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Boletim da Receita Estadual aponta queda de 21% na arrecadação de ICMS em Mato Grosso

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A arrecadação do ICMS nas duas primeiras semanas de maio aponta uma queda de 6,8% quando comparado a igual período do mês de abril, representando um montante de R$ 40,26 milhões de reais. Essa perda se eleva a 21% quando comparado a igual período do mês de março, antes, portanto, do agravamento da situação econômica em razão da pandemia do coronavírus.

Em termos de valores a perda comparativa média de receita nesse período foi de R$ 147,33 milhões de reais. É o que aponta o sétimo boletim econômico semanal divulgado nesta quarta-feira (20.05), pelo Governo do Estado.

(Veja o boletim na íntegra no pelo link ao final do texto)

“Estamos perto de fechar dois meses de restrições às atividades sociais e econômicas por conta da pandemia e já dá para notar que a tendência é de estabilização do faturamento das empresas. Em média, 20% abaixo do nível obtido nos meses anteriores à Covid-19”, assinalou o secretário Rogério Gallo.

A pesquisa realizada na semana anterior pela Secretaria Adjunta da Receita Pública da Secretaria de Fazenda, em razão do Dia das Mães e da flexibilização em alguns setores do comércio, houve uma pequena reação positiva nas vendas. Na semana de 11 a 15 de maio o boletim econômico aponta que as quedas percentuais de faturamento em cada setor foram as seguintes: agropecuária, com 19%; comércio e serviços 15% e a indústria 1%.

No período de 11 a 15 de maio, a queda média no faturamento diário das empresas em Mato Grosso chegou a 14%, com um faturamento médio de R$ 1.123 bilhão. No período anterior à pandemia, o faturamento médio girava em torno de R$ 1.299 bilhão.

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“Continuamos a acompanhar diariamente o comportamento das atividades econômicas de todos os setores empresariais, monitorando as variações de faturamento por atividade e por município. É importante destacar que apesar de no geral ainda estarmos abaixo da média anterior ao Covid 19, alguns segmentos já estão quase operando na normalidade, como por exemplo, etanol e materiais de construção”, informa o secretário adjunto da Receita Pública, Fábio Pimenta

Comércio e Serviços

Setor de Comércio e Serviços sofre grande impacto com a pandemia.

Os setores de comércio e serviços continuam sendo os segmentos mais impactados pela pandemia da Covid-19. Desde o início da adoção de medidas de combate ao novo coronavírus, com fechamento dos estabelecimentos comerciais, o setor registra semanalmente quedas no seu faturamento diário. Na última semana o declínio de faturamento foi -15%. Apesar do setor Atacadista ter se recuperado nesta semana, o setor de varejo perdeu o impulso proporcionado pela movimentação de compras do Dia das Mães.

O pior resultado desde o início da pandemia foi entre os dias 6 e 10 de abril com uma redução 35% para o conjunto do comércio e serviços. Já nesta última semana o destaque foi o varejo que fechou estável quando comparado a semana de referência, no entanto mantiveram variações negativas: atacado (-21%); combustíveis (-32%); veículos (-9%).

No segmento de bares e restaurantes, a queda também foi acentuada nas duas primeiras semanas pós pandemia. O segmento que vinha se recuperando após 4 semanas voltou a apresentar queda, estando ainda com faturamento – 48% abaixo da média de janeiro e fevereiro de 2020.

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Indústria

A queda média no faturamento da indústria no período pesquisado foi de 1%. A principal retração no faturamento na última semana em relação à média anterior à Covid-19 foi na agroindústria, com queda de 8%. Na semana de 11 a 15 de maio a indústria de bebidas, etanol e frigorifica apresentaram crescimento no faturamento. O faturamento tributável total na indústria na semana chegou a R$ 231 milhões.

Agropecuária

No início da crise decorrente da propagação do novo coronavírus, na semana de 16 a 20 de março, o setor chegou a apresentar um crescimento de 4% no faturamento. Nesta última semana a queda no faturamento tributável da agropecuária chegou a 19%, com faturamento de R$ 379 milhões, bem longe dos R$ 485 mi, que eram faturados no período pré- pandemia, contudo, faz necessário observar que parte substancial da queda de faturamento deve-se a sazonalidade própria da atividade.

Metodologia

O boletim econômico especial vem sendo semanalmente elaborado pela Sefaz, analisando os impactos da Covid-19, desde o dia 16 de março.
O boletim considera informações extraídas dos sistemas informatizados da Sefaz, com base nos dados dos documentos fiscais eletrônicos emitidos diariamente e outras informações fiscais.

As informações levantadas consideraram a média de faturamento diário de janeiro e fevereiro de 2020 em comparação com o faturamento diário registrado de 16 de março a 1º de maio. Os técnicos da Sefaz ressaltam que podem existir distorções por outros eventos sazonais não considerados.

