TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Meio Ambiente & Preservação

Tangará da Serra: Sociedade se mobiliza pela revitalização das bacias do Ararão e Queima Pé

Publicado em

Ministério Público, poderes Executivo e Legislativo, governo estadual (SEMA-MT), Assembleia Legislativa (deputado Dr. João), agro e setor empresarial, entidades, clubes de serviço, comitê de bacia hidrográfica, profissionais especializados, Imprensa. Estas foram as presenças na reunião promovida na última quinta-feira (07) no auditório do Ministério Público, em Tangará da Serra, para discutir medidas para revitalizar os mananciais do município, em especial as bacias dos rios Ararão e Queima Pé.

Promotor Thiago Scarpinelli: “Estamos inseridos numa bacia, do Alto Paraguai, que é de suma importância para não só para a nossa região, mas para o estado, para o nosso País e para outros países”.

O momento é propício, já que Tangará da Serra se vê diante de mais uma estiagem prolongada e, por isso, convive com outra crise hídrica e as consequentes dificuldades no abastecimento de água. Compondo esse cenário, a degradação nas duas bacias citadas agrava o problema.

Nesse quadro, dois projetos se integram. O projeto Água para o Futuro é uma iniciativa do Ministério Público em conjunto com o Instituto Centro de Vida e a Universidade Federal de Mato Grosso. Já em execução em Cuiabá, o projeto visa garantir a segurança hídrica da capital e o abastecimento de água potável por meio da identificação, preservação e recuperação das nascentes. A partir de agora, o projeto passa a ser executado também em Tangará da Serra.

Prefeito Vander Masson garantiu apoio do município ao projeto: “Estamos unindo a sociedade em prol de um objetivo comum”.

O promotor titular da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Tangará da Serra, Thiago Scarpinelli Vieira, foi quem convocou a reunião da última quinta-feira, que precede uma série de discussões com foco na recuperação ambiental da região. “Desde 2020 estamos realizando reuniões com vários segmentos da sociedade e com o poder público porque a partir de 2015/2016 a cidade começou a sofrer com a questão das estiagens e, por consequência, na distribuição de água. Assim, já temos um projeto para a recuperação das bacias do Ararão e do Queima Pé, que são tão importantes para Tangará da Serra”, disse o membro do Ministério Público Estadual, que aponta para gargalos no saneamento básico e nas necessidades de investimentos no setor, especialmente na ampliação da capacidade de captação e tratamento de água, no tratamento de esgoto, na gestão de resíduos sólidos, entre outros.

Scarpinelli destacou a importância de se estabelecer políticas públicas voltadas à preservação na região, que compreende as cabeceiras do Pantanal. “Estamos inseridos numa bacia, do Alto Paraguai, que é de suma importância para o meio ambiente, para a vida e para a economia não só da nossa região, mas para o estado, para o nosso País e para outros países. Então, a questão das políticas públicas é muito importante e precisa ser inserida nesse contexto”, completou.

Ações integradas

Paralelamente ao projeto liderado pelo MP, o projeto Cultivando Água Boa – que já foi executado com êxito na nascente do rio Queima Pé, com participação do Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC) – dará sustentação a um terceiro projeto de recuperação das Bacias dos rios Queima Pé e Ararão.

Os quatro Rotary Club de Tangará da Serra estiveram presentes na reunião e integram a mobilização. Já com um projeto de recuperação em andamento, o Rotary Club Tangará da Serra Cidade Alta está à frente nesse projeto ambiental.

Vitor Azarias, do Rotary: “Na bacia do Queima Pé, à montante da Estação de Tratamento, temos 87% de degradação”.

Segundo o presidente do RC Cidade Alta, biólogo Vitor Azarias Campos, o município tem 3,4 mil nascentes. Destas, 91 foram visitadas, sendo que apenas 10 se encontram preservadas, 74 possuem degradação parcial e sete estão completamente degradadas. “Na bacia do Queima Pé, à montante da Estação de Tratamento, temos 87% de degradação, então é praticamente impossível a ETA receber água para abastecer a cidade”, disse.

O professor da Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste) e especialista em sustentabilidade e gestão ambiental, Jair Kotz, esteve presente na reunião e tem participação na recuperação da nascente do Queima Pé. Em seu currículo, Kotz agrega experiência como superintendente de Itaipu Binacional.

Jair Kotz adverte: “Se nós não cuidarmos, não revitalizarmos essas duas bacias – Ararão e Queima Pé – já sabemos qual será nosso futuro”.

