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Meio Ambiente & Preservação

Revitalização da nascente do Queima Pé será apresentada em capacitação promovida pela ANA

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Os trabalhos de revitalização da nascente do Queima Pé, realizados entre setembro e outubro últimos, em Tangará da Serra, serão tema de palestra no Curso de Revitalização de Bacias Hidrográficas no contexto do Programa Produtor de Água, que é promovido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) desde a semana passada, dia 18, e segue numa série de quatro capacitações, até 03 de dezembro.

Décio Siebert foi convidado para ministrar curso promovido pela ANA.

O modelo de revitalização na nascente do Queima Pé será apresentado no curso pelo engenheiro agrônomo e consultor ambiental Décio Eloi Siebert, de Tangará da Serra. Siebert coordenou os trabalhos de revitalização, ao lado do especialista em recuperação de nascentes Quirino Kesler, que atua como diretor de Meio Ambiente da prefeitura de São José das Palmeiras (PR) e possui vasto expertise na atividade, com participação em projetos ambientais da usina hidrelétrica (UHE) Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Trabalhos no Queima Pé

Os trabalhos no Queima Pé consistiram na abertura de uma vala e colocação de pedras marroadas na sequência, formando um canal subterrâneo para dar vazão à água que sai das vertentes.

Também houve a instalação de 150 drenos verticais nas áreas de recarga da nascente, para acelerar a infiltração da água das chuvas, aumentando a disponibilidade de água para consumo.

Os trabalhos foram concluídos no início desse mês, com plantio de mudas de espécies nativas e semeadura pela modalidade ‘muvuca de sementes’.

Trabalhos consistiram na implantação de uma barreira com pedras marroadas e solo-cimento para aumentar o depósito de água.

Curso

A série de capacitações é voltada para 240 membros dos comitês das bacias hidrográficas dos rios Paranaíba, Paranapanema, Verde Grande e Grande. As capacitações são gratuitas e on-line e acontecem em parceira com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e com a Associação Terceira Via.

A abertura da série aconteceu no último dia 18, com o Curso voltado para os membros do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba (CBH Paranaíba).

Entre 25 e 29 de outubro, o Curso será ministrado para o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema (CBH Paranapanema). O terceiro evento da série terá como público o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Verde Grande (CBH Verde Grande). Por fim, a capacitação será voltada para os membros do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Grande (CBH Grande).

Uma das etapas da qualificação será realizada de 25 a 29, via remota.

Durante o Curso são apresentadas noções sobre Hidrologia e revitalização de bacias hidrográficas. As atividades voltadas à conservação de água e solo realizadas pelo Produtor de Água também incluem instruções específicas para conservação de solos, adequação ambiental de estradas rurais, recuperação de áreas degradadas e reflorestamento.

Outro tema presente na capacitação é a elaboração de Projetos Individuais de Propriedade (PIPs) no âmbito do Produtor de Água. Com estas instruções, os participantes serão capacitados a elaborar e executar projetos de revitalização de bacias hidrográficas em apoio aos comitês na implementação de seus planos de recursos hídricos.

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Meio Ambiente & Preservação

Força-tarefa realizará trabalhos de correção de erosão subterrânea na aldeia do Formoso

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O processo erosivo subterrâneo que causou o colapso do solo na área de cabeceira do córrego Bonitinho, na Aldeia Indígena do Formoso, em Tangará da Serra, motivará a mobilização de uma força-tarefa para sua correção, com ações divididas em duas fases.

A estratégia para a correção foi definida na semana passada, após vistoria na área afetada e em acompanhamento com a comunidade indígena local. Os trabalhos, propostos em reunião com os moradores, serão coordenados pelo Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC), com anuência da Associação Haliti/Paresi, entidade representativa do povo indígena da localidade.

Ações para recuperação contam com anuência da comunidade do Formoso, expressa em reunião na última quinta-feira (30).

A reunião, coordenada pelo presidente do IPAC, Décio Eloi Siebert, e pelo representante da Associação Haliti/Paresi, Geovani Kezo, contou com a presença de membros da Brigada de Combate a Incêndios Florestais, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) e do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do rio Sepotuba.

Erosão provocou colapso do solo na Aldeia do Formoso, nas cabeceiras do córrego Bonitinho.

Com base no diagnóstico preliminar realizado, ficaram definidas ações em duas etapas. A primeira (Fase 1) será emergencial, com o objetivo de conter o processo erosivo por meio do plantio de cordões de gramínea “vetiver” e de mudas nativas no entorno da área afetada.

Geovani Kezo, da Associação Halitinã, participa da coordenação dos trabalhos.

Na “Fase 2” será implantado um sistema de drenagem subterrânea (imagem abaixo) para solucionar o problema de “piping”, que causou a erosão e o colapso do solo no local. Esta fase também incluirá a implantação de um sistema de restauração ecológica, com a construção de paliçadas no interior da área erodida para conter as águas pluviais e o plantio de mudas de vetiver, espécies nativas e bambu.

A força-tarefa contará com a equipe do IPAC, membros da comunidade indígena local, SEMA, CBH, além da participação de propriedades rurais vizinhas e apoio de instituições. Os trabalhos serão realizados predominantemente de forma manual, devido à fragilidade do solo na região da Aldeia do Formoso, não contando, portanto, com maquinário pesado.

Para custear as atividades operacionais, insumos, ferramentaria e outros itens necessários, serão captados recursos junto aos setores público e privado. A operação será comunicada ao Ministério Público.

Processo erosivo

O processo erosivo foi identificado após o afundamento (depressão) de uma área na cabeceira do córrego Bonitinho, afluente do rio Formoso, um dos principais da bacia do rio Sepotuba.

A falha no solo foi causada por um fenômeno erosivo conhecido como “piping” (imagem acima), um tipo de erosão interna do solo, causada pelo escoamento subterrâneo concentrado de água, que remove partículas finas do interior do maciço, formando canais tubulares (pipes) sob a superfície. Esse fenômeno ocorre principalmente em solos arenosos (como o da TI Formoso), silto-arenosos ou argilosos estruturados.

O processo erosivo tem causado o carreamento de sedimentos que estão assoreando a gruta que abriga a nascente do córrego Bonitinho (foto abaixo).

Do ponto de vista ambiental, a continuidade desse processo ameaça a estabilidade do solo, acelera a degradação da paisagem e compromete a qualidade da água disponível no entorno. O assoreamento da gruta pode, também, causar alterações irreversíveis no regime hídrico e afetar a biodiversidade associada ao microambiente local.

Sob a perspectiva sociocultural, a gruta possui valor simbólico, histórico e espiritual para o povo indígena, abrigando inscrições rupestres que podem datar de 8.000 anos (foto abaixo), o que a torna um local de importância arqueológica, histórica e científica única na região.

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