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Momento Agrícola

Subsídio ao diesel, atraso do B-16 e desafios financeiros são os destaques da semana

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Programa de Ricardo Arioli também aborda mercado de farelo de soja, etanol na navegação, investimentos em armazenagem, cooperativismo e endividamento rural

O subsídio ao diesel, a demora na elevação da mistura de biodiesel e os desafios financeiros do setor produtivo estão entre os destaques da edição deste sábado (10) do Momento Agrícola, apresentado por Ricardo Arioli. O programa também aborda oportunidades para o etanol no transporte marítimo, investimentos em armazenagem e o papel do cooperativismo no desenvolvimento regional.

Veiculado pela Rede de Rádios do Agro e repercutido pelo Enfoque Business, o programa ouviu Frederico Azevedo, superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras em Mato Grosso (OCB-MT); Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea); e Nilson Leitão, consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Subsídio ao diesel e impasse do biodiesel

Arioli comentou a prorrogação, por mais 30 dias, do subsídio de R$ 2,12 por litro de diesel, com término previsto para 26 de outubro, um dia após o segundo turno das eleições. Segundo ele, o benefício ameniza os custos do produtor durante o plantio da safra de verão, mas não elimina a diferença entre a paridade do diesel importado e os preços internos.

Outro questionamento foi a demora na adoção do B16. A mistura obrigatória permanece em 15%, embora a elevação para 16% estivesse prevista desde março. Lideranças do setor defendem avanço até o B17, medida que reduziria a dependência de diesel importado e ampliaria o processamento nacional de soja.

Segundo os cálculos apresentados por Arioli, a adoção do B17 exigiria cerca de 1,4 bilhão de litros adicionais de biodiesel por ano e o esmagamento de mais 4,6 milhões de toneladas de soja. O Brasil, avaliou, dispõe de matéria-prima, capacidade industrial e mercado para absorver o aumento.

Brasil se aproxima da Argentina no farelo de soja

A expansão do biodiesel também influencia a disputa pelo mercado internacional de farelo de soja. A Argentina continua na liderança das exportações, mas a diferença em relação ao Brasil teria recuado de 86% em 2021 para 8% em 2026.

O Brasil consome internamente cerca de 21,4 milhões de toneladas de farelo, destinadas principalmente à produção de carnes, ovos e leite, enquanto a Argentina utiliza aproximadamente 2 milhões de toneladas. O aumento do processamento de soja para biocombustíveis tende a ampliar a oferta brasileira de óleo e farelo. O B18, previsto para 2028 pela Lei do Combustível do Futuro, poderá reduzir ainda mais a distância entre os países.

Etanol pode avançar na navegação

O transporte marítimo surge como novo mercado potencial para o etanol. Empresas como Vale e Maersk já testam o biocombustível em embarcações para reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Arioli estimou que uma participação de 10% do etanol no combustível utilizado pela navegação mundial poderia gerar demanda de aproximadamente 30 bilhões de litros. A concretização desse mercado, porém, dependerá de investimentos em produção, logística e infraestrutura portuária.

Sukup avalia instalação em Mato Grosso

A norte-americana Sukup, fabricante de equipamentos para secagem, armazenagem e movimentação de grãos, avalia instalar uma indústria em Lucas do Rio Verde. Os valores do investimento e eventuais incentivos públicos ainda não foram divulgados.

Mato Grosso possui capacidade estática de armazenagem estimada em 64,2 milhões de toneladas, pouco mais da metade de sua produção de grãos. O déficit evidencia espaço para novos investimentos no segmento.

Cooperativismo movimenta a economia regional

Na entrevista, Frederico Azevedo apresentou dados de estudo contratado pela OCB-MT que apontam redução média de 10% no número de inscritos no Cadastro Único e queda próxima de 40% nos repasses do Bolsa Família em municípios com maior presença de cooperativas.

Segundo Azevedo, o cooperativismo gera efeitos econômicos e sociais em áreas como agropecuária, crédito, saúde e transporte. No campo, favorece ganhos de escala na compra de insumos, comercialização, armazenagem e industrialização. Cooperativas mato-grossenses teriam reduzido em cerca de 18% o custo médio de produção dos associados, enquanto a movimentação do setor no Estado avançou de aproximadamente R$ 47 bilhões para R$ 56 bilhões.

Ele também defendeu a diversificação para a industrialização de grãos, o biodiesel, o etanol e a biomassa, além da profissionalização da gestão e do planejamento financeiro para ampliar o acesso ao crédito privado.

Plantio avança, mas endividamento preocupa

Cleiton Gauer avaliou que o plantio da soja começou de forma irregular e mais lenta em Mato Grosso, mas ganhou ritmo com a regularização das chuvas. A manutenção do calendário é importante para preservar a janela de plantio do milho e do algodão de segunda safra.

A expectativa inicial de produtividade é de 62 sacas por hectare, abaixo das 65 a 66 sacas registradas em anos recentes. A distribuição das chuvas entre outubro e dezembro será decisiva para o resultado.

