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35 anos do Código de Defesa do Consumidor: avanços e desafios diante do superendividamento feminino

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Especialista da Faculdade Baiana de Direito, Flávia Marimpietri destaca os efeitos da lei e o perfil feminino do superendividamento

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) completa 35 anos em setembro, consolidando-se como um dos principais instrumentos de cidadania no país. Ao longo das décadas, a lei fortaleceu direitos básicos, como a informação clara e a vedação a cláusulas abusivas, garantindo transparência, segurança e qualidade na hora de escolher produtos ou serviços oferecidos no mercado.

Para a professora Flávia Marimpietri, da Faculdade Baiana de Direito, o CDC representa um marco na proteção dos consumidores. “O Código também é um importante instrumento de defesa da dignidade das pessoas que vivem em uma sociedade capitalista, pois busca proteger o lado mais fraco da relação de poder entre consumidor e fornecedor”, aponta.

O grande salto, segundo a docente, veio com a Lei nº 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento, que instituiu o direito ao crédito responsável e ao mínimo existencial. “Com ela, práticas abusivas na concessão de crédito passaram a ter regramento mais específico, garantindo maior efetividade à proteção do consumidor”, acrescenta Flávia.

Apesar dos avanços legais, o quadro atual revela fragilidades na relação de consumo e da concessão de crédito dos brasileiros. Em julho de 2025, o país atingiu 71,37 milhões de inadimplentes, segundo CNDL/SPC Brasil, o maior nível desde 2015. Em abril de 2024, já eram 68,76 milhões de negativados, representando 41,82% da população adulta.

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O recorte de gênero mostra que as mulheres concentram 51% dos registros de inadimplência no país, segundo dados da Serasa. Em Salvador, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC/Fecomércio-BA) registrou 69,7% das famílias endividadas em julho de 2025, o maior índice desde março de 2023. O cartão de crédito continua sendo o principal vilão na hora de gastar.

Superendividamento feminino

O superendividamento nas mulheres também foi tema de um artigo publicado por Flávia Marimpietri, que é coordenadora do Projeto de Extensão Prevenção ao Superendividamento e Educação Financeira da Faculdade Baiana de Direito. No texto, a especialista aponta que mulheres são mais impactadas por fatores estruturais.

“O machismo estrutural que permeia a desigualdade salarial, a desconfiança no crédito concedido a empreendedoras, o abandono paterno que leva mães solo a assumirem integralmente os custos da família e a violência patrimonial estão na base desse fenômeno”, afirma a professora. Dados recentes em Salvador mostram que mais de 50% dos lares são chefiados por mulheres.

Educação financeira como saída

A Faculdade Baiana de Direito vem atuando nesse cenário em parceria com a Defensoria Pública da Bahia, por meio de um projeto de extensão em Educação Financeira e Prevenção ao Superendividamento. A iniciativa envolve pesquisas, oficinas e ações comunitárias que oferecem suporte às famílias em situação de endividamento.

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Para a professora, além de parcerias que atendem a população mais carente, a inclusão da educação financeira desde a infância, com práticas pedagógicas que ajudem crianças e jovens a desenvolverem intimidade com orçamento doméstico e poupança, é um caminho necessário. Também são importantes a criação de linhas de crédito específicas para mulheres, a expansão de creches e cursos profissionalizantes. “São medidas que garantem autonomia e reduzem a vulnerabilidade feminina no mercado de consumo”, conclui.

Faculdade Baiana de Direito e Gestão

A faculdade nasceu do sonho de professores e juristas baianos em criar uma instituição dedicada exclusivamente ao ensino jurídico. Com rigor pedagógico e matriz curricular inovadora, a Baiana alia tradição e modernidade na formação de profissionais. Reconhecida pela qualidade acadêmica e pela forte inserção prática, oferece estágios, convênios e tecnologia de ponta, com corpo docente formado por mestres e doutores. Destaca-se nacionalmente com conceito máximo (5) no MEC e o Selo OAB Recomenda, reflexo da alta performance dos seus ex-alunos no Exame da Ordem: ao longo de quase duas décadas, mais de 93% dos egressos foram aprovados, consolidando a excelência da formação oferecida. Ética, inovação e compromisso social orientam sua trajetória desde a fundação.

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Iphan realiza vistoria em áreas de interesse arqueológico de comunidades quilombolas

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Uma equipe técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) percorre nesta semana a região de Porto Estrela e Barra do Bugres, no oeste-sudoeste de Mato Grosso, para uma agenda de fiscalização relacionada a sítios arqueológicos existentes na área.

O foco da atividade envolve territórios tradicionalmente ocupados por comunidades quilombolas. Entre os locais de interesse está o sítio arqueológico Laje de Pedras, situado em área tradicionalmente ocupada por comunidades quilombolas da região.

A atividade ocorre no contexto da Portaria nº 79/2026, publicada em agosto no Diário Oficial da União, que autoriza ou renova projetos de pesquisa arqueológica em diferentes estados, entre eles Mato Grosso.

(*) Veja a Portaria 79/2026: PORTARIA 79 2026 – IPHAN

Nos trabalhos de campo, os técnicos verificarão grau de preservação do sítio arqueológico e para coleta de informações e efetivação do registro desse bem no banco de dados da instituto (SICG/IPHAN).

Território quilombola sofre com problemas ambientais, pressão de posseiros e pesca predatória.

A presença da equipe ocorre em uma região que reúne comunidades tradicionais e áreas de interesse histórico e arqueológico que remontam ao período pré-colonial. As comunidades quilombolas também enfrentam outros problemas, entre eles queimadas, dificuldades relacionadas à produção agrícola e questões de saúde. A região registra ainda ocorrências de pesca predatória, como a registrada no rio Jauquara em julho, além de conflitos internos e relatos de pressão de posseiros sobre territórios tradicionalmente ocupados.

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A fiscalização do patrimônio arqueológico integra as atribuições do Iphan, que acompanha pesquisas autorizadas e adota medidas destinadas à proteção dos sítios arqueológicos. A legislação brasileira estabelece proteção específica para esses bens, independentemente de eventual processo de reconhecimento ou tombamento.

A expectativa é que, após o retorno da equipe de campo, o Iphan realize uma reunião por meio virtual com representantes das comunidades para apresentar os resultados da fiscalização e esclarecer dúvidas sobre os procedimentos relacionados às pesquisas arqueológicas e à proteção do patrimônio existente na região.

(*) Abaixo, vídeo de pesca predatória na localidade.

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