No Circuito Rural desta semana, o autor da coluna, jornalista Olmir Cividini, destaca que em meio à discussão sobre a jornada de trabalho (em que é forte a possibilidade de término da escala 6×1), o Agro brasileiro vem mostrando que não falta emprego para quem quer trabalhar.
O setor fechou ano passado com saldo positivo de 42 mil (41.870) vínculos formais de emprego (com carteira assinada). O número é indicado pelo Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) do Ministério do Trabalho e Previdência (MTP).
Jornalista Olmir Cividini é o autor do Circuito Rural.
Conforme destacado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a agropecuária apresentou variação positiva expressiva do saldo líquido de vagas em relação a 2024, de 269%, o equivalente a 30,5 mil vínculos formais a mais na comparação anual. Um fator importante que explica esse resultado diz respeito à safra recorde de 2025, sobretudo aos seus efeitos no primeiro semestre de 2025.
Na análise estadual, 20 unidades federativas registraram saldos positivos na atividade agropecuária em 2025, sendo São Paulo o estado com maior criação de vagas, com 17.381 empregos no setor, seguido por Mato Grosso (5.874), Minas Gerais (3.282) e Goiás (2.055). O estado com maior perda líquida de vagas no setor foi o Pará, com redução de 2.844 vínculos formais.
Para ouvir o Circuito Rural na íntegra, clique abaixo:
A coluna de Olmir Cividini desta sexta-feira (12.12) aborda as turbulências em Brasília com a evidente rota de colisão seguida simultaneamente pelos três poderes, enquanto o Agro observa com preocupação o desenrolar dos fatos.
As preocupações com o que vai acontecer no ano que vem – considerando o governo que aí está – é outro tema em voga.
No texto e no áudio que seguem, a íntegra da coluna.
Sem medo de errar na comparação, dá para dizer que Brasília está em estado de ebulição. No cardápio, ingredientes que ferveriam qualquer panela institucional: a dosimetria das penas dos envolvidos no 8 de janeiro, a discussão sobre quem pode — ou não — pedir impeachment de ministros do STF, cassação de deputados e o marco temporal das terras indígenas. Assuntos sensíveis, decisivos e que colocam governo, parlamento e Supremo numa rota de colisão que já não é mais surpresa para ninguém e escancaram de vez a crise institucional.
Para o setor agropecuário, a aprovação da PEC das terras indígenas pelo Senado teria tudo para ser celebrada. Mas o contexto político transforma qualquer vitória em um brinde com gosto duvidoso. As relações entre Senado e STF estão por um fio — para não dizer que entraram oficialmente na fase de “quem manda mais?”. De um lado, o Supremo já declarou inconstitucional a lei do marco temporal aprovada em 2023. Do outro, o Senado responde com a caneta pesada, aprovando uma mudança na Constituição. E, se a PEC passar também pela Câmara, entra em vigor sem precisar da assinatura presidencial.
Enquanto isso, o STF retoma o julgamento sobre o mesmo tema. A impressão é que os Poderes, em vez de resolverem questões que moldam o futuro do país, insistem em comportamentos dignos da quinta série — disputas de ego, provocações veladas e cheias de birra institucional. No meio desse recreio tumultuado, o país segue aos trancos e barrancos: sem previsibilidade, com insegurança jurídica crescente e uma tensão cada vez mais palpável no campo.
E tudo isso acontece justamente no encerramento do ano, período tradicional de balanços, diagnósticos e — para alguns — autocríticas. Para a CNA, o agronegócio foi o grande fiador da economia brasileira em 2025. Sem o Agro, a inflação já teria perdido o freio há muito tempo; deve fechar o ano em torno de 4,5%, número oficial, embora o consumidor jure de pés juntos que o supermercado conta outra história.
No que diz respeito ao PIB do agronegócio — a soma de tudo o que o setor produz, de insumos a serviços — a expectativa é de um crescimento robusto: 9,6% até o fim do ano. Um desempenho que chama atenção e, ao mesmo tempo, aumenta a responsabilidade para 2026.
E é exatamente aí que mora a preocupação. O próximo ano promete ser especialmente desafiador, não apenas pela conjuntura econômica, mas pelo conhecido “espírito de gastança” que costuma acompanhar temporadas eleitorais. Se o governo optar por buscar equilíbrio fiscal via aumento de arrecadação, o impacto sobre o setor pode ser imediato: menor capacidade de investimento, risco de frear o crescimento e agravamento do endividamento rural. Sem reformas estruturantes que tragam previsibilidade, o campo segue exposto a cada mudança de humor político — e Brasília anda com o humor bem difícil.
É isso, eu fico por aqui. Entro agora em período de recesso, aproveitando as festas de fim de ano antes de voltarmos, em 2026, a contar as histórias e desafios desse setor essencial para Mato Grosso e para o Brasil.
A você que me acompanhou ao longo do ano, que contribuiu com comentários, críticas e sugestões, meu muito obrigado. Desejo um Feliz Natal — com fé renovada, esperança fortalecida e disposição para recomeçar, porque 2026 já está batendo à porta.