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Eleições 2026

Flávio mostra força da direita, larga na frente e deixa Lula sob pressão no 2º turno

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Resultado contraria maioria das pesquisas no 1º turno, mas confirma cenário de forte polarização entre os dois principais candidatos. Em Tangará da Serra, Flávio fez três vezes mais votos que Lula.

A eleição presidencial de 2026 confirmou a forte polarização do eleitorado brasileiro, mas produziu um resultado diferente do apontado pela maioria das pesquisas divulgadas na reta final da campanha. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente de Lula (PT) e os dois disputarão o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Com 99,63% das urnas apuradas, Flávio somava 47,11% dos votos válidos, contra 45,07% de Lula, uma diferença de pouco mais de dois pontos percentuais.

O resultado contrasta com os principais levantamentos realizados antes da votação. Datafolha, Quaest, CNT/MDA e o agregador de pesquisas do UOL apontavam Lula na liderança, embora vários deles registrassem empate técnico ou diferença reduzida entre os dois. Na véspera, por exemplo, o Datafolha projetava 45% para Lula e 42% para Flávio entre os votos válidos.

As pesquisas, entretanto, acertaram um aspecto central da eleição: a polarização e a proximidade entre Lula e Flávio. A diferença efetivamente registrada nas urnas ficou dentro de uma faixa que os levantamentos já vinham indicando, embora a liderança tenha mudado de lado.

Flávio e Lula protagonizarão em três semanas um embate histórico pela Presidência da República.

O primeiro turno também evidenciou o peso da rejeição ao governo Lula. O presidente chegou à reta final enfrentando índices elevados de rejeição – com economia deixando a desejar e os reflexos da crise no STF, que “respingou” em sua imagem – e não conseguiu transformar a avaliação de seu governo em vantagem eleitoral suficiente para confirmar a liderança apontada pelas pesquisas.

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Votos dos demais candidatos serão decisivos

A votação dos demais concorrentes ganha importância imediata para o segundo turno. Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). Romeu Zema (Novo), Samara (UP), Hertz Dias (PSTU), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Veterinário Wilson Grassi (Democrata) e Rui Costa Pimenta (PCO) completaram a disputa.

Na apuração nacional, Cury ficou próximo de 3% dos votos válidos, enquanto Renan Santos e Caiado alcançaram pouco mais de 2% cada. Zema teve cerca de 0,3%, e os demais candidatos ficaram abaixo de 0,1%.

A tendência natural do segundo turno é de uma concentração ainda maior dos votos. Nesse cenário, parte significativa dos eleitores que optaram por candidatos de centro, centro-direita ou direita no primeiro turno — especialmente Cury, Caiado e Zema — poderá migrar para Flávio Bolsonaro. O movimento, contudo, dependerá das posições assumidas pelos candidatos e de seus partidos nos próximos dias.

Com a margem estreita entre os dois primeiros colocados, o segundo turno tende a ser uma disputa extremamente acirrada. Para o PT, o resultado representa um alerta importante: o partido terá de enfrentar uma candidatura de oposição que chega à segunda etapa na liderança e com condições concretas de disputar a Presidência.

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Flávio amplia vantagem em Mato Grosso

Em Mato Grosso, a fotografia das urnas foi muito diferente da média nacional. Flávio Bolsonaro obteve 65,15% dos votos válidos, contra 29,18% de Lula, uma diferença superior a 35 pontos percentuais. Augusto Cury alcançou 2,01%; Renan Santos, 1,66%; Ronaldo Caiado, 1,66%; e Zema, 0,12%.

O resultado mostra a forte predominância do eleitorado mato-grossense sobre a candidatura de Flávio, repetindo uma característica histórica do Estado nas disputas presidenciais recentes: uma distância expressiva em relação ao candidato do PT.

Em Tangará da Serra, essa diferença foi ainda maior. Com 100% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro recebeu 72,08% dos votos válidos, ou 38.028 votos, enquanto Lula ficou com 22,37%, equivalente a 11.800 votos. Cury teve 1,97%; Renan Santos, 1,84%; e Caiado, 1,43%.

O resultado local representa uma diferença de 49,71 pontos percentuais entre os dois candidatos que avançaram ao segundo turno.

A partir de agora, a eleição muda de configuração. Saem de cena os demais candidatos e começa uma nova disputa, na qual Lula terá de buscar os votos que não conseguiu conquistar no primeiro turno, enquanto Flávio tentará transformar a liderança obtida nas urnas em maioria absoluta no segundo turno.

