O Agro brasileiro exportou US$ 96,8 bilhões em 2019, respondendo por 43,2% das exportações totais do país no ano passado. Estes números representam 1% a mais que as exportações de 2018, segundo informa o Momento Agrícola deste final de semana.
O programa produzido e apresentado pelo agrônomo, consultor e produtor rural tangaraense Ricardo Arioli cita o milho, a carne e o algodão como destaques nos negócios internacionais do Agro.
Milho
O milho respondeu por 43 milhões de toneladas exportadas em 2019, o que situa o Brasil como maior exportador mundial do grão. O recorde anterior de exportações de milho pelo Brasil foi em 2017, quando 29 milhões de toneladas foram destinadas ao mercado externo.
Vale lembrar que, se por um lado esse recorde contribuiu fortemente para a balança comercial brasileira, por outro quase representou desabastecimento no mercado interno. O preço do milho disparou e já há indícios da falta do produto no mercado interno neste primeiro semestre.
O milho, por ser base da alimentação na pecuária, fará os preços da carne – em especial a suína e a de frango – subirem para o consumidor. Por sinal, os custos de produção de suínos e frangos já estão mais altos, em respectivos percentuais de 8,4% e 6%.
Carne e Algodão
Carne brasileira somou um volume de 3,4 milhões de toneladas exportadas em 2019.
O Momento Agrícola destaca que a carne, por sua vez, somou um volume de 3,4 milhões de toneladas exportadas. Deste total, 45% foram destinados à China e Hong Kong. O motivo? A peste suína africana enfrentada pelos países asiáticos, que praticamente dizimou os seus rebanhos suínos.
Já o algodão somou um montante exportado de US$ 2,6 bilhões em 2019. O valor é 56% maior que em 2018.
Outros destaques
Ricardo Arioli traz ainda, no mesmo programa, informações sobre a situação das lavouras de soja e milho do Rio Grande do Sul, as condições atuais das lavouras do Paraguai e detalhes sobre o acordo China x EUA.
Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique abaixo.
O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.
Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.
Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão
Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.
A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.
Fertilizantes: dependência que preocupa
Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.
A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.
Soberania vs. custo imediato
O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.
Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.
(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo: