Produtores antecipam o cultivo para abrir espaço ao milho safrinha, enquanto pecuaristas aguardam possível retomada das compras chinesas de carne bovina.
Os primeiros produtores de Mato Grosso começaram a plantar a soja da safra 2026/27 nesta semana, após a autorização oficial para o início dos trabalhos. O movimento ainda é pontual e se concentra principalmente nas regiões de Sorriso, Lucas do Rio Verde e municípios próximos, no médio-norte do Estado.
O assunto é tema da edição desta sexta-feira (11.09) da coluna Circuito Rural, do jornalista Olmir Cividini, de Tangará da Serra.
Cividini destaca que, apesar da abertura do calendário, o ritmo do plantio continua condicionado às condições climáticas. Para garantir a germinação, é necessário que o solo tenha umidade suficiente. A irregularidade das chuvas, associada à influência do fenômeno El Niño, exige atenção redobrada dos agricultores. O plantio fora do momento adequado pode provocar replantio, perda de produtividade e aumento dos custos.
Ainda não há levantamento oficial sobre a área plantada nesta primeira semana. A . A percepção, no entanto, é de que os trabalhos ainda estejam em estágio inicial.
Previsão é de que sejam cultivados cerca de 13 milhões de hectares de soja.
Em algumas áreas do eixo da BR-163, a antecipação do plantio está relacionada não apenas à soja, mas também ao planejamento da segunda safra. Produtores tem escolhido cultivares de ciclo mais curto para antecipar a colheita e ampliar a janela de plantio do milho no próximo ano.
A estratégia ganhou força com a expansão da indústria de etanol de milho no Estado. De acordo com projeções do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o consumo do cereal pelas usinas deve crescer aproximadamente 16% na safra que começa agora. Com isso, o milho passa a ocupar espaço cada vez mais importante na definição da rentabilidade das propriedades.
Na pecuária, o cenário ainda é de cautela. As exportações de carne bovina de Mato Grosso caíram quase 12% em agosto, influenciadas pelo encerramento da cota de importação da China. No início de setembro, a suspensão dos embarques para a União Europeia acrescentou uma nova preocupação ao setor.
Apesar disso, o mercado futuro do boi gordo reagiu positivamente nesta semana. A alta foi atribuída à expectativa, ainda não confirmada, de que a China possa antecipar a retomada de uma nova cota de importação. Os rumores foram suficientes para melhorar o humor do mercado.
Outro fator considerado favorável é a ausência de sobretaxa adicional dos Estados Unidos sobre a carne bovina brasileira. Assim, entre os desafios impostos pelo clima e as incertezas do comércio internacional, produtores de grãos e pecuaristas encerram a semana com perspectivas moderadamente mais positivas.
Estado deve semear cerca de 13 milhões de hectares na safra 2026/27, mas produtores enfrentam custos elevados, crédito restrito e maior risco climático
O plantio da soja da safra 2026/27 estará autorizado em Mato Grosso a partir da próxima segunda-feira (7), um dia após o encerramento oficial do vazio sanitário no estado. A nova temporada começa com expectativa de cultivo de aproximadamente 13 milhões de hectares, mas também sob cautela diante da possibilidade de chuvas irregulares, períodos de estiagem e temperaturas acima da média.
O cenário foi destacado pelo jornalista Olmir Cividini, de Tangará da Serra, na edição desta sexta-feira (04.09) da coluna Circuito Rural. Segundo ele, o calendário agrícola abre espaço para uma nova safra de soja, mas não elimina a necessidade de avaliar cuidadosamente as condições de umidade do solo antes da semeadura.
A projeção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta área de 13,05 milhões de hectares para a soja em Mato Grosso, com produtividade estimada em 62,44 sacas por hectare. Caso essas estimativas se confirmem, a produção estadual poderá alcançar 48,88 milhões de toneladas, abaixo do recorde registrado no ciclo anterior.
No âmbito nacional, a Agroconsult estima uma área próxima de 49 milhões de hectares para a soja em 2026/27, praticamente estável em relação à temporada passada. A desaceleração interrompe, ao menos temporariamente, o ritmo de expansão observado em anos anteriores e reflete um ambiente mais pressionado para o produtor, marcado por custos elevados, crédito mais caro e restrito, endividamento e margens menores.
“A conta do produtor ficou mais apertada”, observa Olmir Cividini na coluna Circuito Rural, ao avaliar os fatores que reduziram o ritmo de crescimento da área cultivada.
El Niño amplia a incerteza sobre a safra
Além da situação financeira das propriedades, o comportamento do clima aparece como um dos principais fatores de risco para o novo ciclo. Boletim divulgado em 1º de setembro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em conjunto com instituições como INPE, ANA e Cemaden, indica probabilidade superior a 90% de um El Niño muito forte no trimestre formado por setembro, outubro e novembro.
Combinação de calor e estiagem também pode prolongar o período de transição entre a estação seca e a chuvosa, mantendo o solo mais seco e aumentando o risco de queimadas.
De acordo com o documento, a influência do fenômeno tende a favorecer volumes de chuva acima da média no Sul do país, enquanto partes do Centro-Norte, incluindo Mato Grosso, apresentam maior probabilidade de precipitações abaixo do normal e temperaturas elevadas. A combinação de calor e estiagem também pode prolongar o período de transição entre a estação seca e a chuvosa, mantendo o solo mais seco e aumentando o risco de queimadas.
Na avaliação apresentada por Cividini, as pancadas de chuva registradas nos últimos dias, especialmente no oeste de Mato Grosso, melhoram temporariamente a umidade do solo e reduzem o risco de incêndios. No entanto, não devem ser interpretadas automaticamente como o início consolidado da estação chuvosa.
A meteorologia prevê novas pancadas na primeira quinzena de setembro, mas também alerta para a possibilidade de retorno da seca no restante do mês e nos períodos seguintes. Esse comportamento pode favorecer o chamado veranico, quando uma sequência de dias quentes e secos ocorre logo após o início das chuvas.
Umidade será decisiva
O risco para o agricultor está na possibilidade de a semente germinar após uma chuva isolada e, em seguida, enfrentar falta de água durante os primeiros estágios de desenvolvimento. Nessa fase, a irregularidade das precipitações pode comprometer o estabelecimento das plantas e reduzir o potencial produtivo das lavouras.
O próprio Imea reforçou que mais importante do que o volume acumulado de chuva será a regularidade e a distribuição das precipitações ao longo do ciclo. Em análise publicada às vésperas do início do plantio, o instituto destacou que as condições de umidade do solo deverão orientar o avanço da semeadura e que a intensidade do El Niño já está incorporada às estimativas da nova safra.
Para Olmir Cividini, o principal desafio da temporada é conciliar uma área extensa a ser plantada com um ambiente climático menos previsível. “Não se pode simplesmente olhar para o calendário e dizer: chegou setembro, então é hora de colocar a semente no chão. Não é tão simples”, afirmou o jornalista na edição desta sexta-feira da coluna Circuito Rural.
A recomendação implícita no alerta é que o produtor acompanhe a evolução das chuvas e evite decisões baseadas apenas em uma precipitação pontual. Em uma safra marcada por margens mais estreitas e maior custo financeiro, o momento de plantio e a capacidade de atravessar eventuais períodos de restrição hídrica serão determinantes para o resultado econômico das propriedades.