TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Porto Estrela

Serviços prestados com maquinário público estariam sendo pagos em conta de vereador

Publicado em

A constatação de mau uso de maquinário público, uma associação em situação irregular e pagamentos de serviços em conta particular deverão resultar em denúncia no município de Porto Estrela, localizado junto à MT-343, a 120 quilômetros de Tangará da Serra.

Segundo informado por populares à redação do EB, os pagamentos por serviços prestados pela Associação dos Produtores Rurais da localidade de Salobra 2 com equipamentos de uma patrulha agrícola estariam caindo na conta bancária de um vereador do município, Darci da Costa Silva (PSB). Além disso, os moradores da localidade apontam que os equipamentos – um trator Massey Ferguson 4307, uma grade aradora, uma ensiladeira e um tombador – teriam apenas dois anos de uso, mas já se encontram em péssimo estado de conservação.

Vereador Darci da Costa Silva (PSB) é quem coordena os trabalhos na associação do Salobra 2, em Porto Estrela.

Os equipamentos (patrulha agrícola) foram custeados pelo Governo do Estado e entregues à prefeitura de Porto Estrela. O município, por sua vez, repassou o maquinário e os implementos  à associação em regime de comodato para atendimentos a serviços demandados em propriedades rurais da localidade Salobra 2.

A associação não possui, no momento, uma diretoria e está em situação irregular, sem um presidente legalmente constituído. Por isso, o vereador Darci da Costa Silva comanda a entidade. O maquinário cedido à associação também opera sob coordenação do vereador e de um servidor de nome Josimar, popularmente conhecido como “Polaco”. Segundo os denunciantes, o trator Massey Ferguson é guardado numa propriedade do servidor.

Quanto aos pagamentos pelos serviços, os denunciantes atestam que o dinheiro é depositado na conta do vereador Darci, em valores que variam, segundo as informações, entre R$ 17 mil e R$ 35 mil. Em função dessa manobra, a associação estaria sem caixa para custear as devidas manutenções nos maquinários e equipamentos.

Com apenas dois anos de uso, trator Massey Ferguson se apresenta em péssimo estado de conservação.

Em contato com a redação, em ligação via WhatsApp no início da manhã desta sexta-feira (06.09), o vereador Darci da Costa Silva confirmou a situação de irregularidade da associação do Salobra 2 e disse que há providências no sentido de reabilitá-la. “Estamos trabalhando pra ver de reorganiza, até tentamos trazer uma emenda (convênio com recursos estaduais/federais) para instalar uma rede de água aqui na localidade, mas nesse momento ela (a associação) está irregular”, disse.

Quanto à situação de sucateamento do maquinário, Darci explica que o trator segue trabalhando e que uma manutenção deverá ser realizada. “Estamos vendo, aqui, uma manutenção, mas tem que ver certinho, conversar direito sobre o que tem que fazer…”, resumiu.

Sobre o destino dos valores pagos pelos trabalhos realizados com o maquinário em nome da associação, Darci não confirmou nem negou os depósitos em sua conta. Disse apenas que daria um retorno à redação após “alinhar” com a prefeitura. “Estou na correria desde ontem… preciso sair agora… mas eu vou fazer o seguinte, vou conversar com o pessoal da prefeitura e daí vamos alinhar e conversar com o senhor, beleza?”, encerrou.

A redação aguarda o retorno prometido pelo vereador. Darci, vale lembrar, é candidato à reeleição pelo PSB.

Comentários Facebook
Advertisement

Porto Estrela

Instituto Afro e MPF buscam solução para conflito em território quilombola na região

Published

on

O conflito fundiário que envolve as comunidades quilombolas Vãozinho, Voltinha e Monjolinho, em Porto Estrela, está sob novo encaminhamento. Desde 2005, a disputa por terras mobiliza famílias tradicionais, órgãos públicos e representantes da sociedade civil. Agora, sob a mediação do Ministério Público Federal (MPF) e com apoio do Instituto Afro Brasileiro, surgem sinais de entendimento.

Denúncia em 2024 relatou invasões e violência em território quilombola.

Em 02 de julho, na sede do MPF em Cuiabá, representantes das comunidades participaram da primeira audiência específica para tratar do caso. O encontro resultou em um pré-diagnóstico de que apenas famílias com ramificação direta do quilombo Vãozinho poderão permanecer na área, medida que visa coibir ocupações ilegais.

Pouco mais de um mês depois, no último dia 12, uma segunda audiência consolidou o processo com a confirmação da elaboração do Laudo Antropológico e do Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID). Os estudos, realizados por equipe especializada, buscam estabelecer de forma técnica os limites territoriais e o vínculo histórico-cultural das comunidades. Uma terceira audiência já tem data prevista: 26 de setembro.

Representantes do Instituto Afro e do território quilombola na sede do MPF em Mato Grosso: Busca de solução para conflito.

Paralelamente, em julho, antropólogos estiveram nas áreas de Vãozinho, Voltinha e Monjolinho para coleta de informações de campo. A visita reforçou a necessidade de medidas urgentes de proteção, diante de relatos recentes de invasões, extração ilegal de madeira e ameaças a moradores. Além disso, desde 8 de agosto está aberta discussão sobre os possíveis impactos da implantação de um linhão de energia que atravessa a região.

Linha do tempo do conflito (2005–2025)

2007–2009 – Denúncias de despejos forçados, destruição de casas e ameaças por homens armados; em 2009, o MPF solicitou proteção policial às famílias.

2010–2018 – Vãozinho e Voltinha recebem certificação da Fundação Palmares; processos de regularização abertos no Incra, sem titulação definitiva. Estudos acadêmicos reforçam a presença quilombola no rio Jauquara/Salobra.

2019–2023 – Processos judiciais questionam licenciamento de obras que afetariam territórios quilombolas; decisões judiciais asseguram posse, mas não avançam na titulação.

2024 – Novas denúncias de invasão de reservas e exploração ilegal de madeira; reportagens nacionais destacam fragilidade de proteção e demora processual.

2025 – Situação atual: Vãozinho e Voltinha seguem certificados, mas não titulados. Monjolinho/Água Doce permanece em litígio, reconhecido como quilombola, mas sem regularização concluída.

#causa quilombola

Veja, na sequência, tabela sobre a situação dos territórios quilombolas em Porto Estrela.

Veja matéria relacionada no link a seguir:

Porto Estrela: Moradores denunciam invasão de área de reserva em comunidade quilombola

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana