TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Meio Ambiente & Preservação

Alerta: Nascentes à montante da ETA Queima Pé têm índice de 82% de degradação

Publicado em

Um dado negativo e preocupante levantado por especialistas tem chamado a atenção na hidrografia de Tangará da Serra. O índice de degradação de nascentes passa dos 80% e explica, em parte (além da estiagem), as causas da escassez hídrica no município.

(*) Veja fotos das degradações ao final do texto

A situação foi exposta na reunião promovida última quinta-feira (07.12) pelo Ministério Público, através da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Tangará da Serra. Na oportunidade, a crise hídrica e suas causas foram o foco das discussões conduzidas pelo promotor de Justiça Thiago Scarpellini Vieira, com as presenças dos poderes Executivo e Legislativo locais, órgãos e entidades, e os diversos segmentos da sociedade organizada do município.

De acordo com dados do projeto Cultivando Água Boa Tangará, uma grande preocupação está à montante da Estação de Captação, Tratamento e Distribuição de Água (ETA Queima Pé) da cidade. Nesta área há 14 nascentes catalogadas e 11 confirmadas (com vazão de água). Destas 11, nove estão degradadas, ou seja, um índice agressivo de 81,8%.

Nível de degradação das nascentes das duas bacias preocupa.

Na bacia do Ararão, numa amostragem de 34 nascentes confirmadas, 31 estão parcialmente degradadas, duas estão com degradação total e apenas uma se apresenta preservada. Ou seja, nesta sub-bacia, o índice de degradação chega a lamentáveis 97%.

Há, ainda, outro conjunto de dados que causa apreensão. O município possui 3,4 mil nascentes em seu território, pertencentes a diversas sub-bacias. Nesse universo, das 91 nascentes confirmadas em visitas a campo, apenas 10 estão conservadas, 74 sofrem degradação parcial e sete estão completamente degradadas. Ou seja, nesta amostragem mais ampla, o nível de degradação chega a 89%.

As degradações são motivadas por dispensa de resíduos sólidos, lançamento de esgoto, aterramento, ocupações irregulares, processos erosivos, desmatamento, pisoteio de gado, barramento, entre outros descalabros.

Ações propostas

Para reverter o quadro que apresenta, foi proposto um conjunto de ações através do Projeto de Recuperação e Revitalização das Bacias dos rios Queima Pé e Ararão, que tem como proponente o IPAC – Instituto de Pantanal Amazônia de Conservação.

Os eixos de atuação incluem programas de Educação Ambiental (ações teóricas e práticas), Conservação de Solo (curvas de nível, barragens de contenção, manejo do solo, plantio direto, implantação do sistema ILPF e barraginhas), readequação de estradas, retroalimentação do lençol freático (instalação de drenos/intensificadores de infiltração da água no solo), conhecimento, P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e monitoramento e, também, comunicação/divulgação do projeto.

Os parceiros do projeto proposto pelo IPAC são: Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-MT), Prefeitura Municipal de Tangará da Serra, Samae, Câmara Municipal de Tangará da Serra, Sindicato Rural de Tangará da Serra, Rotary Club, Empaer, Comitê da Bacia Hidrográfica do rio Sepotuba (CBH Sepotuba), Unemat, Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) e sociedade civil.

Comentários Facebook
Advertisement

Meio Ambiente & Preservação

Força-tarefa realizará trabalhos de correção de erosão subterrânea na aldeia do Formoso

Published

on

O processo erosivo subterrâneo que causou o colapso do solo na área de cabeceira do córrego Bonitinho, na Aldeia Indígena do Formoso, em Tangará da Serra, motivará a mobilização de uma força-tarefa para sua correção, com ações divididas em duas fases.

A estratégia para a correção foi definida na semana passada, após vistoria na área afetada e em acompanhamento com a comunidade indígena local. Os trabalhos, propostos em reunião com os moradores, serão coordenados pelo Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC), com anuência da Associação Haliti/Paresi, entidade representativa do povo indígena da localidade.

Ações para recuperação contam com anuência da comunidade do Formoso, expressa em reunião na última quinta-feira (30).

A reunião, coordenada pelo presidente do IPAC, Décio Eloi Siebert, e pelo representante da Associação Haliti/Paresi, Geovani Kezo, contou com a presença de membros da Brigada de Combate a Incêndios Florestais, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) e do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do rio Sepotuba.

Erosão provocou colapso do solo na Aldeia do Formoso, nas cabeceiras do córrego Bonitinho.

Com base no diagnóstico preliminar realizado, ficaram definidas ações em duas etapas. A primeira (Fase 1) será emergencial, com o objetivo de conter o processo erosivo por meio do plantio de cordões de gramínea “vetiver” e de mudas nativas no entorno da área afetada.

Geovani Kezo, da Associação Halitinã, participa da coordenação dos trabalhos.

Na “Fase 2” será implantado um sistema de drenagem subterrânea (imagem abaixo) para solucionar o problema de “piping”, que causou a erosão e o colapso do solo no local. Esta fase também incluirá a implantação de um sistema de restauração ecológica, com a construção de paliçadas no interior da área erodida para conter as águas pluviais e o plantio de mudas de vetiver, espécies nativas e bambu.

A força-tarefa contará com a equipe do IPAC, membros da comunidade indígena local, SEMA, CBH, além da participação de propriedades rurais vizinhas e apoio de instituições. Os trabalhos serão realizados predominantemente de forma manual, devido à fragilidade do solo na região da Aldeia do Formoso, não contando, portanto, com maquinário pesado.

Para custear as atividades operacionais, insumos, ferramentaria e outros itens necessários, serão captados recursos junto aos setores público e privado. A operação será comunicada ao Ministério Público.

Processo erosivo

O processo erosivo foi identificado após o afundamento (depressão) de uma área na cabeceira do córrego Bonitinho, afluente do rio Formoso, um dos principais da bacia do rio Sepotuba.

A falha no solo foi causada por um fenômeno erosivo conhecido como “piping” (imagem acima), um tipo de erosão interna do solo, causada pelo escoamento subterrâneo concentrado de água, que remove partículas finas do interior do maciço, formando canais tubulares (pipes) sob a superfície. Esse fenômeno ocorre principalmente em solos arenosos (como o da TI Formoso), silto-arenosos ou argilosos estruturados.

O processo erosivo tem causado o carreamento de sedimentos que estão assoreando a gruta que abriga a nascente do córrego Bonitinho (foto abaixo).

Do ponto de vista ambiental, a continuidade desse processo ameaça a estabilidade do solo, acelera a degradação da paisagem e compromete a qualidade da água disponível no entorno. O assoreamento da gruta pode, também, causar alterações irreversíveis no regime hídrico e afetar a biodiversidade associada ao microambiente local.

Sob a perspectiva sociocultural, a gruta possui valor simbólico, histórico e espiritual para o povo indígena, abrigando inscrições rupestres que podem datar de 8.000 anos (foto abaixo), o que a torna um local de importância arqueológica, histórica e científica única na região.

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana