(*) Por: Olmir Cividini
Na segunda-feira começa, em Belém, a COP30 — a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas. Oficialmente o evento vai de 10 a 21, mas a movimentação já começou faz tempo, com reuniões, encontros e aquela correria típica de quem quer garantir espaço nos painéis e holofotes. A impressão que tenho — e que muita gente do agro também compartilha — é que a escolha de realizar esse encontro no coração da Amazônia não foi exatamente por acaso. Belém, afinal, está na Amazônia oriental, uma sub-região da grande bacia amazônica. Convenhamos: parece até um palco montado sob medida para mirar o foco, mais uma vez, no agro brasileiro, que com frequência injusta é tratado como vilão do desmatamento.
Mas, dessa vez, o setor rural não vai a Belém de chapéu na mão. As entidades representativas estão afiadas, prontas para mostrar o que realmente tem sido feito em termos de sustentabilidade — e não é pouca coisa.
A FAMATO, por exemplo, anunciou que vai levar dois projetos de peso. O primeiro é a Fazenda Pantaneira Sustentável (FPS), um projeto piloto que reúne 72 propriedades, totalizando 112 mil cabeças de bovinos distribuídas em 247 mil hectares. Nessas fazendas são avaliados 56 indicadores — ambientais, econômicos e socioculturais — que comprovam, com dados e não discursos, que é perfeitamente possível produzir e preservar ao mesmo tempo. O projeto já está no quinto ano e vem mostrando resultados consistentes.
Outro destaque que embarca rumo a Belém é o Agrihub Conecta, rede de inovação do Sistema Famato que faz a ponte entre produtores rurais, startups e empresas de tecnologia para resolver problemas reais do campo — e não aqueles inventados por quem nunca pisou em um.
A Acrimat também vai marcar presença com o projeto Pasto Forte, voltado para aumentar a produtividade da pecuária de corte sem abrir novas áreas. A ideia é simples e poderosa: recuperar pastagens degradadas e manejar melhor as que já existem. Tive a oportunidade de visitar, no ano passado, uma fazenda em Rondonópolis onde a Fundação MT desenvolve a pesquisa — e os resultados são animadores, com ganhos expressivos de produtividade e eficiência.
Esses são apenas alguns exemplos, entre tantos outros, que mostram o quanto a agropecuária brasileira — e em especial a mato-grossense — é diferenciada. Produz em larga escala, com tecnologia de ponta e respeito ambiental. Um modelo que alia produtividade, inovação e sustentabilidade.
Tomara que os países que forem à COP30 estejam dispostos a ouvir. Porque, convenhamos, se o mundo quiser mesmo falar de soluções para o clima, talvez valha a pena trocar o tom das críticas por um pouco de curiosidade. E o agro brasileiro tem muito mais a ensinar do que a explicar.

Astronautas chineses saborearam churrasco na estação espacial Tiangong.
E já que o assunto é pecuária — e curiosidade — vale um parêntese que veio, literalmente, de fora do planeta. Nesta semana, um fato inusitado chamou atenção, vocês viram? : os astronautas chineses fizeram churrasco na estação espacial Tiangong. Isso mesmo, churrasco no espaço! Asas de frango e bifes foram preparados em um forno de ar quente especialmente desenvolvido para funcionar em microgravidade.
Pelas imagens que circularam na internet, o resultado ficou de dar água na boca — suculento, douradinho, com aquele visual de domingo na varanda. E como a China é o nosso maior comprador de carne bovina e de frango, não é exagero imaginar que o churrasco interplanetário tenha tido um certo gostinho brasileiro. Talvez o primeiro churrasco do espaço tenha sido feito com proteína mato-grossense, vai saber… que qualquer forma está aí mais uma prova de que o agro brasileiro não tem limites — nem na Terra, nem fora dela.
Por hoje é isso, fique com Deus… e aproveite bem seu dia.
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(*) Olmir Cividini é Bacharel em Comunicação Social pelo Instituto Várzea-grandense de Educação. Seus comentários estão disponíveis no Enfoque Business sempre às sextas-feiras.