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Circuito Rural: A matemática que derruba a narrativa de “plano safra recorde”

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O lançamento do Plano Safra 2026/2027 pelo governo federal, anunciado com pompa e circunstância como o maior da história, tem sido alvo de críticas severas por parte de entidades do setor e analistas de mercado.

Esse é o tema da coluna Circuito Rural, do jornalista especializado em Agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.

Ele destaca que, sob a ótica do marketing político, os números impressionam; contudo, quando submetidos a uma conta de matemática básica e à correção inflacionária, a narrativa de “recorde” não resiste à realidade dos fatos. “Na prática, o que se observa é uma redução real de recursos em áreas estratégicas para a competitividade do agronegócio brasileiro”, observa Cividini.

O jornalista tangaraense pontua, na sequência, detalhes relacionados ao Plano Safra 2026/2027.

Cortes em Linhas Estratégicas e Déficit de Investimento

A análise detalhada dos números revela cortes preocupantes. O crédito de custeio e comercialização, essencial para garantir o plantio e a manutenção das atividades no campo, sofreu uma redução de 7%. Mais drástico ainda foi o corte no Moderfrota, linha destinada à modernização de máquinas e equipamentos, que encolheu 54%. O programa de construção e ampliação de armazéns, em um país que convive com um déficit crônico de armazenagem, perdeu 28% de seus recursos.

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Além disso, os recursos para equalização de juros caíram 14,7%, passando de R$ 114 bilhões no plano anterior para R$ 97 bilhões neste ano. O seguro rural, fundamental diante de um cenário climático desafiador influenciado pelo El Niño, também sofreu novos cortes, resultando na menor cobertura da última década.

Na ponta do lápis, o Plano Safra deste ano representa uma redução real de 5,73% — algo próximo a R$ 30 bilhões a menos em relação ao período anterior. Se o valor do ano passado tivesse sido apenas corrigido pela inflação, o programa deveria atingir R$ 543 bilhões, mas veio com R$ 525 bilhões.

O Gesto Político e a Tentativa de Divisão no Campo

Chama a atenção também o simbolismo político adotado pelo governo. Ao optar por participar apenas do lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar, deixando de lado a agricultura empresarial, o Presidente da República parece reforçar uma narrativa de divisão entre dois “Brasis rurais” distintos. Na prática, porém, todos fazem parte da mesma cadeia produtiva, dependem uns dos outros e são igualmente responsáveis por colocar comida na mesa e gerar divisas para o país.

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Essa tentativa de separar quem trabalha junto parece cada vez menos eficiente. O modus operandi de “dividir para conquistar” já é conhecido e encontra cada vez menos eco no setor. Enquanto as decisões políticas fora da porteira muitas vezes complicam mais do que ajudam, o produtor segue enfrentando seca, pragas e oscilações de mercado dentro da fazenda. No entanto, se há algo que define o agro brasileiro, é sua resiliência: governos passam e conjunturas mudam, mas quem produz sabe que não pode esperar pelo calendário político.

(*) Olmir Cividini é jornalista em Tangará da Serra.

Ouça o Circuito Rural, na íntegra, clicando abaixo:

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Leilão de áreas públicas busca acelerar expansão do parque industrial de Tangará da Serra

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Empresários e investidores interessados em instalar ou ampliar empreendimentos em Tangará da Serra já podem participar do Leilão Eletrônico de Imóveis nº 001/2026, lançado pela Prefeitura Municipal. O processo contempla áreas públicas localizadas no Jardim Industrial e no Jardim dos Ipês e tem como objetivo estimular novos investimentos, fortalecer o setor produtivo e gerar empregos no município.

O edital foi publicado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e prevê a alienação de terrenos destinados exclusivamente à implantação de atividades empresariais. A iniciativa integra a política municipal de incentivo ao desenvolvimento econômico, buscando ampliar a ocupação planejada das áreas industriais e diversificar a base produtiva local.

Diferentemente de um leilão convencional, o maior lance financeiro não será o único critério para definir os vencedores. Após a etapa de lances, os proponentes deverão apresentar, no prazo de até 30 dias, um Projeto de Viabilidade Econômico-Financeira, que será analisado pela Sedec e pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico (Condec).

Entre os aspectos que serão avaliados estão o potencial de geração de empregos, o faturamento estimado, a utilização de matéria-prima regional, o grau de inovação, a sustentabilidade do empreendimento, a integração com cadeias produtivas locais, o ramo de atividade e a estrutura prevista para implantação da empresa. Dessa forma, o município busca assegurar que os imóveis públicos sejam destinados a projetos capazes de promover desenvolvimento econômico e retorno social.

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Para participar, os interessados deverão realizar cadastro prévio e habilitação na plataforma eletrônica do leiloeiro oficial, apresentando toda a documentação exigida no edital. A sessão pública do leilão está marcada para o dia 6 de agosto, em ambiente virtual.

Segundo a Prefeitura, a iniciativa reforça a estratégia de atrair novos empreendimentos industriais e de serviços, ampliando a oferta de empregos, incentivando investimentos privados e fortalecendo a economia de Tangará da Serra.

Na sequência, íntegra do edital:

EDITAL LEILÃO SEDEC 072026

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