O estado de atenção no setor de saúde pública de Tangará da Serra vai além da apreensão com o avanço da Covid-19 neste início de ano. Agora, em janeiro, a dengue recrudesceu e se mostra agressiva ao ponto de o município registrar um aumento de 1.470% (quinze vezes mais) nos registros da doença em comparação com o mesmo mês do ano passado, quando os casos na cidade somaram apenas 26.
Ao todo, Tangará da Serra soma 408 casos de dengue e outros 120 casos de chikungunya, outra doença transmitida pelo mesmo vetor da dengue clássica, o mosquito aedes aegypti. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde. (Veja quadro com os números das doenças mais adiante)
A ocorrência de chikungunya chama atenção. Enquanto em janeiro do ano passado não houve caso registrado dessa doença, no período de 01 a 30 de janeiro desse ano as notificações já somam 120.
Os sintomas geralmente aparecem depois de uma semana de infecção. Febre e dor nas articulações surgem subitamente. Dor muscular, dor de cabeça, fadiga e erupção também podem ocorrer.
Preocupação
A preocupação em Tangará da Serra com os números da dengue e da chikungunya foram externados ontem (terça, 30), durante entrevista concedida pelo Executivo Municipal. Além do prefeito Vander Masson, participaram o secretário municipal de Saúde, Wellington Bezerra, e as coordenadoras das vigilâncias Epidemiológica, Juliana Herrero, e Ambiental, Cleonice Zucão.

Entrevista coletiva externou preocupação com as “doenças emergentes”, como a dengue e a covid.
Vander Masson destacou a importância dos cuidados por parte de cada cidadão com o seu quintal, mantendo a limpeza e a vigilância para evitar focos de proliferação do mosquito aedes aegypti. “Temos que unir forças para combater essas duas doenças que nos afligem hoje, a dengue e a covid-19”, disse o gestor, que reforçou o apelo. “Nós temos uma equipe comprometida, seja na Vigilância Ambiental, na Vigilância Epidemiológica e na Vigilância Sanitária, mas é importante eu, você, todos nós, juntos, fazermos a nossa parte e fazermos a diferença… vamos limpar nossos quintais, tirar todos os objetos que acumulam água… é a hora de todos nós lutarmos contra o mosquito”, disse.
Ações
A coordenadora de Vigilância Ambiental, Cleonice Zucão, informa que a equipe está atuando diariamente no controle dos possíveis focos de mosquito Aedes Aegypti, realizando o bloqueio. “Nós estamos fazendo os bloqueios nos lugares com casos notificados. As pessoas procuram as unidades de saúde, é encaminhada a notificação para a gente e, através dessas notificações, fazemos os bloqueios”, disse.

Cleonice destacou que uma explicação para a aumento de casos pode estar na estiagem. Preocupados com risco de desabastecimento, os moradores sentiram-se impelidos a armazenar águas em vários recipientes, o que pode ter oportunizado, em razão do descuido, criadouros de larvas do aedes aegypti.
Quanto à incidência de chikungunya, com seus inéditos 120 casos neste mês de janeiro, a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Juliana Herrero, confirmou que 2024 é o primeiro ano em que há tantos casos desta variante. “Realmente chama atenção… Estamos testando os três tipos – dengue, zika e chikungunya – e isso justifica o maior número de casos positivos”, relatou Herrero.
Sem “Qdenga”
Além da desatenção e descuido da população, um fato negativo para uma região com recrudescimento da dengue – como é o caso de Tangará da Serra – é que Mato Grosso ficou de fora da lista dos estados que receberão doses da vacina contra a doença.
A vacina Qdenga (TAK-003) é um imunizante contra a dengue desenvolvido pelo laboratório japonês Takeda Pharma. O registro do imunizante foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em março de 2023.
Segundo o Ministério da Saúde, não há doses o suficiente para todos os estados, por isso, foram definidos critérios de priorização para a escolha dos municípios. A prioridade, segundo o Ministério da Saúde, é a vacinação de pessoas de 10 a 14 anos por estarem entre o público com maior número de internações pela moléstia.
Outros critérios incluem os municípios de grande porte com mais de 100 mil habitantes, com classificação de alta transmissão de dengue ‘tipo 2’. As cidades próximas a esses locais também foram incluídas nas “regiões de saúde”, conforme entendimento do governo federal.