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Circuito Rural

Fim da escala 6 x 1 pode exigir 34 mil trabalhadores no agro de Mato Grosso

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Coluna Circuito Rural alerta para os impactos da redução da jornada no agronegócio mato-grossense e questiona a falta de mão de obra para atender à nova demanda do setor.

O início das discussões no Senado sobre a proposta que acaba com a escala de trabalho 6 x 1 mobiliza o setor produtivo. A medida prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado.

Na edição desta sexta-feira (9), da coluna Circuito Rural, o jornalista Olmir Cividini, de Tangará da Serra, chama a atenção para os possíveis reflexos da mudança no agronegócio.

Segundo estudo apresentado pela Famato e pela Aliança do Setor Produtivo à bancada federal de Mato Grosso, a jornada de 40 horas semanais exigiria mais de 15 mil novas contratações somente na agropecuária do Estado para manter o atual nível de atividade.

Caso a jornada seja reduzida para 36 horas semanais, a necessidade poderia chegar a 34 mil trabalhadores. O levantamento, elaborado com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), também aponta aumento dos custos operacionais, elevação do ponto de equilíbrio das lavouras e pressão sobre as margens de lucro.

Na pecuária, o custo adicional com horas extras para compensar a redução da jornada pode superar R$ 1 bilhão por ano em Mato Grosso.

Cividini observa que a atividade rural não depende apenas do relógio, mas também das condições climáticas, das janelas de plantio e colheita e do manejo dos animais.

Outro questionamento é sobre a origem da mão de obra necessária. O mercado de trabalho mato-grossense já enfrenta escassez de trabalhadores em várias atividades. Além disso, cerca de 31% dos trabalhadores do Estado estão na informalidade, segundo a Aliança do Setor Produtivo.

Para o jornalista, o aumento expressivo do custo da contratação formal pode reduzir as oportunidades e estimular ainda mais a informalidade. Ele ressalta que não é contrário à redução da jornada, mas defende uma discussão técnica, ampla e sem viés político.

Cividini também cita a defesa, feita pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado federal Pedro Lupion, de uma transição que permita a adaptação das empresas.

Na avaliação do colunista, uma mudança constitucional dessa dimensão não pode ser aprovada sem que seus impactos estejam devidamente mensurados. Caso contrário, alerta, o trabalhador poderá ser o principal prejudicado.

Ouça o Circuito Rural desta sexta-feira (09) na íntegra:

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Circuito Rural

Fala de Lula gera reflexão sobre a diferença entre política pública e favor pessoal ao produtor

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A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o agronegócio deveria não apenas votar nele, mas “se ajoelhar” em razão dos recursos destinados ao setor, provocou reações e abriu espaço para uma discussão que vai além da disputa eleitoral. Em sua coluna Circuito Rural, publicada nesta quarta-feira (23), o jornalista Olmir Cividini, de Tangará da Serra, faz justamente essa leitura: crédito rural não é favor presidencial e política agrícola não se confunde com gratidão política.

A fala de Lula ocorreu em comício em Florianópolis, no dia 19, quando o presidente destacou o volume de recursos do Plano Safra e a abertura de mercados para produtos brasileiros.

É nesse ponto que a reflexão de Cividini ganha consistência. Ajoelhar-se carrega um significado de reverência, submissão ou reconhecimento de uma autoridade superior. Não parece adequado, portanto, como parâmetro para uma relação republicana entre governo e setor produtivo.

Cividini: “Realidade dos números não combina com a ideia de que o simples anúncio de grandes volumes de recursos encerra a discussão sobre política agrícola”

Mais importante, porém, é separar o discurso político da natureza dos instrumentos utilizados pelo Estado. Os recursos do crédito rural não são dinheiro entregue gratuitamente ao produtor. São financiamentos submetidos a regras, juros, garantias, análise de risco e obrigação de pagamento. O Plano Safra estabelece condições e disponibiliza mecanismos de financiamento; não cria uma dívida moral do produtor com quem ocupa o Palácio do Planalto.

Os próprios números ajudam a colocar a discussão em perspectiva. Levantamento da Farsul, com base em dados do Banco Central, mostra que a área financiada pelas linhas tradicionais de custeio caiu de 34,2 milhões de hectares, em julho de 2025, para 25,4 milhões em julho de 2026 — retração de 25,8% em 12 meses. O valor liberado também recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões, enquanto o número de contratos caiu 10,3%.

É uma realidade que não combina facilmente com a ideia de que o simples anúncio de grandes volumes de recursos encerra a discussão sobre política agrícola.

As reações da FAEP e de lideranças como a senadora Tereza Cristina reforçaram justamente esse contraponto, apontando problemas como juros, acesso ao crédito, seguro rural e dificuldades de renegociação.

O produtor rural, portanto, não precisa de um governo que cobre reverência. Precisa de crédito acessível, juros compatíveis, seguro rural funcional, segurança jurídica e instrumentos capazes de transformar recursos anunciados em financiamento efetivamente disponível.

A coluna de Olmir Cividini toca, assim, numa questão que ultrapassa a frase de um presidente em campanha: quando crédito rural é apresentado como favor pessoal de governante, perde-se de vista que política agrícola é instrumento de Estado, não moeda de gratidão eleitoral.

Crédito rural é política agrícola. Não é favor presidencial — e não exige que ninguém se ajoelhe.

Ouça o Circuito Rural na íntegra:

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