Segundo os dados apresentados pelo superintendente do Imea, a inadimplência rural atingiu 5,85% do crédito total no Estado. Considerando também contratos renegociados e prorrogados, o comprometimento chega a 21% do crédito, equivalente a cerca de R$ 22,5 bilhões.

Gauer alertou que a pressão financeira pode reduzir o uso de tecnologia e comprometer a continuidade das propriedades. Por isso, recomendou atenção à comercialização e ao fluxo de caixa.

Congresso terá desafios para o agro

Encerrando a edição, Nilson Leitão analisou a formação do próximo Congresso e o fortalecimento da bancada ligada à FPA. Entre as prioridades para 2027, citou segurança jurídica nas questões indígenas e fundiárias, regularização de áreas, políticas para a Amazônia Legal e uma agenda ambiental permanente.

Leitão também defendeu mudanças no seguro rural, no crédito agrícola e no tratamento do endividamento dos produtores. Para ele, o Plano Safra deveria adotar planejamento de dois ou três anos, em vez de depender exclusivamente de ciclos anuais, ampliando a previsibilidade para o financiamento e a gestão das propriedades.

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Momento Agrícola

Carne dos EUA abre espaço ao Brasil, China mantém trégua e agro reforça seu peso

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Menor confinamento americano favorece exportações brasileiras; visita de Xi Jinping produz poucos efeitos imediatos, enquanto produção e comércio exterior confirmam a força do agronegócio.

A pecuária dos Estados Unidos atravessa uma mudança estrutural que amplia o espaço da carne brasileira no mercado internacional. A redução do rebanho e da produção levou os americanos, antes líderes em produção e exportação, à condição de grandes importadores. Nas últimas semanas, os Estados Unidos ultrapassaram a China e se tornaram o principal destino da carne bovina brasileira.

O movimento ganhou força depois que o Brasil atingiu a cota chinesa de 1,106 milhão de toneladas. Com isso, os embarques para a China recuaram mais de 80% e devem permanecer limitados até a renovação da cota, prevista para o fim do ano. A Abiec avalia que a nova cota poderá ser esgotada já em abril de 2027.

Os dados mais recentes reforçam a tendência. Em agosto, os Estados Unidos registraram o menor número de animais colocados em confinamento para o mês desde 1996: 1,617 milhão de cabeças, queda de 9% sobre agosto de 2025. O país mantém cerca de 11 milhões de bovinos nos feedlots, responsáveis por até 95% do abate americano.

Janela para a carne brasileira

A menor oferta americana pode sustentar as cotações e abrir espaço para novos embarques brasileiros. A expectativa se soma à possível reabertura da cota chinesa e à ampliação, pelos Estados Unidos, de uma cota de 300 mil toneladas sem tarifa adicional. Com o consumo mais aquecido no fim do ano, o Cepea não descarta a arroba a R$ 400 nos próximos meses.

Mercado da carne bovina segue aquecido nos principais mercados consumidores.

Mato Grosso acompanha o movimento. A produção estadual chegou a 987 mil toneladas no primeiro semestre, quase 9% acima de 2025. Bovinos de até 24 meses representaram 45% dos abates, novo recorde. O estado responde por pouco mais de 18% da produção nacional, e o Imea projeta aumento de 43% no confinamento em 2026, para até 1,33 milhão de cabeças. A oferta de milho e de DDG, coproduto do etanol de milho usado nas rações, ajuda a explicar o avanço.

China preserva o conhecido

A visita do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos teve impacto limitado sobre o agronegócio brasileiro. Os dois países decidiram manter a trégua tarifária, e a China sinalizou compras de até 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. O volume, porém, corresponde aproximadamente ao que já era adquirido antes da guerra comercial e não representa abertura significativa de demanda.

Para o Brasil, a disputa reforça a necessidade de competitividade, expansão dos biocombustíveis e diversificação de mercados para soja, milho e carnes.

Agro sustenta resultado externo

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária chegou a R$ 1,403 trilhão em agosto. As lavouras responderam por R$ 894 bilhões, ou 64%, e a pecuária por R$ 509 bilhões, equivalentes a 36%. Soja, milho, cana-de-açúcar e café lideraram entre os cultivos; bovinos e frango foram os destaques da produção animal. O Centro-Oeste liderou, com Mato Grosso respondendo por 16% do total.

Na balança comercial, o saldo brasileiro foi positivo em US$ 7,39 bilhões, alta de 24% sobre agosto de 2025. O agronegócio gerou saldo de US$ 13,5 bilhões, compensando o déficit dos demais setores, pressionados pelas importações de diesel e gasolina. As exportações de bovinos vivos cresceram 183%, maior resultado da série, e as de carne de frango avançaram 39%.

O programa também aborda a transformação econômica do Paraguai e os cuidados para o plantio da soja.

As informações são apresentadas na edição deste sábado do Momento Agrícola pelo engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli, de Tangará da Serra.

Ouça o programa na íntegra:

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