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Política & Políticos

Deputado diz que CPMI alcançará Lula e cita entraves impostos por Caixa e Banco do Brasil

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“Vai chegar no Lula, certeza”. A declaração é do deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS), publicada nas redes sociais nesta semana. O parlamentar afirma que as investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre descontos indevidos em benefícios do INSS avançam sobre pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), incluindo familiares e integrantes do governo.

Na quinta-feira (13), a Operação Sem Desconto teve nova fase, conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU). As ações ocorreram em 14 estados e no Distrito Federal, com o cumprimento de 63 mandados de busca e apreensão e 10 de prisão preventiva, por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf aponta movimentações suspeitas do contador de Lula.

O ex-presidente do INSS no atual governo, Alessandro Stefanutto, foi preso, assim como Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador da autarquia. Segundo a PF, Stefanutto recebia propina mensal de R$ 250 mil em razão do esquema de descontos ilegais, com pagamentos registrados em outubro de 2022 e entre junho de 2023 e setembro de 2024.

Em publicação nas redes, Van Hattem afirma que a CPMI está avançando e que novas informações devem surgir. “Precisamos de respostas sobre o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf, que aponta movimentações suspeitas do contador do Lula — sim, do próprio Lula. Tenho certeza de que vamos chegar lá em breve, com o trabalho firme e dedicado da CPMI no Congresso e do ministro André Mendonça no STF”, escreveu.

O deputado também diz que a comissão enfrenta obstáculos, que ele atribui a tentativas de blindagem de envolvidos. Segundo Van Hattem, parte das dificuldades estaria na demora de bancos públicos em fornecer documentos. “Isso tudo apesar de todas as blindagens da base do Lula e do corpo mole de bancos como a Caixa e o BB, que estão enrolando para nos mandar importantes documentos para a nossa investigação. Vamos seguir pressionando”, afirmou.

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Gisela recompõe chapa de Pivetta após crise e preserva estrutura da aliança

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Escolha da advogada e ex-deputada federal mantém União Brasil na vice e busca ampliar o alcance da candidatura após saída de Fábio Garcia, em meio aos reflexos políticos da Operação Heritage

A escolha de Gisela Simona (União Brasil) para a vice-governadoria na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos) vai além da simples substituição de Fábio Garcia. A decisão recompõe uma candidatura que precisou ser reorganizada às pressas após os desdobramentos políticos e judiciais da Operação Heritage e preserva, ao mesmo tempo, a estrutura partidária originalmente concebida para a disputa pelo Governo de Mato Grosso.

Gisela: Passagem pelo Procon e pela Câmara Federal lhe garantiu reconhecimento político e uma identidade pública própria.

Gisela foi anunciada como vice na noite de terça-feira (11), horas depois de Fábio Garcia desistir da candidatura e decidir buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados. O deputado deixou a composição em meio às medidas cautelares decorrentes da investigação sobre um suposto esquema envolvendo cerca de R$ 308 milhões pagos pelo Estado no acordo com a operadora Oi. Entre as restrições impostas estão impedimentos de comunicação direta entre investigados, situação que atingiu Garcia, o ex-governador Mauro Mendes e o ex-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho.

Reconstrução mantendo a base

A saída de Garcia criou para Pivetta a necessidade de uma solução rápida, mas a escolha de Gisela evitou uma alteração mais profunda no desenho político da chapa. Filiada ao União Brasil, ela preserva o espaço do partido na vice-governadoria e mantém a composição Republicanos-União Brasil, um dos pilares da aliança formada pelo grupo governista.

Pivetta: Escolha de Gisela evitou uma alteração mais profunda no desenho político da chapa.

A opção também afasta a vice da crise provocada pela Heritage. Sem vínculo com os investigados ou com os fatos sob apuração, Gisela chega à chapa sem carregar diretamente os efeitos políticos do caso que levou à necessidade de reorganização da candidatura.

A escolha permite, assim, uma tentativa de reposicionamento da campanha: preservar a estrutura da aliança, mas substituir um nome diretamente atingido pelas consequências das medidas cautelares por outro com trajetória própria no cenário político estadual.

Mulher e representante da Baixada Cuiabana

A composição acrescenta ainda dois elementos à estratégia eleitoral. Gisela é uma mulher em uma chapa majoritária e possui trajetória política co

Vander: “Escolha de Gisela Simona foi relevante, por ela ter características importantes dentro do cenário político”.

nstruída principalmente em Cuiabá e na Baixada Cuiabana, região de peso eleitoral nas disputas estaduais.

Advogada e servidora pública de carreira, Gisela construiu projeção pública à frente do Procon Estadual e, posteriormente, exerceu mandato de deputada federal. Sua atuação política ficou associada a temas como defesa do consumidor, combate à corrupção e representação de demandas da região metropolitana da Capital.

Para o prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson, ouvido pela reportagem, a escolha reúne características que podem complementar o perfil de Pivetta.

“Pela informação que recebi, o pedido de renúncia da candidatura foi feito pelo próprio Fábio. Em virtude disso, creio que a escolha da Gisela Simona foi relevante, por ela ter características importantes dentro do cenário político. E que são potencializadas pela experiência profissional como advogada, superintendente efetiva do Procon, exercício no cargo de deputada federal, entre outras, que, somadas às qualidades do candidato Pivetta, se complementam para o exercício de um mandato de avanço em resultados para a população mato-grossense”, afirmou Vander, que é filiado ao União Brasil.

Patrimônio político próprio

Outro aspecto da escolha está no fato de Gisela não ser um nome inteiramente novo para o eleitorado. A passagem pelo Procon e pela Câmara Federal lhe garantiu reconhecimento político e uma identidade pública própria, construída antes da definição de sua participação na chapa.

Esse patrimônio político pode ajudar Pivetta a reorganizar a campanha em um momento de forte repercussão sobre o grupo governista. A Operação Heritage já havia provocado a saída de Garcia da vice e levado a uma série de mudanças no ambiente político da aliança.

A definição por Gisela, portanto, representa uma resposta à crise sem desmontar o arranjo partidário original. Pivetta preserva o União Brasil na vice, incorpora um perfil feminino à chapa e passa a contar com uma candidata identificada com Cuiabá e a Baixada Cuiabana.

Mais do que preencher uma vaga aberta de forma inesperada, a escolha procura devolver estabilidade à composição majoritária. Resta saber se a rápida reestruturação será suficiente para conter os efeitos políticos da Heritage e permitir que a campanha retome sua agenda original, agora com uma chapa reconstruída em meio a um dos primeiros grandes testes do processo eleitoral de 2026.

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