O que está definido até aqui é o retorno da eleição presidencial ao confronto direto entre PT e bolsonarismo, mas, desta vez, com o candidato de oposição chegando à segunda etapa na frente.

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Eleições 2026

Flávio e Lula trabalharão com propostas no 2º turno, mas PT indica postura de ataque

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A vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição presidencial abriu uma nova etapa da disputa e expôs as dificuldades enfrentadas pela campanha petista. Com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, o senador chega ao segundo turno em vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos, em uma eleição marcada pelo avanço da direita em todo o país.

O resultado provocou tensão no comando da campanha de Lula e críticas internas à condução política e à comunicação do governo. Segundo o Terra, dirigentes petistas avaliam que o desgaste da administração, o sentimento antipetista e o desejo de mudança ajudaram a explicar o desempenho de Flávio, que cresceu na reta final e contrariou as expectativas da campanha governista.

O cenário também ficou mais difícil para Lula nos principais colégios eleitorais. A direita ampliou sua presença no Congresso e conquistou governos estaduais importantes, fortalecendo os palanques que poderão ser utilizados por Flávio no segundo turno. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que concentram cerca de 40% do eleitorado brasileiro, aparecem como áreas estratégicas para a campanha do candidato do PL.

Flávio cresceu na reta final e surpreendeu a campanha governista.

A campanha de Lula deverá tentar recuperar terreno explorando o receio de um retorno da família Bolsonaro ao poder e associando Flávio ao legado político do pai, Jair Bolsonaro. O PT também pretende destacar propostas e medidas capazes de produzir efeitos concretos para a população, entre elas o fim da escala de trabalho 6×1.

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Flávio, por sua vez, parte para a nova fase tentando consolidar a onda de direita que o levou à liderança. O candidato deverá buscar o apoio dos eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema, além de ampliar alianças com lideranças que saíram fortalecidas das eleições estaduais e legislativas.

Projetos diferentes

A disputa entre Lula e Flávio também apresenta diferenças importantes nos programas de governo. Levantamento da BBC News Brasil mostra que o petista defende maior presença do Estado na economia, fortalecimento das políticas sociais e ampliação de direitos trabalhistas. Flávio aposta em uma agenda liberal, com redução do tamanho do Estado, diminuição de impostos, privatizações e corte de gastos.

Na segurança pública, Lula prioriza o combate financeiro ao crime organizado, investimentos em inteligência, fortalecimento das forças federais e ampliação do Sistema Único de Segurança Pública. Flávio defende endurecimento penal, classificação de facções como organizações narcoterroristas, redução da maioridade penal para 16 anos e expansão do sistema de reconhecimento facial.

Efeitos do 1° turno: Derrotas de aliados no Sul, Sudeste e Centro-Oeste e parte do Norte esvaziam palanques de Lula.

No campo trabalhista, Lula defende o fim da escala 6×1, jornada de 40 horas semanais sem redução salarial, valorização real do salário mínimo e regulamentação do trabalho por aplicativos. Flávio propõe maior flexibilidade nas relações de trabalho, redução do custo da contratação e prevalência da negociação entre empregados e empregadores.

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Outro ponto de forte contraste está na relação com o Supremo Tribunal Federal. Flávio defende mandatos para ministros, restrições às decisões monocráticas e novas regras para indicação à Corte, além de defender o impeachment de Alexandre de Moraes. Lula não prevê mudanças institucionais no STF em seu programa, embora tenha declarado apoio à criação de mandatos para ministros.

A política externa também separa os dois candidatos. Lula pretende aprofundar relações com Mercosul e Brics e manter uma política externa voltada à autonomia brasileira. Flávio defende maior aproximação com Estados Unidos, Argentina e Israel, além de uma política mais aberta ao comércio internacional e à OCDE.

Apesar das diferenças, os programas apresentam pontos de convergência em áreas como inteligência artificial, bioeconomia, infraestrutura, saneamento, produção nacional de fertilizantes, irrigação e expansão dos biocombustíveis.

O segundo turno, marcado para 25 de outubro, será, portanto, mais do que uma disputa entre dois candidatos. De um lado, Lula tentará transformar o desgaste do governo e a vantagem inicial de Flávio em uma oportunidade para mobilizar o eleitorado contra o retorno do bolsonarismo. De outro, Flávio buscará consolidar a força demonstrada pela direita nas urnas e transformar a vantagem do primeiro turno em vitória presidencial.

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