Veja o boletim na íntegra no pelo link abaixo:

http://www5.sefaz.mt.gov.br/documents/6071037/14107871/BOLETIM+7+-+RECEITA+ESTADUAL+COVID++-+11_15_MAI+Final.pdf/ce8431ef-d802-d22d-5077-c2f8778a3cf2

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Bets drenam renda das famílias enquanto agro enfrenta crédito caro e novas pressões

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O agronegócio e a economia brasileira estão no centro de uma discussão que vai além das lavouras e dos mercados. Na edição deste sábado (22) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli aborda o avanço das apostas online, o baixo investimento em pesquisa, os efeitos das recuperações judiciais e a nova mistura de etanol na gasolina. O programa também trata das dificuldades em cadeias de proteínas e frutas e traz entrevistas sobre o ITR e o mercado da soja.

Bets corroem renda das famílias

O primeiro bloco destaca o impacto das chamadas bets sobre o orçamento doméstico. Estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), com base em dados do Banco Central, estima perda líquida de R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras com apostas online em 2025. O cálculo considera a diferença entre os valores enviados às plataformas e os recursos recebidos posteriormente pelos apostadores.

A perda líquida equivaleu a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das famílias, proporção superior à referência de 0,50% do PIB associada ao Bolsa Família. Mais do que entretenimento, o fenômeno representa uma expressiva transferência de renda para um setor que não gera bens nem amplia a capacidade produtiva, em contraste com investimentos capazes de estimular produtividade, emprego e inovação.

A comparação com a pesquisa científica reforça o alerta. Dados analisados pelo Ipea e divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação mostram que o Brasil destinou 1,19% – o equivalente a US$ 27 bilhões – do PIB à pesquisa e desenvolvimento em 2022 e 2023. Alemanha, Japão, Estados Unidos (3,45% do PIB, ou US$ 1 trilhão), Coreia do Sul e Israel superaram 2,5%. A China, que trem se destacado em inovação tecnológica, investiu US$ 546 bilhões. A diferença evidencia o atraso brasileiro em uma área estratégica para agregar valor ao agro, desenvolver tecnologias e ampliar a competitividade.

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Recuperações judiciais ampliam impacto na economia

O programa também retoma o crescimento das recuperações judiciais no agronegócio. Levantamento da Serasa Experian registrou 474 pedidos no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% sobre as 389 solicitações do mesmo período de 2025. Mato Grosso liderou o ranking, com 135 pedidos.

Os efeitos vão além dos produtores e empresas envolvidos nos processos. A dificuldade financeira reduz compras de insumos, adia investimentos, compromete transportadores e fornecedores e torna o crédito mais restritivo. Em regiões dependentes da atividade rural, a crise tende a atingir também comércio, serviços e mercado de trabalho.

Os produtores rurais constituídos como pessoa jurídica somaram 196 pedidos, alta de 73,5% em um ano. Empresas da cadeia do agronegócio registraram 96 solicitações, crescimento de 18,5%, enquanto produtores pessoa física tiveram 182 pedidos, queda de 6,7%. Os números mostram que a pressão alcança diferentes elos da cadeia e pode encarecer o crédito justamente às vésperas do financiamento de uma nova safra.

Gasolina passa a ter 32% de etanol

Outro tema de impacto no campo e no consumo é a adoção temporária da gasolina E32. Desde 1º de agosto, a gasolina comum e a aditivada passaram de 30% para 32% de etanol anidro, conforme a Resolução CNPE nº 9/2026. A medida vale por 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação, enquanto a gasolina premium permanece com 25%.

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Para o setor sucroenergético, a mudança tende a ampliar a demanda pelo biocombustível e reduzir a necessidade de gasolina importada. Para consumidores e transportadores, os efeitos dependem dos preços, do rendimento e das características dos veículos. A alteração é considerada incremental, embora o consumo possa variar conforme o modelo.

No segundo bloco, Arioli comenta os prejuízos da suinocultura, mesmo com o crescimento das exportações; o avanço dos produtos biológicos, dependente de regulamentação adequada; e o contraste entre a queda das exportações brasileiras de milho e os recordes da Argentina. O programa também aborda a crise dos produtores de laranja, pressionados por custos, preços e condições de mercado.

Nos dois blocos finais, Leonardo Oliveira, da Léo Consultoria, orienta sobre os cuidados na declaração do Imposto Territorial Rural (ITR). Na última entrevista, o professor Liones Severo, da SIM Consult, analisa o novo patamar dos preços da soja e o Plano Quinquenal da China, voltado à redução da dependência de importações de alimentos por razões de segurança. As conversas ampliam o debate sobre gestão tributária, planejamento produtivo e os reflexos das decisões chinesas no mercado internacional.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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