Segundo o especialista, os trabalhos nas bacias do Queima Pé e do Ararão incluirão práticas de conservação, retenção e infiltração da água no solo, de preservação e recuperação dos recursos naturais (água, solo e biodiversidade), educação ambiental, além de divulgação/comunicação com envolvimento da Imprensa. “Olhando para trás, quando o Ararão tinha um volume parecido com o que o Sepotuba tem hoje, e pensando num prazo de 30 a 40 anos daqui para frente, se nós não cuidarmos, não revitalizarmos essas duas bacias – Ararão e Queima Pé – já sabemos qual será nosso futuro. Então, temos que trabalhar desde agora”, disse Jair Kotz.

O prefeito Vander Masson assegurou participação do município, através do Samae e de secretarias como Educação, Agricultura, Meio Ambiente, Infraestrutura, Indústria e Comércio. O gestor destaca a importância da mobilização de todos os segmentos da sociedade. “Estamos unindo a sociedade em prol de um objetivo comum, de uma conscientização, da união de esforços. Sabemos da importância da água, principalmente aqui em Tangará, onde passamos por estas crises, por deficiência hídrica. Precisamos recuperar e conservar nossas nascentes, nossas matas ciliares para reverter esse atual quadro”, disse o prefeito.

Comentários Facebook
Advertisement

Meio Ambiente & Preservação

Força-tarefa realizará trabalhos de correção de erosão subterrânea na aldeia do Formoso

Published

on

O processo erosivo subterrâneo que causou o colapso do solo na área de cabeceira do córrego Bonitinho, na Aldeia Indígena do Formoso, em Tangará da Serra, motivará a mobilização de uma força-tarefa para sua correção, com ações divididas em duas fases.

A estratégia para a correção foi definida na semana passada, após vistoria na área afetada e em acompanhamento com a comunidade indígena local. Os trabalhos, propostos em reunião com os moradores, serão coordenados pelo Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC), com anuência da Associação Haliti/Paresi, entidade representativa do povo indígena da localidade.

Ações para recuperação contam com anuência da comunidade do Formoso, expressa em reunião na última quinta-feira (30).

A reunião, coordenada pelo presidente do IPAC, Décio Eloi Siebert, e pelo representante da Associação Haliti/Paresi, Geovani Kezo, contou com a presença de membros da Brigada de Combate a Incêndios Florestais, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) e do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do rio Sepotuba.

Erosão provocou colapso do solo na Aldeia do Formoso, nas cabeceiras do córrego Bonitinho.

Com base no diagnóstico preliminar realizado, ficaram definidas ações em duas etapas. A primeira (Fase 1) será emergencial, com o objetivo de conter o processo erosivo por meio do plantio de cordões de gramínea “vetiver” e de mudas nativas no entorno da área afetada.

Geovani Kezo, da Associação Halitinã, participa da coordenação dos trabalhos.

Na “Fase 2” será implantado um sistema de drenagem subterrânea (imagem abaixo) para solucionar o problema de “piping”, que causou a erosão e o colapso do solo no local. Esta fase também incluirá a implantação de um sistema de restauração ecológica, com a construção de paliçadas no interior da área erodida para conter as águas pluviais e o plantio de mudas de vetiver, espécies nativas e bambu.

A força-tarefa contará com a equipe do IPAC, membros da comunidade indígena local, SEMA, CBH, além da participação de propriedades rurais vizinhas e apoio de instituições. Os trabalhos serão realizados predominantemente de forma manual, devido à fragilidade do solo na região da Aldeia do Formoso, não contando, portanto, com maquinário pesado.

Para custear as atividades operacionais, insumos, ferramentaria e outros itens necessários, serão captados recursos junto aos setores público e privado. A operação será comunicada ao Ministério Público.

Processo erosivo

O processo erosivo foi identificado após o afundamento (depressão) de uma área na cabeceira do córrego Bonitinho, afluente do rio Formoso, um dos principais da bacia do rio Sepotuba.

A falha no solo foi causada por um fenômeno erosivo conhecido como “piping” (imagem acima), um tipo de erosão interna do solo, causada pelo escoamento subterrâneo concentrado de água, que remove partículas finas do interior do maciço, formando canais tubulares (pipes) sob a superfície. Esse fenômeno ocorre principalmente em solos arenosos (como o da TI Formoso), silto-arenosos ou argilosos estruturados.

O processo erosivo tem causado o carreamento de sedimentos que estão assoreando a gruta que abriga a nascente do córrego Bonitinho (foto abaixo).

Do ponto de vista ambiental, a continuidade desse processo ameaça a estabilidade do solo, acelera a degradação da paisagem e compromete a qualidade da água disponível no entorno. O assoreamento da gruta pode, também, causar alterações irreversíveis no regime hídrico e afetar a biodiversidade associada ao microambiente local.

Sob a perspectiva sociocultural, a gruta possui valor simbólico, histórico e espiritual para o povo indígena, abrigando inscrições rupestres que podem datar de 8.000 anos (foto abaixo), o que a torna um local de importância arqueológica, histórica e científica única na região.

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana