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Frigoríficos de Tangará da Serra e Barra do Bugres são habilitados para exportar carnes para a China

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O frigorífico MARFRIG GLOBAL FOODS, de Tangará da Serra, e o NATURAFRIG ALIMENTOS LTDA estão entre as plantas industriais habilitadas para exportação de carnes para a China. A informação foi confirmada esta semana pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Além do Marfrig e do Naturafrig, uma planta de Lucas do Rio Verde (esta com unidades para frangos e suínos), uma de Guarantã do Norte, uma de Matupá, uma de Rondonópolis e outra de Várzea Grande obtiveram credenciais para exportação ao mercado chinês.

Com o anúncio do MAPA de que 25 frigoríficos brasileiros foram habilitados para exportar para a China, sendo que 07 são de Mato Grosso, o presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), Paulo Bellincanta, acredita que o aumento da oferta ao mercado asiático pode proporcionar maior estabilidade com preços mais atrativos para os pecuaristas regionais. O número de empregos diretos e indiretos no setor que atualmente está em cerca de 20 mil, também deve crescer.

Bellincanta ressalta que a conquista das novas habilitações se deve aos esforços realizados em conjunto pelo MAPA, Ministério das Relações Exteriores e pela Embaixada do Brasil na China.

“Gostaria de enfatizar o trabalho prestado pela ministra Tereza Cristina, e de toda a área técnica do pasta. Foi um trabalho em equipe, onde se envolveram as indústrias brasileiras dando respaldo, se aprimorando no seu dia a dia, implantando sistemas e adotando novos procedimentos. E do outro lado o Ministério da Agricultura também estava batalhando por isso, vendendo nossa capacidade e conseguindo êxito em ter a China aumentando os volumes de compra para o Brasil e habilitando novas plantas’’, finaliza.

Dos novos estabelecimentos habilitados, 17 são produtores de carne bovina, seis de frango, um de suíno.

De janeiro a agosto deste ano, Mato Grosso já exportou o cerca de US$ 97,105 milhões em carne bovina para a China, o que equivale a 19,53 mil toneladas de carne bovina (congelada) de um total de 193 mil toneladas de carne bovina exportada (congelada e resfriada).

Confira abaixo a lista dos estabelecimentos habilitados pela China:

Carne bovina

93 – COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE CARNE E DERIVADOS DE GURUPI – GURUPI (TO)

112 – FRIGORÍFICO RIO MARIA – RIO MARIA (PA)

411 – FRIGORÍFICO REDENTOR – GUARANTÃ DO NORTE (MT)

431 – MINERVA – PALMEIRA DE GOIÁS (GO)

791 – MINERVA S/A – ROLIM DE MOURA (RO)

941 – BARRA MANSA COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA – SERTÃOZINHO (SP)

1440 – AGROINDUSTRIAL IGUATEMI EIRELLI – IGUATEMI (MS)

1751 – MARFRIG GLOBAL FOODS – TANGARÁ DA SERRA (MT)

1811 – NATURAFRIG ALIMENTOS LTDA – BARRA DO BUGRES (MT)

2015 – MARFRIG GLOBAL FOODS – VÁRZEA GRANDE (MT)

2437 – MASTERBOI LTDA – SÃO GERALDO ARAGUAIA (PA)

2583 – FRIGOL – ÁGUA AZUL DO NORTE (PA)

3215 – PLENA ALIMENTOS S.A – PARAÍSO DO TOCANTINS (TO)

3941 – AGROINDUSTRIAL DE ALIMENTOS S.A – RONDONÓPOLIS (MT)

3974 – NATURAFRIG – ROCHEDO (MS)

4490 – VALE GRANDE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS – MATUPÁ (MT)

4554 – MERCÚRIO ALIMENTOS – CASTANHAL (PA)

Frango

664 – COOPERATIVA CENTRAL AURORA ALIMENTOS – MANDAGUARI (PR)

802 – COASUL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL – SÃO JOÃO (PR)

926 – RIO BRANCO ALIMENTOS S.A – VISCONDE DO RIO BRANCO (MG)

1860 – GONÇALVES E TORTOLA S.A – PARAÍSO DO NORTE (PR)

3515 – BRF – LUCAS DO RIO VERDE (MT)

4087 – GRANJEIRO ALIMENTOS LTDA – ROLÂNDIA (PR)

Suínos

3515 – BRF S.A – LUCAS DO RIO VERDE (MT)

Asininos

46 – NORDESTE PECUÁRIA, INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA – AMARGOSA (BA)

(Fonte: Stephanie Romero, com informações do MAPA)

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Empresas têm mais dados e dashboards, mas continuam tomando decisões ruins

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Especialistas alertam que excesso de indicadores, baixa maturidade analítica e falhas humanas continuam comprometendo decisões estratégicas mesmo em empresas altamente digitalizadas

Empresas nunca tiveram tanto acesso a dados, relatórios em tempo real e ferramentas de monitoramento. Ainda assim, erros operacionais, decisões estratégicas equivocadas e falhas de gestão continuam frequentes, inclusive em organizações altamente digitalizadas.

O paradoxo chama a atenção de especialistas: apesar dos investimentos em analytics, automação e transformação digital, muitas empresas ainda não conseguem transformar informação em decisões eficientes.

Estimativas indicam que entre 60% e 73% dos dados gerados sequer são analisados. Ao mesmo tempo, executivos relatam dificuldade para converter indicadores em ações práticas. Para especialistas, o problema está menos na tecnologia e mais na maturidade analítica.

Dificuldades em para converter indicadores em ações práticas: problema está menos na tecnologia e mais na maturidade analítica.

“Ter acesso a dados não significa necessariamente entender o que eles estão dizendo. Muitas empresas criaram uma infraestrutura sofisticada de monitoramento, mas continuam operando sem clareza estratégica”, afirma Guilherme Francescon Cittoli, co-founder e CPO da ST-One.

Na prática, dashboards, relatórios em tempo real e métricas automatizadas podem criar uma falsa sensação de controle, principalmente em ambientes pressionados por produtividade e rapidez.

A era da “névoa de medição”

A digitalização levou empresas a medir praticamente tudo: desempenho, produtividade, vendas, comportamento do consumidor e indicadores operacionais. O problema é que nem toda métrica gera valor para o negócio.

“Muitas organizações acompanham dezenas de indicadores sem definir claramente quais realmente apoiam a tomada de decisão. Existe um risco enorme de confundir volume de informação com inteligência”, diz Giovanni Abate Neto, CTO da empresa.

Especialistas chamam esse fenômeno de “névoa de medição”, quando o excesso de indicadores dificulta a interpretação dos cenários e favorece métricas de vaidade em detrimento de dados ligados à eficiência operacional, sustentabilidade financeira e comportamento do mercado.

Liderança da ST-One: [Esquerda] Giovanni Abate Neto, Guilherme Francescon Cittolin, Rodrigo Cruz R. Gonçalves e Tiago Machado.

Tecnologia exige interpretação

Segundo os especialistas, muitas empresas investem em transformação digital antes de resolver questões de governança de dados, integração de sistemas e cultura analítica.

“Em muitos casos, as empresas passaram a acumular ferramentas sem criar processos claros para interpretar informações e transformar dados em ação”, afirma Guilherme Francescon Cittoli.

Para Giovanni Abate Neto, outro equívoco é acreditar que a automação elimina a necessidade de análise humana. “Automatizar processos não significa automatizar pensamento crítico. Ainda existe uma dependência muito grande da capacidade humana de interpretar contexto, identificar exceções e questionar padrões.”

Excesso de dados pode paralisar

Outro efeito crescente é a chamada “paralisia analítica”, quando o excesso de informação dificulta decisões rápidas. Na tentativa de reduzir riscos, lideranças acumulam relatórios, reuniões e validações, tornando os processos mais lentos.

Pesquisas mostram ainda que muitos executivos recorrem ao “feeling” para decidir, mesmo em ambientes orientados por dados. Segundo Giovanni Abate Neto, isso ocorre porque a tecnologia não elimina vieses cognitivos, que podem até ganhar aparência de precisão quando sustentados por indicadores mal interpretados.

O desafio continua sendo humano

Embora os investimentos em analytics e digitalização continuem crescendo, o principal gargalo permanece humano. Falta de alfabetização de dados, baixa capacidade analítica, excesso de indicadores e pouca integração entre áreas figuram entre os maiores desafios.

Para os especialistas, as empresas que transformarão dados em vantagem competitiva serão aquelas capazes de equilibrar tecnologia, contexto e pensamento crítico.

“O grande diferencial não está apenas em ter mais dados, mas em conseguir transformar informação em decisões mais consistentes, rápidas e sustentáveis”, conclui Guilherme Francescon Cittoli.

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