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Infraestrutura & Logística

Hidrovia do Rio Paraguai aguarda trâmites burocráticos para começar a operar

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Um antigo sonho da macrorregião Oeste/Sudoeste de Mato Grosso está prestes a se tornar realidade: a retomada das operações da Hidrovia do Rio Paraguai, com a navegação comercial no Tramo Norte do tradicional rio mato-grossense.

Esse foi o tema de reunião na quinta-feira (16) da semana passada, na Casa da Indústria, em Cáceres, de representantes do Ministério da Infraestrutura, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Marinha do Brasil, Agenda Regional Oeste (ARO) e entidades da iniciativa privada.

A iniciativa privada esteve presente na reunião de negócios através da Administradora da Zona de Processamento de Exportação de Cáceres (AZPEC), Aprosoja, Casa da Indústria de Cáceres, Serviço Nacional da Indústria (Senai), Sindicato da Indústria da Construção de Mato Grosso (Sinduscon – MT), além de representantes dos terminais portuários Barranco Vermelho e Paratudal.

Reunião de negócios sobre a Hidrovia aconteceu no último dia 16, na Casa da Indústria.

O encontro teve por objetivo alinhar as informações referentes ao funcionamento do modal e os licenciamentos dos terminais portuários localizados no tramo norte, além do uso consciente do rio Paraguai e seu potencial para o desenvolvimento regional. Um dos terminais – Associação Pró-Hidrovia (APH) – está com toda a sua estrutura física adequada para funcionamento, restando, ainda, questões burocráticas para ficar apto a operar. Outros dois terminais – Barranco Vermelho e Paratudal – estão em processo de obtenção das licenças de instalação (LI).

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A expectativa é que as LIs sejam emitidas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT) nas próximas semanas. Num dos portos – Barranco Vermelho – já há recursos viabilizados na ordem de US$ 35 milhões para as obras. Paratudal, por sua vez, terá capacidade de movimentar 5 milhões de toneladas de grãos por ano, além de 3 milhões/ano de toneladas de fertilizantes e 250 mil toneladas/ano de contêineres e carga geral.

Tramo Norte

Durante a reunião, o DNIT informou que foram realizados trabalhos de dragagem, desobstrução de vegetação e sinalização náutica. Desses, os serviços de dragagem e desobstruções serão realizados continuamente, dentro do plano de manutenção da hidrovia.

Contudo, no que se refere ao Tramo Norte, a Licença de Operação IBAMA n° 18/1998 licencia apenas determinados trechos, que ainda carecem de anuência de demais órgãos (Lagoa Gaíva – FUNAI e ICMBio). Quanto à Sinalização Náutica, a alteração de sinais depende de análise do projeto pela Marinha do Brasil, no Rio de Janeiro, com a intermediação da Capitania Fluvial de Mato Grosso. O DNIT destaca que a sinalização não caminha junto com a dragagem e a manutenção do canal.

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Avaliação

O coordenador regional da Agenda Regional Oeste (ARP) e presidente da AZPEC, engenheiro Adilson Reis, destaca que a reunião de negócios foi fundamental para “nivelar” as informações em torno da hidrovia e do futuro projeto com a operação do modal em conjunto com a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres. “Tratamos de todos esses assuntos que se referem à Hidrovia do Rio Paraguai, conforme as exigências técnicas e ambientais, do cenário atual e do futuro da nossa região com a ZPE e, também, a integração dos modais de transportes”, disse Reis.

Encontro teve presenças de representantes do governo federal, Marinha do Brasil, Agenda Regional Oeste e iniciativa privada do Brasil e do Paraguai.

A Hidrovia Paraguai-Paraná abre um leque considerável para exportação e importação, otimizando a matriz de transportes potencializando o modal rodoviário nos trechos do entorno, num raio de 400 km, beneficiando diretamente ao menos 37 municípios da macrorregião Oeste-Sudoeste de Mato Grosso, além de proporcionar um salto de qualidade na política industrial de todo o estado.

Do total de 3.442 quilômetros da rota aquaviária, 890 quilômetros ficam dentro do Brasil, passando por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No continente sul-americano, a hidrovia passa, também, por Bolívia, Paraguai e Argentina. O trecho em organização da hidrovia proporcionará navegação comercial no Tramo Norte do rio Paraguai, ligando Cáceres a Corumbá, no Mato Grosso do Sul, conectando ao extremo sul do Continente, como preconizado no Comitê Intergovernamental da Hidrovia Paraguai-Paraná (CIH).

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Primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual será inaugurado neste sábado

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Neste sábado, 20 de junho, será inaugurado em Dom Aquino o primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, considerada a primeira ferrovia construída a partir de autorização de um governo estadual no Brasil. O empreendimento representa um marco para a infraestrutura logística do Estado e promete fortalecer a competitividade do agronegócio mato-grossense nos mercados nacional e internacional.

A cerimônia ocorrerá às margens da BR-070, onde foi implantado o terminal multimodal que passa a desempenhar papel estratégico no novo corredor logístico estadual. O local funcionará como ponto de integração entre os modais rodoviário e ferroviário, recebendo cargas transportadas por caminhões para posterior embarque nos trens.

Com a entrada em operação do terminal, Dom Aquino assume posição de destaque na logística de Mato Grosso. A cidade sediará uma das principais estruturas da nova malha ferroviária, transformando uma região tradicionalmente agrícola em importante centro de distribuição e escoamento da produção.

Novo terminal ferroviário foi projetado para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano.

O trecho inaugural possui aproximadamente 162 quilômetros de extensão e liga Rondonópolis ao terminal instalado em Dom Aquino. A obra integra a primeira fase da Ferrovia Estadual, que demandou investimentos da ordem de R$ 5 bilhões e é considerada atualmente um dos maiores projetos privados de infraestrutura logística em execução no país.

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Quando totalmente concluída, a ferrovia terá cerca de 743 quilômetros de extensão, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, passando por 16 municípios mato-grossenses e contando ainda com um ramal estratégico para Cuiabá.

O novo terminal ferroviário foi projetado para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho. A estrutura definitiva deverá ser concluída no segundo semestre de 2026, ampliando significativamente a capacidade de escoamento da produção agrícola estadual.

A chegada dos trilhos a regiões mais próximas das áreas produtoras é uma reivindicação histórica do setor produtivo. Desde a implantação da Ferronorte em Rondonópolis, em 2013, produtores rurais, empresários e lideranças políticas defendiam a expansão da malha ferroviária para o médio-norte do Estado, reduzindo custos logísticos e aumentando a eficiência no transporte de cargas.

Além dos benefícios econômicos, o projeto também é apontado como importante aliado da sustentabilidade ambiental. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o transporte ferroviário apresenta menores índices de emissão de carbono quando comparado ao modal rodoviário, contribuindo para uma logística mais limpa e eficiente.

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Na mesma linha, a vice-presidente da Rumo, Natália Marcassa, destaca que a expansão ferroviária fortalece a competitividade do agronegócio brasileiro e amplia a capacidade de conexão das cadeias produtivas aos mercados internacionais. Para ela, os trilhos representam uma solução de longo prazo que alia eficiência, segurança e redução das emissões de carbono.

A inauguração deste primeiro trecho simboliza o início de uma nova etapa para a infraestrutura de transportes de Mato Grosso, consolidando o Estado como um dos principais corredores logísticos do agronegócio nacional.

(Fotos Rumo Logística e reprodução Web)

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