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Momento Agrícola

O cacau, os arrendamentos, os preços dos fertilizantes e entrevistas são destaques

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O cacau – cultura agrícola que está em vias de implantação na região de Tangará da Serra – é o assunto de abertura do Momento Agrícola deste sábado (06.12).

O mercado global da matéria-prima caminha para a recuperação da oferta após um período de escassez e preços recordes entre 2024 e 2025.

Problemas climáticos, doenças e lavouras envelhecidas na África Ocidental reduziram a produção e elevaram as cotações acima de US$ 11 mil por tonelada em abril de 2024. Com a melhora do clima e o aumento da produção previsto para 2025/2026, a ICCO projeta o primeiro superávit em quatro anos, o que deve pressionar os preços para baixo até 2027.

Outras

Ainda no primeiro bloco, o programa aborda a oscilação recente nos preços dos fertilizantes e a nova ação da Receita Federal, “Declara Agro – Arrendamentos”, que orienta produtores rurais sobre a tributação de rendimentos provenientes do arrendamento de imóveis rurais. A iniciativa busca autorregularização em mais de 1.800 declarações que somam divergências superiores a R$ 1,7 bilhão.

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Nas entrevistas, Fernando Sampaio (ABIEC) fala sobre iniciativas da pecuária para redução de emissões; o professor Fancelli destaca manejos inadequados que comprometem a produtividade da soja; e Rafael Silva (StoneX) analisa a disputa EUA x China e os impactos na demanda global pelo grão.

Notícias e comentários

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique abaixo:

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Momento Agrícola

Entre recordes, risco de diesel e inovação, agro entra na safra sob pressão

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Produção de grãos e carnes avança, mas crédito, combustível e rentabilidade seguem no centro das preocupações, enquanto novas tecnologias buscam dar mais eficiência às decisões no campo.

A combinação de recordes produtivos com custos elevados e incerteza econômica marca a entrada do agronegócio brasileiro na nova safra. As informações foram apresentadas na edição deste sábado (19) do Momento Agrícola, de Ricardo Arioli, que também mostrou iniciativas de inovação e estratégias para elevar a produtividade sem perder rentabilidade.

No campo político-econômico, sete empresas que firmaram acordos de leniência na Operação Lava Jato renegociaram as indenizações devidas à União. A atualização dos valores deixou de seguir a Selic, de 13,75% ao ano, e passou a considerar o IPCA. A mudança reduziu as dívidas em cerca de R$ 1,2 bilhão, para aproximadamente R$ 6 bilhões, com prazos que chegam a 2048. A medida alivia o passivo das companhias, mas recoloca em debate a diferença entre preservar empresas e assegurar a efetiva reparação dos danos.

Couro

No setor de couros, a JBS uniu sua operação à do grupo Viva, em uma empresa na qual cada sócio terá 50%. A JBS-Viva nasce com 31 fábricas em seis países e se torna a maior processadora mundial do produto.

Commodities

No mercado de milho, a interrupção de embarques ucranianos e o calor extremo na Europa abriram espaço para a Argentina, que pode exportar 10 milhões de toneladas em agosto e setembro. A colheita argentina é estimada em quase 72 milhões de toneladas, 20% acima do recorde anterior.

A Conab elevou a projeção da safra brasileira de grãos para 361,7 milhões de toneladas, alta de 2,6%. O milho deve alcançar 144 milhões de toneladas e a soja, 180,4 milhões, concentrando quase 90% do total. O algodão também bate recorde, com 4,14 milhões de toneladas de pluma, apesar da menor área. Em sentido oposto, arroz e trigo recuam, o que pode aumentar a necessidade de importações.

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Carnes

Na pecuária, a produção das carnes bovina, suína e de frango deve superar 34 milhões de toneladas, 2% acima de 2025. A oferta permite abastecer o mercado interno e manter as exportações, mas o excedente de carne suína já pressiona a rentabilidade dos produtores. O frango pode atingir recorde de 5,76 milhões de toneladas exportadas. Na bovinocultura, a retenção de fêmeas para recompor o rebanho aponta para uma redução do abate em 2027.

Alta do diesel

O alerta mais imediato é o risco de aperto no diesel durante o plantio. O Brasil importa cerca de 25% do combustível que consome, e a alta internacional, associada às tensões no estreito de Ormuz, ampliou a defasagem dos preços domésticos. As importações caíram 18% em agosto, e uma nova retração pode afetar transporte, máquinas e logística justamente na fase mais crítica da safra.

Disciplina fiscal em dúvida

A redução da Selic para 13,75% poderia aliviar o custo da dívida pública, mas o reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado no dia seguinte, reacendeu a discussão sobre disciplina fiscal. Para o setor produtivo, a questão central é se a queda dos juros será convertida em crédito mais acessível ou apenas compensará a expansão das despesas, mantendo a pressão sobre inflação, câmbio e financiamento rural.

Entrevistas

Na frente de inovação, Érika Segóvia explicou que a terceira edição do AgriHUB Conecta ouviu mais de 3 mil produtores, identificou dez desafios prioritários e selecionou mais de 14 empresas. Falta de mão de obra, custos operacionais, acesso ao crédito e exigências de qualidade estão entre os problemas mapeados. O diferencial foi acompanhar a adoção das soluções no campo e medir seus resultados, em vez de apenas apresentar startups.

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Pedro Tomazelli apresentou a plataforma Sua Semente, que reúne informações públicas sobre cultivares de soja, permite filtrar materiais por região, tecnologia e ciclo e organiza cotações de fornecedores. A ferramenta pode reduzir o tempo de escolha, mas não substitui o agrônomo: a recomendação precisa ser conferida diante das características de cada talhão, incluindo solo, doenças e nematoides.

Na Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte, a abertura nacional do plantio de soja marcou os 15 anos do projeto Soja Brasil e a parceria entre Canal Rural e CESB. Nery Ribas destacou que os dados do Desafio Nacional de Máxima Produtividade serão disseminados para orientar o produtor. O campeão da última edição colheu 156 sacas por hectare, mas a mensagem mais importante é econômica: produtividade só faz sentido quando vem acompanhada de margem.

A propriedade dos Pozzobon exemplifica essa lógica ao integrar etanol de milho, pecuária, biometano, compostagem e uso dos resíduos como fertilizantes. A agricultura circular, a agregação de valor e a inovação deixam de ser conceitos acessórios e passam a funcionar como instrumentos de proteção diante de mercados voláteis, crédito caro e eventuais perdas de demanda externa.

Ouça na íntegra:

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