A coluna de Olmir Cividini desta sexta-feira (12.12) aborda as turbulências em Brasília com a evidente rota de colisão seguida simultaneamente pelos três poderes, enquanto o Agro observa com preocupação o desenrolar dos fatos.
As preocupações com o que vai acontecer no ano que vem – considerando o governo que aí está – é outro tema em voga.
No texto e no áudio que seguem, a íntegra da coluna.
Sem medo de errar na comparação, dá para dizer que Brasília está em estado de ebulição. No cardápio, ingredientes que ferveriam qualquer panela institucional: a dosimetria das penas dos envolvidos no 8 de janeiro, a discussão sobre quem pode — ou não — pedir impeachment de ministros do STF, cassação de deputados e o marco temporal das terras indígenas. Assuntos sensíveis, decisivos e que colocam governo, parlamento e Supremo numa rota de colisão que já não é mais surpresa para ninguém e escancaram de vez a crise institucional.
Para o setor agropecuário, a aprovação da PEC das terras indígenas pelo Senado teria tudo para ser celebrada. Mas o contexto político transforma qualquer vitória em um brinde com gosto duvidoso. As relações entre Senado e STF estão por um fio — para não dizer que entraram oficialmente na fase de “quem manda mais?”. De um lado, o Supremo já declarou inconstitucional a lei do marco temporal aprovada em 2023. Do outro, o Senado responde com a caneta pesada, aprovando uma mudança na Constituição. E, se a PEC passar também pela Câmara, entra em vigor sem precisar da assinatura presidencial.
Enquanto isso, o STF retoma o julgamento sobre o mesmo tema. A impressão é que os Poderes, em vez de resolverem questões que moldam o futuro do país, insistem em comportamentos dignos da quinta série — disputas de ego, provocações veladas e cheias de birra institucional. No meio desse recreio tumultuado, o país segue aos trancos e barrancos: sem previsibilidade, com insegurança jurídica crescente e uma tensão cada vez mais palpável no campo.
E tudo isso acontece justamente no encerramento do ano, período tradicional de balanços, diagnósticos e — para alguns — autocríticas. Para a CNA, o agronegócio foi o grande fiador da economia brasileira em 2025. Sem o Agro, a inflação já teria perdido o freio há muito tempo; deve fechar o ano em torno de 4,5%, número oficial, embora o consumidor jure de pés juntos que o supermercado conta outra história.
No que diz respeito ao PIB do agronegócio — a soma de tudo o que o setor produz, de insumos a serviços — a expectativa é de um crescimento robusto: 9,6% até o fim do ano. Um desempenho que chama atenção e, ao mesmo tempo, aumenta a responsabilidade para 2026.
E é exatamente aí que mora a preocupação. O próximo ano promete ser especialmente desafiador, não apenas pela conjuntura econômica, mas pelo conhecido “espírito de gastança” que costuma acompanhar temporadas eleitorais. Se o governo optar por buscar equilíbrio fiscal via aumento de arrecadação, o impacto sobre o setor pode ser imediato: menor capacidade de investimento, risco de frear o crescimento e agravamento do endividamento rural. Sem reformas estruturantes que tragam previsibilidade, o campo segue exposto a cada mudança de humor político — e Brasília anda com o humor bem difícil.
É isso, eu fico por aqui. Entro agora em período de recesso, aproveitando as festas de fim de ano antes de voltarmos, em 2026, a contar as histórias e desafios desse setor essencial para Mato Grosso e para o Brasil.
A você que me acompanhou ao longo do ano, que contribuiu com comentários, críticas e sugestões, meu muito obrigado. Desejo um Feliz Natal — com fé renovada, esperança fortalecida e disposição para recomeçar, porque 2026 já está batendo à porta.
O Circuito Rural desta sexta-feira (24) aborda um momento decisivo para a atual safra de soja. O autor da coluna, o jornalista Olmir Cividini, destaca que o próximo dia 30 será o “dia D” do agro, quando produtores deverão fechar as contas da safra de verão e encarar o resultado financeiro. “Neste ano, a ansiedade no campo está longe de ser exagero… ela é proporcional ao tamanho do problema”, observa.
Segundo Cividini, o cenário atual é um dos mais desafiadores das últimas duas décadas. De um lado, os preços das commodities seguem pressionados; de outro, os custos de produção continuam em alta. Itens como diesel, fertilizantes e insumos em geral têm pesado na planilha do produtor, enquanto o frete mais caro amplia ainda mais essa pressão.
Além disso, o crédito se tornou mais caro e restrito, com aumento nas exigências e garantias. Dados da Serasa indicam inadimplência acima de 8%. “Se o produtor não consegue honrar seus compromissos, o efeito dominó é inevitável”, alerta o colunista, ao mencionar também o crescimento dos pedidos de recuperação judicial no setor.
O cenário é considerado delicado não apenas para o agro, mas para a economia nacional, já que o setor responde por cerca de 30% do Produto Interno Bruto.