O programa Momento Agrícola, veiculado pela rede de rádios do Agro trouxe nesse final de semana, como de costume, informações relevantes relacionadas ao setor produtivo.
O produtor e apresentador do programa, Ricardo Arioli, destaca a decisão unânime do Supremo Tribunal Federal de que não pode haver cobrança do Funrural nas exportações indiretas de produtos agrícolas. Ele discorre sobre um eventual (mas improvável) reembolso da contribuição desde 2005.
Ricardo Arioli produz e apresenta o Momento Agrícola
Outros assuntos abordados no Momento Agrícola desse final de semana são o aquecimento global e as suas contradições e estudos especializados, e o Desafio Nacional da Máxima Produtividade lançado pelo Comitê Estratégico Soja Brasil nesta safra 2019/2020.
Ricardo Arioli destinou um bloco específico do Momento Agrícola para discorrer sobre o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) da Brasil Mata Viva. Neste bloco, Arioli conversa com o diretor da Forest Friend, Mauro Romani, sobre uma plataforma mato-grossense destinada à venda de ativos ambientais dos produtores rurais.
A nomeação de Ricardo Arioli para a presidência da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) também foi assunto no programa deste final de semana e será pauta do Enfoque Business nos próximos dias.
Para ouvir na íntegra estes e outros conteúdos do Momento Agrícola desse final de semana, basta clicar o link abaixo.
O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.
Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.
Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão
Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.
A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.
Fertilizantes: dependência que preocupa
Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.
A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.
Soberania vs. custo imediato
O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.
Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.
(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo: