A forte chuva registrada na tarde da última sexta-feira (19) voltou a expor um problema antigo enfrentado por Tangará da Serra: os alagamentos provocados pelo grande volume de águas pluviais em diversos pontos da área urbana. A situação evidencia a necessidade de ampliação e modernização do sistema de drenagem do município.
O volume de precipitação foi considerado atípico para o mês de junho. Na região dos bairros Jardim Rio Preto e Cidade Alta, pluviômetros instalados em propriedades particulares registraram acumulados entre 80 e 90 milímetros em poucas horas.
Embora a chuva tenha atingido praticamente toda a cidade, um dos locais mais afetados foi a Rua Avelina Jaci Bohn, no trecho localizado ao lado do Bosque Municipal (imagem abaixo), entre os cruzamentos com a Rua Júlio Martinez Benevides e a Avenida Brasília. A área, situada em uma depressão natural do terreno, concentrou grande volume de água, causando alagamentos e transtornos para moradores e motoristas.
Perfil de elevação, na parte de baixo da imagem. Depressão na rua Avelina Jaci Bohn é o ponto do alagamento de sexta-feira.
Diante da situação, o vice-prefeito Eduardo Sanches anunciou nesta segunda-feira (22) a execução de obras de drenagem voltadas à redução dos impactos das chuvas intensas na região central da cidade.
Segundo ele, uma das intervenções prevê a implantação de galerias pluviais a partir da rotatória entre a Avenida Brasil e a Avenida José Manzano (antiga Avenida Mauá), seguindo pela Avenida Brasil e pela Rua 10-A. Outra frente de trabalho será executada na Rua Tapirapuã, a partir do cruzamento com a Rua Júlio Martinez Benevides.
Problema é recorrente sempre que há chuvas mais intensas.
O objetivo é captar parte das águas que descem das regiões mais altas da cidade antes que elas alcancem o entorno do Parque Natural Municipal Ilto Ferreira Coutinho, conhecido como Bosque Municipal, reduzindo o volume concentrado na Rua Avelina Jaci Bohn, um dos pontos mais suscetíveis a alagamentos.
“Toda essa região receberá drenagem para captar essa água e diminuir o volume que chega nesse ponto mais baixo, ao lado do Bosque Municipal”, afirmou o vice-prefeito, destacando que o problema se arrasta há muitos anos.
Eduardo Sanches reconheceu ainda que os alagamentos não se restringem à região central e informou que outros pontos críticos estão sendo monitorados pela administração municipal para futuras intervenções.
Além da Rua Avelina Jaci Bohn, a enxurrada provocou alagamentos e acúmulo de água em diversos pontos da cidade. Houve registros no Centro, Jardim do Lago, Jardim Tanaka, Avenida Ismael José do Nascimento e na própria Rua Júlio Martinez Benevides, nas proximidades da Câmara Municipal.
Avenida Tancredo de Almeida Neves, região do Fórum/Diário da Serra: outro ponto de alagamento.
Em vários desses locais, a força da água avançou sobre o pavimento, dificultando o trânsito de veículos e pedestres. Situações semelhantes também foram observadas nos bairros Jardim Europa, Jardim Shangri-lá e Vila Goiás.
A expectativa da Prefeitura é que as obras de drenagem reduzam significativamente os impactos das chuvas mais intensas, especialmente na região do Bosque Municipal, considerada um dos principais pontos de concentração das águas pluviais na área urbana.
Acompanhe, no vídeo a seguir, a descrição das obras pelo vice-prefeito Eduardo Sanches:
Problema é recorrente em Tangará da Serra (abaixo, registro de novembro de 2024)
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.