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Eleições 2026

Convenções redesenham forças políticas para a disputa eleitoral em Mato Grosso

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As convenções partidárias realizadas nas últimas semanas consolidaram o cenário político de Mato Grosso para as eleições de outubro e evidenciaram um quadro marcado pela reorganização das principais forças estaduais. A definição das candidaturas confirmou a fragmentação do campo da direita (refletindo o cenário nacional), o reposicionamento dos partidos de centro e centro-esquerda e a entrada de novas legendas na disputa, desenhando um ambiente eleitoral mais competitivo do que o observado em pleitos anteriores.

Direita chega dividida ao pleito

O principal movimento ocorreu no campo da direita. O Partido Liberal (PL), principal legenda do segmento no atual cenário nacional, confirmou ainda em julho o senador Wellington Fagundes como candidato ao Governo de Mato Grosso e o deputado federal José Medeiros para a disputa ao Senado. Na esfera nacional, a sigla acompanhará a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro.

Pivetta deverá ser confirmado como candidato ao governo nesta terça, em convenção do Republicanos.

Fagundes é o nome do PL para a disputa pelo Paiaguás.

No outro bloco, União Brasil e Republicanos caminharam para a formação de uma aliança em torno da candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta. A definição ganhou força após a convenção do União Brasil, que rejeitou, por 30 votos a 19, a candidatura própria do senador Jayme Campos ao Governo do Estado. O resultado expôs divergências internas na legenda e levou Jayme a criticar a condução da convenção, chegando a admitir a possibilidade de reavaliar sua permanência no partido.

A convenção do Republicanos, marcada para esta terça-feira (4), deverá formalizar a candidatura de Pivetta e consolidar a composição do grupo governista, encerrando o ciclo de definições das principais forças de centro-direita no Estado.

Centro e esquerda apostam em alianças

As convenções também confirmaram uma estratégia distinta entre os partidos de centro e centro-esquerda. O PSD assumiu protagonismo ao lançar a médica Natasha Slhessarenko ao Governo do Estado, tendo como candidato a vice-governador Diogo Botelho (PDT).

Natasha Slhessarenko foi confirmada pelo PSD como candidata ao Governo do Estado.

A composição reuniu PSD, Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), PSB, PDT, PSOL e Rede Sustentabilidade, formando uma ampla aliança para enfrentar os dois principais blocos da direita. O senador Carlos Fávaro (PSD) tentará a reeleição ao Senado, enquanto o ex-governador Pedro Taques (PSB) tenta retornar ao cenário político estadual disputando a segunda vaga da Câmara Alta.

Nesse contexto, chamou atenção a decisão do Partido dos Trabalhadores de não apresentar candidatura própria ao Governo de Mato Grosso. A legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por priorizar a composição da aliança liderada pelo PSD, movimento interpretado como reflexo das dificuldades históricas da sigla em disputar o Executivo estadual e da busca por ampliar sua participação por meio de uma frente partidária.

A aliança também apresenta uma característica singular no plano nacional. Embora reúna partidos que apoiam o governo Lula, o PSD mantém seu projeto presidencial em torno do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, evidenciando a coexistência de diferentes estratégias nacionais dentro da mesma composição estadual.

Novos partidos buscam espaço

Outro destaque do processo eleitoral é a estreia do partido Missão em Mato Grosso. A legenda homologou Rafaell Milas de Oliveira como candidato ao Governo do Estado, lançou chapa para deputado federal e decidiu disputar a eleição sem coligações.

Missão homologou Rafaell Milas de Oliveira como candidato ao Governo.

Mesmo ainda com estrutura reduzida, o partido procura utilizar sua primeira participação no Estado para ampliar visibilidade política, fortalecer sua organização regional, buscar algum espaço nas eleições proporcionais e construir espaço para futuras disputas eleitorais. A sigla integra o projeto nacional liderado por Renan Santos e aposta na eleição de 2026 como etapa de consolidação de sua presença no cenário mato-grossense.

Com as convenções praticamente encerradas, Mato Grosso chega ao início da campanha com três movimentos políticos bem definidos: a direita dividida entre dois projetos competitivos; uma ampla coalizão de centro e centro-esquerda buscando ampliar protagonismo por meio de alianças; e novas legendas tentando ocupar espaço em um ambiente eleitoral cada vez mais fragmentado.

A partir da oficialização das candidaturas, a tendência é que o debate político passe gradualmente das articulações partidárias para a apresentação de propostas e para a disputa pelo eleitorado nas diferentes regiões do Estado.

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Eleições 2026

Abstenção persistente e cancelamentos de títulos moldam o cenário eleitoral em Mato Grosso

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Histórico recente mostra índices acima de 20% e levanta debate sobre conscientização, envelhecimento populacional e confiança nas instituições

O crescimento do eleitorado mato-grossense para as Eleições 2026 esconde uma contradição que chama a atenção da Justiça Eleitoral e dos analistas políticos: embora o estado tenha registrado a terceira maior expansão proporcional do país, com alta de 6,84% em relação a 2022, a participação efetiva dos eleitores nas urnas continua marcada por elevados índices de abstenção.

Os números mais recentes ajudam a dimensionar o fenômeno. Em Tangará da Serra, a abstenção atingiu 32,78% nas eleições municipais de 2020, realizadas sob o impacto da pandemia de Covid-19. Dois anos depois, nas eleições gerais, o índice recuou para 27,04%, mas voltou a crescer em 2024, alcançando 30,21%. Na última eleição municipal, 21.007 eleitores deixaram de comparecer às urnas.

O comportamento se repete em outros municípios da região. Em Campo Novo do Parecis, a abstenção foi de 28,48% em 2020, caiu para 25,65% em 2022 e fechou em 23,03% em 2024. Em Mato Grosso, a média estadual nas eleições municipais do ano passado ficou em 24,32%.

Os percentuais revelam um padrão persistente: independentemente do tipo de eleição, entre um quarto e um terço dos eleitores deixa de votar. Em municípios como Tangará da Serra, esse contingente corresponde, em números absolutos, a um eleitorado suficiente para definir a eleição de um deputado estadual.

Em Tangará da Serra, eleições de 2022 e 2024 tiveram, respectivamente, índices de abstenção de 27% e 30%.

Saneamento eleitoral

A elevada abstenção ajuda a explicar, ao menos em parte, a redução do eleitorado tangaraense observada nos últimos anos. Dados divulgados pela Justiça Eleitoral mostram que Mato Grosso acumulou mais de 208 mil títulos cancelados, consequência, principalmente, da ausência injustificada em três eleições consecutivas e da falta de regularização cadastral.

Somente em Tangará da Serra, o eleitorado encolheu quase 5% em relação a 2022, movimento que não necessariamente reflete perda populacional ou desaceleração econômica. Parte da redução pode estar relacionada ao saneamento promovido pela Justiça Eleitoral sobre um contingente de eleitores que permaneceu por anos sem participar do processo eleitoral.

Abstenção persistente

Apesar dos cancelamentos, a abstenção continua elevada, levantando questionamentos sobre as causas do fenômeno. Especialistas apontam fatores diversos, como o distanciamento entre eleitores e representantes políticos, a recorrência de casos de corrupção, a descrença nas instituições e a baixa conscientização sobre a importância do voto.

Outro elemento que merece atenção é a mudança no perfil etário da população brasileira. Entre 2022 e 2026, o contingente de eleitores com 60 anos ou mais cresceu em todo o país. Como o voto deixa de ser obrigatório após os 70 anos, o envelhecimento da população pode influenciar os índices de comparecimento às urnas.

O cenário eleitoral também coincide com profundas transformações econômicas e demográficas. Enquanto as regiões Norte e Centro-Oeste lideraram o crescimento proporcional do eleitorado brasileiro — com altas de 4,37% e 3,97%, respectivamente —, Sudeste e Sul apresentaram expansão mais modesta.

O desempenho acompanha, em parte, a dinâmica econômica recente. Norte e Centro-Oeste concentram áreas de forte expansão da agropecuária e de atividades ligadas ao agronegócio. No Nordeste, o avanço de 2,69% pode estar relacionado ao crescimento agrícola em estados como Bahia, Piauí e Maranhão. Já no Sul, onde o eleitorado cresceu 1,34%, o aumento parece acompanhar mais o crescimento vegetativo da população do que movimentos intensos de atração econômica.

No Sudeste, única região a registrar retração do eleitorado, de 0,56%, especialistas apontam fatores como a estabilização demográfica e a redução proporcional das faixas etárias mais jovens.

Projeção

Com base no comportamento registrado nas três últimas eleições, a expectativa é de que Mato Grosso volte a conviver, em 2026, com índices de abstenção superiores a 20%. Ainda não é possível prever, contudo, de que forma a polarização política nacional influenciará esse quadro.

O ambiente político mais acirrado poderá estimular a participação e reduzir a ausência nas urnas. Por outro lado, o desgaste da relação entre eleitores e representantes pode manter elevados os índices de abstenção, reforçando um desafio que vai além da disputa eleitoral: ampliar a conscientização sobre o papel do voto e fortalecer a participação democrática.

(*) A redação entrou em contato com a Justiça Eleitoral e aguarda manifestação sobre os dados e as questões abordadas nesta reportagem.

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