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ESPECIAL: SEGURANÇA HÍDRICA

Sistema Sepotuba será novo dispositivo de segurança hídrica de Tangará da Serra

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A série “Especial – Segurança Hídrica” mostrou os investimentos para ampliar a capacidade de tratamento e reservação, além dos desafios para reduzir as perdas na distribuição de água em Tangará da Serra. Agora, o foco está no Sistema Sepotuba, nova fonte de captação ainda em fase final de implantação e que, após concluída, deverá diversificar o abastecimento e criar uma margem maior de segurança para a cidade que continua crescendo.

Com capacidade de captação de 450 litros por segundo e investimento estimado em R$ 40 milhões, sistema entra na fase final de implantação e deverá ampliar a segurança do abastecimento

Segurança hídrica é um tema cada vez mais sensível no Brasil e no mundo. Para uma cidade como Tangará da Serra, que vivenciou crises de abastecimento em um passado recente, garantir a regularidade do fornecimento deixou de ser apenas uma questão operacional. Tornou-se uma prioridade.

É nesse contexto que uma das obras mais esperadas do sistema poderá chegar à fase de operação ainda neste ano ou numa segunda hipótese, no primeiro trimestre de 2027: o Sistema Sepotuba, estrutura destinada à captação e adução de água bruta do rio Sepotuba.

Com capacidade para captar 450 litros por segundo, o novo sistema acrescentará uma alternativa de fornecimento ao abastecimento municipal. Em uma situação extrema que comprometa temporariamente a disponibilidade dos mananciais atualmente utilizados, o Sepotuba poderá funcionar como um importante dispositivo de segurança.

Uma obra de aproximadamente R$ 40 milhões

O Sistema Sepotuba recebeu investimentos estimados em R$ 40 milhões desde o início de sua implantação, em meados de 2018. A obra está com aproximadamente 95% de conclusão.

Entre as etapas finais está a implantação da subestação de energia no local da captação. O sistema de alimentação elétrica pela Energisa também está em fase final de liberação.

Concluída essa etapa, o empreendimento deverá entrar em período de testes antes do início efetivo da operação. A expectativa é de que essa fase ocorra ainda neste ano.

450 litros por segundo

A capacidade de captação do novo sistema será de 450 litros por segundo. Para isso, foram instaladas três bombas de 750 kVA: uma destinada à operação e duas mantidas como reserva.

A configuração oferece redundância operacional. Duas bombas poderão permanecer disponíveis para substituição da unidade em funcionamento em situações de manutenção ou eventual falha.

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Esse é um princípio importante da segurança hídrica: não basta possuir capacidade instalada; é preciso ter alternativas capazes de manter o sistema funcionando diante de eventuais falhas.

Uma segunda alternativa de abastecimento

O principal significado do Sepotuba está na diversificação das fontes.

Atualmente, o sistema municipal tem como principal estrutura a ETA Queima-Pé, abastecida pelo rio Queima-Pé e pelos córregos Figueira e Uberabinha, além do reforço proporcionado pela rede de poços artesianos.

Prefeito Vander Masson: Segurança hídrica faz parte do conjunto de medidas visando o Marco Legal do Saneamento Básico.

A entrada do Sepotuba acrescentará uma nova fonte de captação ao sistema. Isso reduz a vulnerabilidade diante de situações em que a disponibilidade dos mananciais atualmente utilizados seja afetada por condições climáticas extremas ou outros eventos que reduzam temporariamente a oferta de água.

Não significa substituir automaticamente a estrutura existente, mas criar uma alternativa complementar para situações de maior pressão sobre o abastecimento.

O prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson, mostra otimismo e se diz convicto da proximidade da entrada em operação do novo sistema. “Num próximo momento, a gente vai contar a história da questão do Sepotuba, e vamos mostrar a água chegando, lá na frente, na represa Sitna, onde já temos um ramal receptor”, prevê, acrescentando que a segurança hídrica integra o conjunto de medidas visando o Marco Legal do Saneamento Básico no município.

Local onde a água do Sepotuba chegará, na represa Sitna, para tratamento na ETA Queima Pé: “Novo patamar de segurança no abastecimento”, segundo o diretor do Samae, Marcos Scolari.

A experiência das crises

A preocupação não é meramente teórica. Tangará da Serra já enfrentou períodos críticos de abastecimento, nos quais a redução da disponibilidade de água obrigou o município a adotar medidas emergenciais para manter o fornecimento à população.

Quando a água deixa de chegar regularmente às residências, o problema ultrapassa o saneamento. Afeta escolas, unidades de saúde, comércio, empresas, construção civil e a rotina da população.

Para uma cidade em expansão, os efeitos podem ser ainda mais amplos. Segurança hídrica passa, portanto, a ser uma condição para a continuidade do desenvolvimento.

Sepotuba e o crescimento da cidade

A entrada em operação do novo sistema ocorrerá justamente quando Tangará da Serra vive uma etapa de ampliação de sua infraestrutura urbana, criando condições para receber novos empreendimentos imobiliários e empresariais.

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“Novos bairros significam novas ligações. Novos empreendimentos significam novos consumidores. Novas empresas podem representar demandas adicionais, dependendo da atividade econômica”, observa o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Silvio José Sommavilla.

Segundo ele, a infraestrutura hídrica precisa crescer antes ou, no mínimo, acompanhar o ritmo da expansão urbana.

Nesse contexto, o Sepotuba integra uma estratégia que vai além da obra de captação: oferecer capacidade adicional justamente quando o município amplia sua demanda por infraestrutura.

Não é apenas uma obra de captação

O Sistema Sepotuba precisa ser compreendido dentro de uma estratégia mais ampla.

A segurança hídrica não será resultado de uma única obra. Dependerá da combinação entre preservação dos mananciais, capacidade de captação, tratamento, reservação, distribuição eficiente e redução das perdas.

Nesse conjunto, o Sepotuba cumpre uma função específica: ampliar e diversificar a capacidade de obtenção de água bruta.

A ETA Queima-Pé está sendo ampliada para aumentar a capacidade de tratamento. Os novos reservatórios elevarão a capacidade de armazenamento de água tratada. E a futura setorização da rede deverá enfrentar o problema das perdas.

São estruturas diferentes, mas complementares.

“Quando estiver em operação, o Sistema Sepotuba colocará Tangará da Serra em um novo patamar de segurança no abastecimento”, afirma o diretor do Samae, Marcos Scolari.

A cidade passará a contar com uma estrutura adicional de captação, capaz de captar até 450 litros por segundo e equipada com redundância operacional.

O resultado mais importante, entretanto, não será percebido apenas pelo volume de água captado, mas pela margem de segurança que o sistema passará a ter.

Para uma cidade que pretende continuar crescendo, essa margem é estratégica. Ela reduz o risco de que um evento extremo transforme o abastecimento em obstáculo ao desenvolvimento e cria melhores condições para que a expansão urbana, imobiliária e empresarial ocorra sobre uma infraestrutura capaz de acompanhá-la.

O Sepotuba, nesse sentido, não é apenas uma obra de saneamento. É uma das estruturas que deverão sustentar o próximo ciclo de crescimento de Tangará da Serra.

 

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ESPECIAL: SEGURANÇA HÍDRICA

Em busca da solução: O maior problema não está na captação, mas na distribuição

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As perdas de água tratada se configuram em um dos gargalos que mais comprometem a regularidade no abastecimento de água na cidade. Amanhã, terça-feira, 01 de setembro, a série “Especial – Segurança Hídrica” fechará com matéria sobre o sistema de adução de água bruta do rio Sepotuba.

O problema não é exclusividade de Tangará da Serra. A perda de água tratada na própria rede de distribuição é uma preocupação presente em cidades de diferentes regiões e representa um dos desafios mais complexos do saneamento básico. Enfrentá-la exige das gestões públicas capacidade para dimensionar o problema, planejamento estratégico, conhecimento técnico e, sobretudo, investimentos elevados.

Em Tangará da Serra, esse desafio ganha dimensão ainda maior diante da necessidade de ampliar a oferta de água para acompanhar o crescimento da cidade. Ao mesmo tempo em que o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) trabalha para aumentar a capacidade de captação, tratamento e reservação, uma parcela significativa da água já tratada não chega ao consumidor.

Atualmente, cerca de 50% do volume total de água tratada pelo sistema é perdido na rede de distribuição. Em termos simples, significa que, a cada 100 litros de água tratados, aproximadamente 50 litros deixam de chegar ao destino final. O valor é significativo, considerando que o Samae tem previstos em seu orçamento R$ 12 milhões para custear operações, manutenção de redes, tratamento de água e serviços de campo. A autarquia também destinou R$ 55,6 milhões em seu orçamento para ampliação e melhoria da rede de água, dentro de um orçamento geral de R$ 117 milhões.

A dimensão do problema ajuda a explicar por que a segurança hídrica não pode ser construída apenas com novas obras de captação ou ampliação das estações de tratamento. “Produzir mais água é necessário, mas utilizar melhor aquela que já foi captada e tratada também é fundamental”, afirma o diretor do Samae, Marcos Scolari.

Onde estão as perdas

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Segundo o Samae, as perdas têm diferentes origens. Entre elas estão as ligações clandestinas, popularmente conhecidas como “gatos”, os vazamentos e o desgaste provocado pela antiguidade de parte da rede de distribuição.

São situações distintas, mas que produzem o mesmo resultado: água que passou por todo o processo de captação e tratamento deixa de cumprir sua finalidade antes de chegar ao consumidor.

No caso dos vazamentos, o problema pode estar associado tanto a rompimentos visíveis quanto a perdas subterrâneas, cuja identificação é mais difícil.

As ligações clandestinas representam não apenas perda de água, mas também um problema de controle do sistema, uma vez que o volume distribuído deixa de corresponder adequadamente ao consumo registrado.

A antiguidade da canalização acrescenta outra camada de complexidade. Uma rede projetada para atender uma cidade menor precisa ser progressivamente adaptada à expansão urbana e às novas condições de operação.

Setorização: conhecer para combater

O planejamento do Samae para enfrentar o problema prevê a implantação de um sistema de setorização da rede de distribuição.

A proposta é dividir o sistema em áreas de controle, considerando tanto as características topográficas de Tangará da Serra quanto a distribuição dos bairros.

A medida permitirá acompanhar com maior precisão quanto de água entra e quanto sai de cada setor. Diferenças anormais entre esses volumes poderão indicar a existência de vazamentos ou outras ocorrências que precisam ser investigadas.

Fórmula adequada para combate às perdas de água na rede de distribuição inclui a setorização por bairros.

É uma mudança importante na forma de administrar a rede. Em vez de observar o sistema de distribuição como uma estrutura única, a setorização permitirá identificar problemas de maneira localizada, criando condições para intervenções mais precisas.

O custo, porém, deverá ser elevado. O Samae ainda não possui uma estimativa definitiva para a implantação de todo o programa, que deverá ser tratado posteriormente no âmbito do contrato de Parceria Público-Privada (PPP) que o município deverá celebrar nos próximos meses.

Mais produção não significa desperdício maior

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A redução das perdas ganha ainda mais importância diante dos investimentos em andamento no sistema.

A ETA Queima-Pé deverá ampliar sua capacidade de tratamento dos atuais 300 litros por segundo para 350 litros por segundo com a recuperação de um filtro existente. Posteriormente, a instalação de uma nova unidade modular acrescentará mais 150 litros por segundo, levando a capacidade instalada para até 500 litros por segundo.

ETA Queima Pé: Ampliação do tratamento de água e combate às perdas são fatores preponderantes para a regularidade no abastecimento.

Ao mesmo tempo, a capacidade de reservação deverá crescer de aproximadamente 2,5 milhões para cerca de 14 milhões de litros de água tratada.

São investimentos necessários para preparar Tangará da Serra para uma demanda maior. Mas, sem o enfrentamento das perdas, parte desse esforço adicional continuará sendo absorvida por uma rede que ainda apresenta baixa eficiência.

Por isso, a redução das perdas deve ser compreendida como uma etapa complementar à ampliação da produção.

A lógica é simples: quanto menor a quantidade de água perdida, maior será a eficiência da estrutura construída para produzi-la, tratá-la e armazená-la.

Um desafio para o próximo ciclo

O combate às perdas deverá ser uma das etapas mais complexas da reestruturação do sistema de abastecimento.

Diferentemente de uma obra pontual, a redução das perdas exige diagnóstico, monitoramento permanente, substituição de trechos da rede, controle de pressão, fiscalização, medição e capacidade de intervenção rápida.

É um trabalho de longo prazo. Para Tangará da Serra, porém, ele se torna ainda mais importante porque ocorre paralelamente à expansão da infraestrutura de abastecimento e da própria cidade.

A segurança hídrica que o município busca construir dependerá, portanto, de dois movimentos simultâneos: aumentar a capacidade de oferta e tornar mais eficiente a utilização da água já disponível.

Produzir mais é parte da solução. Perder menos será a outra.

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