (MT), campeão regional do CESB com 118,36 sacas de soja por hectare, muito acima da média nacional de 62 sacas/ha.

No entanto, o momento exige atenção redobrada à gestão financeira das propriedades. O IMEA alerta que, embora não haja indicativos de uma insolvência generalizada, a velocidade com que os indicadores de endividamento cresceram nos últimos anos é preocupante. O principal risco para o agronegócio hoje é financeiro, e a eficiência na gestão será determinante para atravessar este período de pressão.

(*) Ouça o Circuito Rural, na íntegra, clicando abaixo.

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana