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Tráfico de drogas resulta em 29 prisões em Tangará da Serra desde agosto

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As 25 ocorrências registradas pela Polícia Militar no período resultaram em 29 prisões por tráfico na cidade; grandes apreensões realizadas na região ampliam dimensão da atividade criminosa

O tráfico de drogas produziu 25 ocorrências e 29 prisões em Tangará da Serra desde o início de agosto até a primeira quinzena de setembro, segundo dados levantados pelo Enfoque Business junto ao comando do 19º Batalhão da Polícia Militar.

Os números foram repassados à redação pelo comandante do 19º BPM, Tenente-Coronel PM Eduardo Henrique Lana, em atendimento à solicitação de estatísticas feita pela reportagem.

Os registros da Polícia Militar mostram a frequência com que as equipes se deparam com situações relacionadas ao comércio de entorpecentes no município. Os dados ganham dimensão quando observados juntamente com as grandes apreensões e operações realizadas no mesmo período em Tangará da Serra e municípios do entorno.

Em agosto, uma ação da Polícia Judiciária Civil resultou na apreensão de aproximadamente 150 quilos de entorpecentes na estrada entre Nova Olímpia e Tangará da Serra. A carga estava distribuída em 148 tabletes e incluía maconha, pasta à base de cocaína, cocaína e skank. O motorista foi preso após tentar fugir.

Na região do Chapadão dos Parecis, outra ação interceptou aproximadamente 130 quilos de maconha, em operação envolvendo forças de segurança. A carga havia entrado em Mato Grosso pela região de Juína e seguia para a região de Campo Novo do Parecis.

No dia 19 de agosto, a Polícia Civil avançou sobre outro nível da estrutura criminosa, cumprindo medidas em Tangará da Serra, Cuiabá e São José dos Quatro Marcos contra uma organização investigada por tráfico de drogas e organização criminosa. As investigações apontaram mecanismos de comunicação, comercialização, cobranças e movimentação financeira.

Em Barra do Bugres, na mesma sequência de ações, a Força Tática da Polícia Militar prendeu três homens e apreendeu drogas, dinheiro, balanças e outros materiais relacionados ao comércio de entorpecentes.

Os casos mostram que a atividade não se resume às apreensões de grandes carregamentos. Enquanto as polícias Civil e Federal atuam em investigações de maior alcance e interceptação de cargas, a Polícia Militar mantém uma atuação cotidiana nas ruas, com abordagens, patrulhamento e atendimento às ocorrências que resultam em prisões.

Ação cotidiana da PM se soma às grandes operações

Os 29 presos por tráfico em pouco mais de um mês, registrados pelo 19º BPM, representam uma parcela da atuação policial contra o comércio de drogas em Tangará da Serra. A estatística também precisa ser observada em conjunto com as operações realizadas pelas demais forças de segurança, que alcançam municípios conectados à dinâmica regional do tráfico.

O histórico recente ajuda a dimensionar essa movimentação.

Em janeiro, dados levantados pelo Enfoque Business junto à Polícia Militar apontaram 16 prisões por tráfico em Tangará da Serra, enquanto uma operação da Divisão Especializada de Repressão a Narcóticos e do Núcleo de Inteligência da Delegacia Regional resultou na apreensão de 144 quilos de drogas.

Em junho, operações policiais alcançaram estruturas relacionadas ao tráfico, facções e roubos em Tangará da Serra, Barra do Bugres, Campo Novo do Parecis e Sapezal. As ações envolveram diferentes unidades policiais e resultaram em prisões, apreensões de drogas, armas, veículos e outros materiais.

Em julho, a atuação contra organizações criminosas também incluiu a apreensão de armamentos em Barra do Bugres. A investigação apontou conexão do material com outros estados, enquanto operações realizadas na mesma semana alcançaram estruturas criminosas em Campos de Júlio e Brasnorte.

A partir de agosto, entretanto, os registros ganharam novamente escala com grandes carregamentos interceptados na região. As apreensões de aproximadamente 150 quilos em Nova Olímpia e 130 quilos no Chapadão dos Parecis, somadas às ações contra estruturas de distribuição e aos registros cotidianos de tráfico em Tangará, compõem um cenário em que diferentes etapas da atividade criminosa aparecem simultaneamente.

De um lado estão as grandes cargas que utilizam a malha rodoviária regional para transportar entorpecentes. De outro, aparecem os pontos de armazenamento, distribuição e comercialização dentro dos municípios. Entre esses dois extremos está o trabalho de inteligência e investigação, que procura identificar os responsáveis pela organização e pela logística do tráfico.

É nesse contexto que os números fornecidos pelo 19º BPM ganham relevância. As 25 ocorrências e 29 prisões registradas desde agosto representam a dimensão visível da atuação ostensiva da Polícia Militar em Tangará da Serra, enquanto as grandes operações das demais forças de segurança revelam estruturas que ultrapassam os limites do município.

Os dados, naturalmente, não permitem medir todo o mercado ilegal de drogas existente na região. Estatísticas policiais registram as ocorrências identificadas e as ações realizadas pelas forças de segurança, não o universo total de crimes que eventualmente não chegam ao conhecimento das autoridades.

