A diretoria da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (ASFET) realizou, na manhã da última quarta-feira (18), a entrega formal da documentação referente à prestação de contas do exercício financeiro de 2025 ao Conselho Fiscal da entidade.
O procedimento marca a primeira vez em que a associação adota, de forma estruturada, esse rito administrativo, alinhado às boas práticas de governança e transparência. A iniciativa também observa princípios previstos na legislação brasileira, especialmente no Código Civil (Lei nº 10.406/2002), que estabelece o dever de dirigentes de associações de prestar contas de sua gestão aos órgãos de controle interno e aos associados.
Segundo o presidente da ASFET, Valdeci Ferraz Aquino, a medida tem como objetivo assegurar maior transparência e controle sobre os recursos administrados pela entidade, que encerrou o exercício de 2025 com superávit superior a R$ 30 mil. “Toda a documentação está à disposição dos associados, mediante requerimento formal ao Conselho Fiscal”, afirmou.
Ferraz destaca, ainda, que a prestação de contas é um instrumento essencial no contexto da responsabilidade na gestão dos recursos e a confiança dos associados. “É uma medida essencial para possibilitar o controle interno e a fiscalização das atividades da entidade”, acrescentou.
De acordo com a diretoria, o acesso às informações aos associados deverá ser solicitado por meio de requerimento, sendo que as consultas ocorrerão exclusivamente na sede administrativa da entidade.
A documentação foi recebida formalmente pelo representante do Conselho Fiscal, Dheimis Ferreira dos Santos, durante reunião realizada na sede da ASFET, localizada na Feira do Produtor do Centro.
A prestação de contas compreende o período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2025 e inclui o Demonstrativo de Movimento de Caixa, com o registro detalhado de receitas e despesas organizadas em lançamentos diários, consolidados mês a mês, acompanhados dos respectivos documentos comprobatórios.
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.