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Agronegócio & Produção

Previsões de safras, Agricultura 4.0, a ‘onda’ dos biológicos e logística de transporte são os destaques do Momento Agrícola

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As previsões das safras brasileiras e os números da produção nacional de grãos estão entre os primeiros temas abordados pelo Momento Agrícola na edição desta semana. O programa, apresentado pelo produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli Silva, é veiculado pela rede de rádios do Agro e divulgado aos finais de semana pelo Enfoque Business (link do programa ao final do texto).

Arioli destaca que é preciso melhorar a confiabilidade e a metodologia das informações contidas nas previsões de safra no Brasil. Estas informações, que constam nos relatórios periódicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), são muito contestadas pela classe produtora local.

Classe produtora quer maior confiabilidade e aperfeiçoamento da metodologia das informações contidas nas previsões de safra no Brasil.

Enquanto isso, o país se reporta aos relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA – United States Department of Agriculture) como base para a tomada de decisões. O USDA, vale lembrar, mantém parcerias com universidades, associações de produtores e sindicatos para elaborar suas previsões de safras e projetar o mercado de commodities.

Segundo Ricardo Arioli, a Conab e a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projetam uma parceria que, por meio de um levantamento de dados em comum, visa melhorar a confiabilidade das previsões de safras.

Leia mais:  Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

Agricultura 4.0

A tecnologia está cada vez mais presente no Agro. Dados de sensores, de máquinas agrícolas com grande aparato tecnológico, de imagens de satélite e de estações meteorológicas já orientam boa parte dos produtores no aumento da produtividade e na redução de custos, oferecendo condições para a tomada de decisões mais assertivas.

Ricardo Arioli aborda esse tema e conversa com o diretor técnico da Fundação MT, Leandro Zancanaro. A abordagem está no quarto bloco do programa.

Logística

Outro assunto relevante abordado no Momento Agrícola é a logística de transportes da produção, com destaque para o transporte ferroviário e as obras de ferrovias. A ampliação do contrato de concessão da Rumo Logística com a Malha Paulista, as obras da Ferrovia Norte-Sul, as projeções de novos braços ferroviários – como a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) e a Ferrogrão – foram temas de entrevista com o diretor executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Pereira.

Crescimento dos biológicos

O mercado amplamente favorável para as ferramentas de controle biológico de pragas – bioinseticidas, bionematicidas, biofungicidas promotores de crescimento e inoculantes – no conceito inovador da multiplicação de fungos e bactérias ‘on farm’ também é uma interessante abordagem do Momento Agrícola.

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Sobre esse tema, Arioli conversa com a pesquisadora da Rose Monnerat, da Embrapa, com foco no Programa Nacional de Bioinsumos. O diálogo é esclarecedor sobre a tendência e crescimento deste novo mercado, a partir do qual o produtor pode chegar a uma redução de até 50% nos custos com produtos de controle de pragas e doenças em lavouras comerciais.

Os bioinsumos também já trazem grandes resultados nos sistemas orgânicos de produção, onde o controle biológico alcança 100% de participação, enquadrando-se perfeitamente no ambiente das pequenas, médias e grandes propriedades.

Mobilização ‘artística’

Outro assunto abordado por Ricardo Arioli no programa desta semana é a campanha de arrecadação de fundos para a defesa da Amazônia “Protecting the Protectors”, uma live global que reuniu grandes artistas como Jane Fonda, Wagner Moura e Morgan Freeman, além de líderes indígenas, cientistas e ativistas do meio ambiente para chamar a atenção mundial sobre o que entendem ser o “desmonte de políticas ambientais” na Amazônia e a “perseguição contra povos indígenas” na América Latina.

De suas mansões e apartamentos e luxuosos, protegidos do corona vírus, da dengue e da malária, os artistas lançaram a campanha cujos fundos certamente irão para administração de organizações não-governamentais (ONG’s), que, por sinal, até hoje não comprovaram eficiência em suas ações na Amazônia.

Clique no link abaixo para ouvir na íntegra o Momento Agrícola:

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Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

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O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

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A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

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Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

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