Mas a combinação entre prisões frequentes, apreensões de grandes volumes e operações de inteligência oferece um retrato objetivo da pressão exercida pelo tráfico sobre a segurança pública regional — e, simultaneamente, da dimensão da resposta das forças policiais.

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Tráfico termina em confronto com a PM em Sapezal; suspeito morre na troca de tiros

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A ocorrência registrada na tarde e noite de ontem (quarta, 26), em Sapezal, expõe novamente a dimensão e a violência da movimentação do tráfico de drogas na região oeste de Mato Grosso. Uma abordagem policial terminou em perseguição, fuga para uma área de mata e dois confrontos armados. Um dos suspeitos morreu após atirar contra policiais, segundo o boletim de ocorrência. O segundo continua foragido.

Fuga na estrada

A Polícia Militar recebeu informações de que um Chevrolet Onix preto, que teria fugido de uma abordagem policial em Comodoro no dia anterior, estaria seguindo em direção a Sapezal. As equipes intensificaram o patrulhamento nas rodovias BR-364 e MT-235 e localizaram o veículo nas proximidades da Avenida Lions Internacional. O motorista, porém, não obedeceu à ordem de parada.

O acompanhamento se estendeu por vários quilômetros. Segundo a PM, o condutor dirigia em alta velocidade e desrespeitava os sinais de trânsito. Próximo a uma via adjacente a uma algodoeira, os dois ocupantes abandonaram o automóvel e correram para uma área de mata fechada. Antes da fuga, ainda de acordo com o registro policial, os suspeitos efetuaram disparos contra a equipe, que reagiu.

Cinco quilos de skank

Na busca pelo veículo, os policiais encontraram aproximadamente 5,027 quilos de Skank (super-maconha) distribuídos em cinco barras. Também foram apreendidos dois equipamentos Starlink. O material pode indicar que a dupla era designada por uma organização criminosa para o transporte de entorpecentes. A investigação deverá apontar a origem da droga e seu possível destino.

Novo confronto

Com os suspeitos embrenhados na mata, o comando regional mobilizou equipes de Força Tática para reforçar o cerco. A região passou a ser monitorada durante a noite, enquanto os policiais procuravam localizar os dois homens.

A situação ganhou novo capítulo por volta das 23h30, quando um dos suspeitos foi localizado saindo da área de mata. Segundo o boletim de ocorrência, o homem retirou um revólver da cintura e efetuou disparos contra a equipe policial. Os militares reagiram para conter a agressão. O suspeito foi atingido e recebeu atendimento do Samu, sendo encaminhado para uma UPA, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Com o suspeito, identificado como Brenno Vinicius Nery de Sá, foi apreendido um revólver Rossi calibre .38, além de três munições intactas e uma deflagrada. O registro policial também aponta antecedentes criminais por crimes como furto, ameaça e receptação. A ocorrência foi registrada como resistência, tentativa de homicídio doloso contra os policiais, posse irregular de arma de fogo e morte por intervenção do Estado.

Um continua na mata

O segundo suspeito conseguiu escapar novamente e, até o encerramento do primeiro boletim, permanecia escondido na região de mata. Equipes policiais continuaram as buscas durante a madrugada com o objetivo de localizá-lo. A ocorrência, portanto, não terminou com o confronto: a captura do segundo envolvido passou a ser a prioridade das forças mobilizadas.

Área de fronteira

Sapezal não está na linha de fronteira, mas está inserida no oeste de Mato Grosso, região influenciada pelas rotas criminosas que atravessam o Estado a partir da extensa fronteira entre Brasil e Bolívia. Essa condição geográfica transforma Mato Grosso em área estratégica para o transporte de drogas destinadas a diferentes mercados brasileiros. As rodovias que cortam o Estado acabam funcionando também como corredores para o crime organizado.

A dimensão territorial de Mato Grosso torna o trabalho policial particularmente complexo. São grandes distâncias, áreas rurais extensas e diferentes caminhos utilizados para deslocamento. A apreensão de cargas, portanto, depende não apenas de abordagens aleatórias, mas de informação de inteligência, integração entre unidades policiais e monitoramento das rotas utilizadas pelos criminosos.

Sequência do tráfico

A ocorrência de Sapezal se soma a uma sequência de apreensões realizadas recentemente na região. Foram cerca de 150 quilos de entorpecentes interceptados entre Nova Olímpia e Tangará da Serra e outros 130 quilos apreendidos em uma operação no Chapadão dos Parecis. Em Tangará, uma carga de drogas avaliada em até R$ 1 milhão teria como destino o mercado local.

O cenário que emerge dessas ocorrências é de um tráfico que atua em diferentes escalas. Há grandes carregamentos percorrendo rodovias, estruturas destinadas à distribuição urbana e pontos de comercialização dentro das cidades. E, quando a ação policial interrompe uma dessas etapas, não raro encontra resistência armada, como ocorreu agora em Sapezal.

Violência como resposta

O episódio também chama atenção para outro aspecto do problema: a disposição dos criminosos de reagir à presença policial com violência. Foram dois momentos distintos de confronto na mesma ocorrência. No primeiro, os suspeitos teriam disparado contra a equipe antes de fugir para a mata. No segundo, um deles voltou a atirar quando localizado pela Força Tática.

A ocorrência revela como o tráfico pode combinar logística, mobilidade, armamento e disposição para o confronto em uma região estratégica para a circulação de drogas.

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