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Meio Ambiente & Preservação

Nascente do Queima Pé receberá trabalhos de manutenção contra processos erosivos

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Três anos e meio após receber um trabalho de revitalização, a nascente do rio Queima Pé, em Tangará da Serra, receberá trabalhos de manutenção como forma de prevenir assoreamento por processos erosivos.

Os trabalhos serão realizados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMEA), a pedido do Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC), entidade que idealizou e coordenou os trabalhos de recuperação da nascente, em setembro de 2021. “São ações complementares, de manutenção, necessárias para que o assoreamento não volte a acontecer”, explicou Décio Eloi Siebert, consultor ambiental e presidente do IPAC, que vistoriou o manancial na última sexta-feira (21).

O rio Queima Pé, vale destacar, é a principal fonte de abastecimento de água da cidade de Tangará da Serra.

Chuvas intensas nessa estação chuvosa provocaram enxurradas e erosões na estrada que passa junto à nascente.

O titular da SEMMEA, secretário Vinícius Lançone, também esteve no local, na tarde da última sexta-feira, acompanhado de técnicos da pasta. As ações a serem realizadas consistirão na adequação da estrada que passa pelo local, entre o Alto da Boa Vista e a comunidade Queima Pé, com o direcionamento da água das chuvas para caixas de contenção com intensificadores de infiltração, fazendo com que as águas pluviais sejam absorvidas pelo solo, até o lençol freático. O início dos trabalhos deverá ocorrer já nos próximos dias.

Secretário Vinícius Lançone e equipe de técnicos da SEMMEA vistoriaram o local e definiram ações de manutenção.

Revitalização

A nascente do rio Queima Pé recebeu em setembro de 2021 um trabalho especial de revitalização com objetivo de recuperar/ampliar a vazão do manancial, que estava soterrado por processos erosivos.

Décio Siebert, do IPAC, conduziu os trabalhos de revitalização, em setembro de 2021.

Os trabalhos consistiram na implantação de uma barreira com pedras marroadas e solo-cimento para aumentar o depósito de água. Após a implantação das pedras marroadas, houve aplicação de cal virgem para desinfecção. Na sequência, foram instalados 150 intensificadores de recarga no entorno da nascente, além da recomposição da vegetação com mudas de espécies nativas. Os intensificadores proporcionam a infiltração das águas das chuvas, consistindo em canos de PVC rígido (100 mm) de 02 metros de comprimento, perfurado, envolvido em manta geotêxtil e inserido numa perfuração de 02 metros no solo. Os drenos foram preenchidos com pedra brita, permitindo a infiltração da água, alimentando a nascente.

Os trabalhos mostraram resultados já em 2022. Para se ter uma ideia, em 2024, mesmo com uma estiagem severa de praticamente seis meses e altas temperaturas, a área urbana de Tangará da Serra não demandou racionamento de água, com o Queima Pé mantendo a vazão e abastecendo as represas da Estação de Captação, Tratamento e Distribuição de Água (ETA).

Estrada do Queima Pé receberá trabalhos de adequação.

Realização

Os procedimentos foram coordenados por Décio Siebert e pelo especialista em recuperação de nascentes Quirino Kesler, profissional de vasto expertise na atividade, com participação em projetos ambientais da UHE Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Os trabalhos de revitalização foram realizados através de parceria do IPAC com o poder público municipal, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT), Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio Sepotuba. A Fazenda Santa Amália apoiou a iniciativa.

A ação contou com, ainda, as participações do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (SAMAE), secretarias municipais de Infraestrutura, de Meio Ambiente e de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Câmara de Vereadores (compondo, aí, a atuação do poder público municipal). A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (EMPAER) também participou dos trabalhos, assim como o Rotary Club Tangará da Serra Cidade Alta e o Sindicato Rural de Tangará da Serra. Os recursos para custeio das ações foram viabilizados pelo Ministério Público.

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Meio Ambiente & Preservação

Força-tarefa realizará trabalhos de correção de erosão subterrânea na aldeia do Formoso

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O processo erosivo subterrâneo que causou o colapso do solo na área de cabeceira do córrego Bonitinho, na Aldeia Indígena do Formoso, em Tangará da Serra, motivará a mobilização de uma força-tarefa para sua correção, com ações divididas em duas fases.

A estratégia para a correção foi definida na semana passada, após vistoria na área afetada e em acompanhamento com a comunidade indígena local. Os trabalhos, propostos em reunião com os moradores, serão coordenados pelo Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC), com anuência da Associação Haliti/Paresi, entidade representativa do povo indígena da localidade.

Ações para recuperação contam com anuência da comunidade do Formoso, expressa em reunião na última quinta-feira (30).

A reunião, coordenada pelo presidente do IPAC, Décio Eloi Siebert, e pelo representante da Associação Haliti/Paresi, Geovani Kezo, contou com a presença de membros da Brigada de Combate a Incêndios Florestais, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) e do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do rio Sepotuba.

Erosão provocou colapso do solo na Aldeia do Formoso, nas cabeceiras do córrego Bonitinho.

Com base no diagnóstico preliminar realizado, ficaram definidas ações em duas etapas. A primeira (Fase 1) será emergencial, com o objetivo de conter o processo erosivo por meio do plantio de cordões de gramínea “vetiver” e de mudas nativas no entorno da área afetada.

Geovani Kezo, da Associação Halitinã, participa da coordenação dos trabalhos.

Na “Fase 2” será implantado um sistema de drenagem subterrânea (imagem abaixo) para solucionar o problema de “piping”, que causou a erosão e o colapso do solo no local. Esta fase também incluirá a implantação de um sistema de restauração ecológica, com a construção de paliçadas no interior da área erodida para conter as águas pluviais e o plantio de mudas de vetiver, espécies nativas e bambu.

A força-tarefa contará com a equipe do IPAC, membros da comunidade indígena local, SEMA, CBH, além da participação de propriedades rurais vizinhas e apoio de instituições. Os trabalhos serão realizados predominantemente de forma manual, devido à fragilidade do solo na região da Aldeia do Formoso, não contando, portanto, com maquinário pesado.

Para custear as atividades operacionais, insumos, ferramentaria e outros itens necessários, serão captados recursos junto aos setores público e privado. A operação será comunicada ao Ministério Público.

Processo erosivo

O processo erosivo foi identificado após o afundamento (depressão) de uma área na cabeceira do córrego Bonitinho, afluente do rio Formoso, um dos principais da bacia do rio Sepotuba.

A falha no solo foi causada por um fenômeno erosivo conhecido como “piping” (imagem acima), um tipo de erosão interna do solo, causada pelo escoamento subterrâneo concentrado de água, que remove partículas finas do interior do maciço, formando canais tubulares (pipes) sob a superfície. Esse fenômeno ocorre principalmente em solos arenosos (como o da TI Formoso), silto-arenosos ou argilosos estruturados.

O processo erosivo tem causado o carreamento de sedimentos que estão assoreando a gruta que abriga a nascente do córrego Bonitinho (foto abaixo).

Do ponto de vista ambiental, a continuidade desse processo ameaça a estabilidade do solo, acelera a degradação da paisagem e compromete a qualidade da água disponível no entorno. O assoreamento da gruta pode, também, causar alterações irreversíveis no regime hídrico e afetar a biodiversidade associada ao microambiente local.

Sob a perspectiva sociocultural, a gruta possui valor simbólico, histórico e espiritual para o povo indígena, abrigando inscrições rupestres que podem datar de 8.000 anos (foto abaixo), o que a torna um local de importância arqueológica, histórica e científica única na região.

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