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Agronegócio & Produção

Momento Agrícola: Peste suína na Europa, apreensão com o milho e investimentos em etanol são os destaques

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O programa Momento Agrícola, veiculado pela rede de rádios do Agro e produzido e apresentado pelo agrônomo e consultor Ricardo Arioli, traz neste final de semana mais informações relevantes no cenário internacional do Agronegócio.

Um dos assuntos mais urgentes é a ocorrência da peste suína africana na Europa, com a detecção confirmada de pelo menos 55 focos da doença na Polônia, com um dos focos registrados a 12 quilômetros da fronteira com a Alemanha.

Esta situação nebulosa traz apreensão quanto à segurança alimentar em toda a Europa, já que a Alemanha é o maior produtor e fornecedor de carne suína do velho continente. Os alemães também exportam para países asiáticos, entre elas a China.

Ou seja, se a doença entrar na Alemanha, o impacto será enorme na comunidade europeia, além de provocar a suspensão das importações da carne suína pelos asiáticos. Por isso, o governo da Alemanha abriu conversações com a Polônia propondo a criação uma zona neutra entre os dois países, numa tentativa de conter o avanço da peste suína africana.

Não é difícil imaginar o que pode acontecer se o rebanho suíno europeu sofrer um surto de peste suína. Quando a doença se instalou no rebanho chinês, o desabastecimento de carne num mercado consumidor de 1,4 bilhão de habitantes impactou fortemente o mercado internacional, provocando a disparada dos preços da carne. A Europa é um mercado consumidor de 740 milhões de pessoas. As duas principais perguntas que ficam no ar: Qual será a magnitude dessa nova crise no mercado internacional da carne? Quais os impactos para o Brasil, que se insere por inteiro no contexto do mercado internacional da carne?

Milho X estiagem

Ricardo Arioli também fala sobre a situação do milho no Brasil. A falta de chuvas decorrente do desequilíbrio climático vivenciado pelo país deixa o agronegócio em alerta. As lavouras de milho do Rio Grande do Sul já dão indícios de quebra significativa e a segunda safra em Mato Grosso está sob ameaça.

Esta situação, combinada com o aumento das exportações e a destinação de parte da produção para usinas de etanol já impulsiona o preço do milho no mercado. Em Mato Grosso, a saca é comercializada entre R$ 38 e R$ 42, mas em Santa Catarina – estado de grande produção de carne suína e de aves – a saca chega a R$ 52. Como o milho é ingrediente básico da ração usada na criação destes animais, não é difícil imaginar o peso que esta conjuntura representará no bolso do consumidor.

Etanol

Ainda sobre o milho, há notícias positivas para a região, mas na área industrial. A Cooprodia, que está concluindo a sua nova usina de etanol de milho – a Etamil – recebeu semana passada visita de investidores norte-americanos. Na visita, segundo informações extraoficiais, a cooperativa teria anunciado que a Etamil deverá iniciar suas operações no próximo mês de junho.

Outra informação é a que a Henan Tinguan Group, um dos maiores grupos de biodiesel da China, tem feito estudos para produzir etanol de milho no Brasil. Emissários da empresa já buscam áreas para a instalação de uma usina no Mato Grosso ou no Mato Grosso do Sul.

(*) Ouça o Momento agrícola na íntegra clicando abaixo:

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Agronegócio & Produção

Produção agrícola mecanizada em terras indígenas pode impulsionar o agro no Chapadão

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O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, anunciou na semana passada que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou comunidades indígenas a desenvolver agricultura mecanizada e monocultura em seus territórios.

Em Mato Grosso, a decisão abre novas perspectivas para as etnias Paresi, Nambiquara e Manoki, da região de Campo Novo do Parecis, Sapezal e Tangará da Serra. A partir da autorização, as comunidades poderão cultivar soja e milho sem risco de multas ou embargos ambientais.

As lideranças indígenas comemoraram a medida. Entre elas está Arnaldo Zunizakae, presidente da Coopihanama, cooperativa que administra a produção agrícola das aldeias. Ele destacou que a decisão garante melhorias na qualidade de vida e contribui para a permanência dos povos em seus territórios.

Fávaro também ressaltou que, além da autorização do Ibama, os agricultores indígenas poderão acessar linhas de crédito do Plano Safra para financiar a produção.

Tangará da Serra

Em Tangará da Serra, as terras indígenas correspondem a 53% da área total do município, que possui aproximadamente 11,3 mil km². A maior é a Terra Indígena Pareci, onde estão localizadas as aldeias Katyalarekwa e Serra Dourada, a cerca de 125 quilômetros da área urbana. Já a Aldeia Formoso, integrante da Terra Indígena Rio Formoso, fica a 85 quilômetros do centro da cidade.

Parte das comunidades já produz grãos nessas áreas. O trabalho é acompanhado por programas de capacitação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que oferece cursos de operação e manutenção de máquinas agrícolas e de aplicação de herbicidas.

Em Campo Novo do Parecis, a 400 quilômetros de Cuiabá, a produção indígena já ocorre há 15 anos. Nas terras das etnias Manoki, Nambiquara e Paresi, mais de 17 mil hectares são destinados ao cultivo de grãos. Segundo as lideranças, 95% do tratamento da lavoura é feito sem agrotóxicos.

Potencial econômico

As reservas indígenas em Tangará da Serra somam cerca de 6 mil km², o equivalente a 600 mil hectares. Para efeito de comparação, o município conta atualmente com pouco mais de 176 mil hectares cultivados com soja e milho.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) de Tangará da Serra em 2021 foi de R$ 5,58 bilhões. Desse total, 25% — ou R$ 1,395 bilhão — correspondeu ao valor adicionado pela agropecuária.

Se apenas 10% da área indígena fosse destinada ao plantio — respeitando a reserva legal mínima de 35% no Cerrado — seria possível ampliar em quase 30% a área agrícola do município. Nesse cenário, considerando as produtividades da soja e do milho (respectivamente 66 sc/ha e 126 sc/ha) e as cotações atuais desses produtos, a agropecuária poderia acrescentar, somente na comercialização da safra, quase R$ 500 milhões ao PIB local, elevando-o para praticamente R$ 6 bilhões.

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