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Usina de etanol de Nova Mutum terá planta duplicada e capacidade de processar 1,5 milhão de toneladas de milho por ano

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O agronegócio segue como o grande trator da economia nacional e, a despeito da crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus, mostra novos horizontes para o desenvolvimento de Mato Grosso.

Semana passada, a multinacional Inpasa, especializada na produção de etanol de milho, anunciou a ampliação da planta em Nova Mutum (MT) onde já investiu R$ 550 milhões.

A nova fase de investimentos terá a aplicação de R$ 450 milhões, totalizando R$ 1 bilhão para produção de etanol anidro e hidratado, DDGS, óleo de milho e energia elétrica.

A primeira etapa está prestes a entrar em operação. Segundo a companhia, foram feitos todos os testes e a expectativa é iniciar a produção de etanol de milho a curto prazo, porém não foi fixada uma data. A usina tem capacidade para moer até 2,3 mil toneladas de milho por dia, podendo chegar a 800 mil toneladas por ano.

Com o acréscimo nos investimentos, a capacidade da nova unidade passará de 800 mil toneladas de milho processadas por ano para pelo menos 1,5 milhão de toneladas/ano, o equivalente a uma demanda por 200 mil hectares de milho.

“Continua altíssimo o apetite por investimentos em usinas de etanol de milho em Mato Grosso”, diz o produtor rural, engenheiro agrônomo e consultor Ricardo Arioli, que preside a Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Arioli produz e apresenta o programa Momento Agrícola, repercutido pelo Enfoque Business e, final de semana passado, comentou sobre o anúncio da Inpasa. “Entramos numa nova era do milho em Mato Grosso”, previu.

Empregos

Com a nova etapa serão gerados cerca de 500 empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos. “É com extrema satisfação que apresentamos hoje a conclusão deste grande sonho, que foi a conclusão da primeira fase da instalação da Inpasa aqui em Nova Mutum e também anunciar este novo e amplo projeto de ampliação da indústria no Estado de Mato Grosso”, afirmou o diretor executivo Rafael Ranzolin.

De acordo com ele, dentro de “um período curto” a planta de Nova Mutum irá ter o dobro da capacidade produtiva. “Nossa expectativa é iniciar as operações no final deste ano”, destacou.

A Insapa já possui uma planta de etanol de milho no Estado, em Sinop.

(Com informações de Novacana/Herbert de Souza)

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Empresas têm mais dados e dashboards, mas continuam tomando decisões ruins

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Especialistas alertam que excesso de indicadores, baixa maturidade analítica e falhas humanas continuam comprometendo decisões estratégicas mesmo em empresas altamente digitalizadas

Empresas nunca tiveram tanto acesso a dados, relatórios em tempo real e ferramentas de monitoramento. Ainda assim, erros operacionais, decisões estratégicas equivocadas e falhas de gestão continuam frequentes, inclusive em organizações altamente digitalizadas.

O paradoxo chama a atenção de especialistas: apesar dos investimentos em analytics, automação e transformação digital, muitas empresas ainda não conseguem transformar informação em decisões eficientes.

Estimativas indicam que entre 60% e 73% dos dados gerados sequer são analisados. Ao mesmo tempo, executivos relatam dificuldade para converter indicadores em ações práticas. Para especialistas, o problema está menos na tecnologia e mais na maturidade analítica.

Dificuldades em para converter indicadores em ações práticas: problema está menos na tecnologia e mais na maturidade analítica.

“Ter acesso a dados não significa necessariamente entender o que eles estão dizendo. Muitas empresas criaram uma infraestrutura sofisticada de monitoramento, mas continuam operando sem clareza estratégica”, afirma Guilherme Francescon Cittoli, co-founder e CPO da ST-One.

Na prática, dashboards, relatórios em tempo real e métricas automatizadas podem criar uma falsa sensação de controle, principalmente em ambientes pressionados por produtividade e rapidez.

A era da “névoa de medição”

A digitalização levou empresas a medir praticamente tudo: desempenho, produtividade, vendas, comportamento do consumidor e indicadores operacionais. O problema é que nem toda métrica gera valor para o negócio.

“Muitas organizações acompanham dezenas de indicadores sem definir claramente quais realmente apoiam a tomada de decisão. Existe um risco enorme de confundir volume de informação com inteligência”, diz Giovanni Abate Neto, CTO da empresa.

Especialistas chamam esse fenômeno de “névoa de medição”, quando o excesso de indicadores dificulta a interpretação dos cenários e favorece métricas de vaidade em detrimento de dados ligados à eficiência operacional, sustentabilidade financeira e comportamento do mercado.

Liderança da ST-One: [Esquerda] Giovanni Abate Neto, Guilherme Francescon Cittolin, Rodrigo Cruz R. Gonçalves e Tiago Machado.

Tecnologia exige interpretação

Segundo os especialistas, muitas empresas investem em transformação digital antes de resolver questões de governança de dados, integração de sistemas e cultura analítica.

“Em muitos casos, as empresas passaram a acumular ferramentas sem criar processos claros para interpretar informações e transformar dados em ação”, afirma Guilherme Francescon Cittoli.

Para Giovanni Abate Neto, outro equívoco é acreditar que a automação elimina a necessidade de análise humana. “Automatizar processos não significa automatizar pensamento crítico. Ainda existe uma dependência muito grande da capacidade humana de interpretar contexto, identificar exceções e questionar padrões.”

Excesso de dados pode paralisar

Outro efeito crescente é a chamada “paralisia analítica”, quando o excesso de informação dificulta decisões rápidas. Na tentativa de reduzir riscos, lideranças acumulam relatórios, reuniões e validações, tornando os processos mais lentos.

Pesquisas mostram ainda que muitos executivos recorrem ao “feeling” para decidir, mesmo em ambientes orientados por dados. Segundo Giovanni Abate Neto, isso ocorre porque a tecnologia não elimina vieses cognitivos, que podem até ganhar aparência de precisão quando sustentados por indicadores mal interpretados.

O desafio continua sendo humano

Embora os investimentos em analytics e digitalização continuem crescendo, o principal gargalo permanece humano. Falta de alfabetização de dados, baixa capacidade analítica, excesso de indicadores e pouca integração entre áreas figuram entre os maiores desafios.

Para os especialistas, as empresas que transformarão dados em vantagem competitiva serão aquelas capazes de equilibrar tecnologia, contexto e pensamento crítico.

“O grande diferencial não está apenas em ter mais dados, mas em conseguir transformar informação em decisões mais consistentes, rápidas e sustentáveis”, conclui Guilherme Francescon Cittoli.

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