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Meio Ambiente & Preservação

Meio Ambiente: Propriedades rurais recuperam pastagens e áreas degradadas em MT

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Em relatórios, técnicos de campo credenciados ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) relataram a recuperação de mais de 150 hectares de pastagens e áreas degradadas em propriedades rurais no extremo leste do estado. As áreas são localizadas nos municípios de Vila Rica e Santa Terezinha, ambos assistidos pelo Projeto FIP Paisagens Rurais há dois anos.

Foram utilizadas estratégias de recuperação dos solos degradados, como curvas de níveis, plantio em solos descobertos, adubação e calagem, divisões das pastagens, aumento Unidade Animal (UA) por hectare, controle de altura de entrada e saída nas pastagens com isso um melhor proveito na colheita desta pastagem, cursos e treinamentos de capacitação aos produtores assistidos.

APP está sendo recuperada por meio do plantio de mudas de árvores frutíferas e madeira de lei.

Segundo o supervisor da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-MT, Marcelo Nogueira, a partir das intervenções e orientações trazidas pelos técnicos de campo junto aos produtores, foram identificadas melhorias na região. “Os resultados encontram-se em relatórios técnicos, aplicativos e software de gestão e controle zootécnico que são ferramentas de auxílio e controle do projeto”.

Milene Rodrigues Dias, técnica de campo credenciada à instituição, destacou os resultados de três propriedades assistidas. Na Fazenda Boi Preto, em Vila Rica, foram renovados 96 hectares de pastagem, sendo que a área recuperada está sendo dividida em piquetes para terminação de animais em pastejo.

Já em Santa Terezinha na Fazenda Morro Alto, houve renovação de talhão com 20,7 hectares, construção de bebedouro para abastecimento de três divisões de pastagens com capacidade total de 10.000 litros e construção de poço semi-artesiano para abastecimento de bebedouro construído.

O piqueteamento foi a solução para a Fazenda Campo Verde. “Implantamos sistema rotacionado, com a construção de 16 piquetes e divisões de cercas a baixo custo por meio da utilização de cerca elétrica”, destacou.

Em Santa Terezinha, no Sítio Pé do Morro, assistido pelo técnico de campo, Denner Nunes, foram recuperados 40 hectares de pastagens. Em outra propriedade, Sítio Boa Vista, a orientação foi realizar análise de solo e também divisão de pastos. “Realizamos piqueteamento dos pastos maiores aumentando a taxa de lotação e produção de volumoso (silagem) “.

Localizado no P.A São José no município de Vila Rica, o Sítio Salgado Filho, assistido pelo técnico Marcos Santana, recuperou 1.5 hectares de área degradada pelo projeto. A Área de Preservação Permanente (APP) está sendo recuperada por meio do plantio de mudas de árvores frutíferas e madeira de lei.

Segundo o proprietário do sítio, Antônio Alves da Silva, o FIP é muito importante para o futuro de sua propriedade. “Quando adquiri a área, ela já se encontrava degradada. Com o projeto já consegui plantar em torno de 700 árvores e isso é muito importante para a preservação”.

Silva reforça ainda que as ações conscientizam muitos produtores da região em relação à preservação ambiental. “No município há muitas áreas degradadas, se cada produtor plantasse árvores e recuperasse parte da área degradada da sua propriedade, já ajudaria a conservação ambiental”.

Projeto

O projeto FIP Paisagens Rurais tem como foco gestão integrada da paisagem do Bioma Cerrado, preparando o produtor rural para recuperar e conservar a vegetação de APPs e Reserva Legal, além de incentivar a adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono.

É um projeto nacional coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (Mapa) e tem como parceiros a agência de cooperação técnica alemã GIZ, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Embrapa. O Projeto também conta com o apoio do Banco Mundial.

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Meio Ambiente & Preservação

Força-tarefa realizará trabalhos de correção de erosão subterrânea na aldeia do Formoso

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O processo erosivo subterrâneo que causou o colapso do solo na área de cabeceira do córrego Bonitinho, na Aldeia Indígena do Formoso, em Tangará da Serra, motivará a mobilização de uma força-tarefa para sua correção, com ações divididas em duas fases.

A estratégia para a correção foi definida na semana passada, após vistoria na área afetada e em acompanhamento com a comunidade indígena local. Os trabalhos, propostos em reunião com os moradores, serão coordenados pelo Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC), com anuência da Associação Haliti/Paresi, entidade representativa do povo indígena da localidade.

Ações para recuperação contam com anuência da comunidade do Formoso, expressa em reunião na última quinta-feira (30).

A reunião, coordenada pelo presidente do IPAC, Décio Eloi Siebert, e pelo representante da Associação Haliti/Paresi, Geovani Kezo, contou com a presença de membros da Brigada de Combate a Incêndios Florestais, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) e do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do rio Sepotuba.

Erosão provocou colapso do solo na Aldeia do Formoso, nas cabeceiras do córrego Bonitinho.

Com base no diagnóstico preliminar realizado, ficaram definidas ações em duas etapas. A primeira (Fase 1) será emergencial, com o objetivo de conter o processo erosivo por meio do plantio de cordões de gramínea “vetiver” e de mudas nativas no entorno da área afetada.

Geovani Kezo, da Associação Halitinã, participa da coordenação dos trabalhos.

Na “Fase 2” será implantado um sistema de drenagem subterrânea (imagem abaixo) para solucionar o problema de “piping”, que causou a erosão e o colapso do solo no local. Esta fase também incluirá a implantação de um sistema de restauração ecológica, com a construção de paliçadas no interior da área erodida para conter as águas pluviais e o plantio de mudas de vetiver, espécies nativas e bambu.

A força-tarefa contará com a equipe do IPAC, membros da comunidade indígena local, SEMA, CBH, além da participação de propriedades rurais vizinhas e apoio de instituições. Os trabalhos serão realizados predominantemente de forma manual, devido à fragilidade do solo na região da Aldeia do Formoso, não contando, portanto, com maquinário pesado.

Para custear as atividades operacionais, insumos, ferramentaria e outros itens necessários, serão captados recursos junto aos setores público e privado. A operação será comunicada ao Ministério Público.

Processo erosivo

O processo erosivo foi identificado após o afundamento (depressão) de uma área na cabeceira do córrego Bonitinho, afluente do rio Formoso, um dos principais da bacia do rio Sepotuba.

A falha no solo foi causada por um fenômeno erosivo conhecido como “piping” (imagem acima), um tipo de erosão interna do solo, causada pelo escoamento subterrâneo concentrado de água, que remove partículas finas do interior do maciço, formando canais tubulares (pipes) sob a superfície. Esse fenômeno ocorre principalmente em solos arenosos (como o da TI Formoso), silto-arenosos ou argilosos estruturados.

O processo erosivo tem causado o carreamento de sedimentos que estão assoreando a gruta que abriga a nascente do córrego Bonitinho (foto abaixo).

Do ponto de vista ambiental, a continuidade desse processo ameaça a estabilidade do solo, acelera a degradação da paisagem e compromete a qualidade da água disponível no entorno. O assoreamento da gruta pode, também, causar alterações irreversíveis no regime hídrico e afetar a biodiversidade associada ao microambiente local.

Sob a perspectiva sociocultural, a gruta possui valor simbólico, histórico e espiritual para o povo indígena, abrigando inscrições rupestres que podem datar de 8.000 anos (foto abaixo), o que a torna um local de importância arqueológica, histórica e científica única na região.

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