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Momento Agrícola

O tarifaço político de Trump, nova trava contra a Ferrogrão e entrevistas são destaques

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O programa Momento Agrícola, comandado pelo engenheiro agrônomo, consultor e comunicador Ricardo Arioli, traz neste sábado, 12 de julho, uma análise detalhada sobre uma notícia que sacudiu os bastidores do agronegócio brasileiro: o tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos importados do Brasil, em especial do setor agropecuário.

Arioli, que através do Momento Agrícola traduz com clareza os temas que envolvem o campo e a política agrícola internacional, dedica o programa desta semana a entender os desdobramentos de uma retaliação política travestida de medida protecionista.

Indenização de R$ 1 bi

Outros assuntos do Momento Agrícola deste sábado são as novas “travas” contra o  projeto da Ferrogrão (EF-170), idealizado como um dos mais estratégicos para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste ao Arco Norte.

Desta vez, o imbróglio diz respeito à investida de uma associação indígena que protocolou pedido de indenização por danos morais coletivos contra o empreendimento ferroviário. Os indígenas querem nada menos que R$ 1 bilhão na indenização.

Leia mais:  Entre recordes, risco de diesel e inovação, agro entra na safra sob pressão

Entrevistas

O Momento Agrícola traz, também, entrevistas no terceiro e quarto blocos, com os temas “As Matérias Primas para Biodiesel”, com Dr. César de Castro da Embrapa, e “A Ferrovia Bioceânica até o Peru”, com Edeon Vaz Ferreira.

O Momento Agrícola vai ao ar todos os sábados, com veiculação em rádios do estado e também via podcast, com publicação em forma de notícias no Enfoque Business.

Para ouvir o Momento Agrícola deste sábado na íntegra, clique no podcast abaixo.

 

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Momento Agrícola

Entre recordes, risco de diesel e inovação, agro entra na safra sob pressão

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Produção de grãos e carnes avança, mas crédito, combustível e rentabilidade seguem no centro das preocupações, enquanto novas tecnologias buscam dar mais eficiência às decisões no campo.

A combinação de recordes produtivos com custos elevados e incerteza econômica marca a entrada do agronegócio brasileiro na nova safra. As informações foram apresentadas na edição deste sábado (19) do Momento Agrícola, de Ricardo Arioli, que também mostrou iniciativas de inovação e estratégias para elevar a produtividade sem perder rentabilidade.

No campo político-econômico, sete empresas que firmaram acordos de leniência na Operação Lava Jato renegociaram as indenizações devidas à União. A atualização dos valores deixou de seguir a Selic, de 13,75% ao ano, e passou a considerar o IPCA. A mudança reduziu as dívidas em cerca de R$ 1,2 bilhão, para aproximadamente R$ 6 bilhões, com prazos que chegam a 2048. A medida alivia o passivo das companhias, mas recoloca em debate a diferença entre preservar empresas e assegurar a efetiva reparação dos danos.

Couro

No setor de couros, a JBS uniu sua operação à do grupo Viva, em uma empresa na qual cada sócio terá 50%. A JBS-Viva nasce com 31 fábricas em seis países e se torna a maior processadora mundial do produto.

Commodities

No mercado de milho, a interrupção de embarques ucranianos e o calor extremo na Europa abriram espaço para a Argentina, que pode exportar 10 milhões de toneladas em agosto e setembro. A colheita argentina é estimada em quase 72 milhões de toneladas, 20% acima do recorde anterior.

A Conab elevou a projeção da safra brasileira de grãos para 361,7 milhões de toneladas, alta de 2,6%. O milho deve alcançar 144 milhões de toneladas e a soja, 180,4 milhões, concentrando quase 90% do total. O algodão também bate recorde, com 4,14 milhões de toneladas de pluma, apesar da menor área. Em sentido oposto, arroz e trigo recuam, o que pode aumentar a necessidade de importações.

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Carnes

Na pecuária, a produção das carnes bovina, suína e de frango deve superar 34 milhões de toneladas, 2% acima de 2025. A oferta permite abastecer o mercado interno e manter as exportações, mas o excedente de carne suína já pressiona a rentabilidade dos produtores. O frango pode atingir recorde de 5,76 milhões de toneladas exportadas. Na bovinocultura, a retenção de fêmeas para recompor o rebanho aponta para uma redução do abate em 2027.

Alta do diesel

O alerta mais imediato é o risco de aperto no diesel durante o plantio. O Brasil importa cerca de 25% do combustível que consome, e a alta internacional, associada às tensões no estreito de Ormuz, ampliou a defasagem dos preços domésticos. As importações caíram 18% em agosto, e uma nova retração pode afetar transporte, máquinas e logística justamente na fase mais crítica da safra.

Disciplina fiscal em dúvida

A redução da Selic para 13,75% poderia aliviar o custo da dívida pública, mas o reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado no dia seguinte, reacendeu a discussão sobre disciplina fiscal. Para o setor produtivo, a questão central é se a queda dos juros será convertida em crédito mais acessível ou apenas compensará a expansão das despesas, mantendo a pressão sobre inflação, câmbio e financiamento rural.

Entrevistas

Na frente de inovação, Érika Segóvia explicou que a terceira edição do AgriHUB Conecta ouviu mais de 3 mil produtores, identificou dez desafios prioritários e selecionou mais de 14 empresas. Falta de mão de obra, custos operacionais, acesso ao crédito e exigências de qualidade estão entre os problemas mapeados. O diferencial foi acompanhar a adoção das soluções no campo e medir seus resultados, em vez de apenas apresentar startups.

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Pedro Tomazelli apresentou a plataforma Sua Semente, que reúne informações públicas sobre cultivares de soja, permite filtrar materiais por região, tecnologia e ciclo e organiza cotações de fornecedores. A ferramenta pode reduzir o tempo de escolha, mas não substitui o agrônomo: a recomendação precisa ser conferida diante das características de cada talhão, incluindo solo, doenças e nematoides.

Na Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte, a abertura nacional do plantio de soja marcou os 15 anos do projeto Soja Brasil e a parceria entre Canal Rural e CESB. Nery Ribas destacou que os dados do Desafio Nacional de Máxima Produtividade serão disseminados para orientar o produtor. O campeão da última edição colheu 156 sacas por hectare, mas a mensagem mais importante é econômica: produtividade só faz sentido quando vem acompanhada de margem.

A propriedade dos Pozzobon exemplifica essa lógica ao integrar etanol de milho, pecuária, biometano, compostagem e uso dos resíduos como fertilizantes. A agricultura circular, a agregação de valor e a inovação deixam de ser conceitos acessórios e passam a funcionar como instrumentos de proteção diante de mercados voláteis, crédito caro e eventuais perdas de demanda externa.

Ouça na íntegra:

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