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Agronegócio & Produção

MÁQUINA LETÁRGICA: SEMA-MT levaria 35 anos para zerar fila de espera por CAR’s; Burocracia emperra negócios

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Na verdade, não seriam apenas 35 anos, mas 63, se for considerado o volume de processos que tramitam na Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA).

A verdade é dolorida e revoltante, pois o órgão oficial de Mato Grosso que tem por missão guarnecer o meio ambiente e criar condições para um desenvolvimento sustentável, na verdade atravanca o crescimento econômico do estado, penaliza quem está legal e, assim, acaba beneficiando infratores.

E, pior ainda, a SEMA judia da ‘galinha dos ovos de ouro’ da economia estadual, que é o agronegócio. Esta realidade lamentável foi exposta no programa Momento Agrícola, produzido e apresentado pelo produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli e reproduzido todos os finais de semana pelo Enfoque Business (link: https://enfoquebusiness.com.br/momento-agricola-lentidao-da-sema-gafanhotos-feijao-novidades-sobre-dicamba-e-roundup-sao-destaques/).

Segundo informado pelo Momento Agrícola, hoje são 93.294 processos pendentes de Cadastro Ambiental Rural (CAR) que tramitam na secretaria. O ritmo de aprovação destes processos seria cômico não fosse trágico. Em março, eram 0,3 processos validados por dia. Em abril este número subiu para 1,9 e, em junho, esta média chega a “fantásticos” 04 processos por dia.

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Fora estes, há, ainda, uma quantidade considerável de processos de licenciamento de empreendimentos em outras áreas da economia, todos parados por conta da burocracia e da fraca, enferrujada e ultrapassada dinâmica administrativa do órgão estadual.

Considerando este ritmo (de 04 validações diárias), serão necessários 63 anos para validar os mais de 93 mil cadastros pendentes. Mas, se desta ‘montanha’ de processos forem deduzidos 21 mil processos que aguardam documentação pendente, mais outros 6 mil com pareceres de cancelamento e outros tantos que aguardam pagamentos de taxas diversas, este número cai para “apenas” 51 mil processos.

Então, considerando o ritmo de validação de 04 processos/dia, a SEMA levaria ‘somente’ 35 anos para validar todos os 51 mil processos que estão na fila.

Freio econômico

O pior da letargia da máquina pública estadual não é a irritação provocada nos empreendedores mato-grossenses, e sim o prejuízo nos negócios. “É por estas e outras que os produtores legais é que levam as culpas por tudo que acontece de ruim com o meio ambiente. A Alemanha, por exemplo, parece que está mesmo comprometida a parar de comprar produtos do Brasil por conta do aumento do desmatamento na Amazônia e no Cerrado… Aquele discurso fácil que as ONG’s comentam por lá, recheado de ideologias depois que mudou o governo”, observou Arioli.

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Diante desta burocracia nefasta, apesar do Agro de Mato Grosso ter sucesso comercial com sua alta produção (em volume e qualidade), a SEMA contribui muito para negativar a imagem do setor produtivo estadual com sua emperrada burocracia. “Adianta ir lá na Alemanha explicar que muitos produtores estão irregulares porque estão nesta fila de pelo menos 35 anos? (…) Adianta perguntar o que foi feito dos milhões de reais investidos na SEMA desde 2006 em programas de parcerias com as próprias ONG’s que hoje nos acusam e nos destratam?”, questionou o apresentador do Momento Agrícola, complementando que as ilegalidades interessam apenas aos ‘ilegais’, aos ‘maus produtores’, jamais aos reais interesses da coletividade mato-grossense.

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Agronegócio & Produção

Plantio de soja começa em Mato Grosso sob alerta para veranicos e clima irregular

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Estado deve semear cerca de 13 milhões de hectares na safra 2026/27, mas produtores enfrentam custos elevados, crédito restrito e maior risco climático

O plantio da soja da safra 2026/27 estará autorizado em Mato Grosso a partir da próxima segunda-feira (7), um dia após o encerramento oficial do vazio sanitário no estado. A nova temporada começa com expectativa de cultivo de aproximadamente 13 milhões de hectares, mas também sob cautela diante da possibilidade de chuvas irregulares, períodos de estiagem e temperaturas acima da média.

O cenário foi destacado pelo jornalista Olmir Cividini, de Tangará da Serra, na edição desta sexta-feira (04.09) da coluna Circuito Rural. Segundo ele, o calendário agrícola abre espaço para uma nova safra de soja, mas não elimina a necessidade de avaliar cuidadosamente as condições de umidade do solo antes da semeadura.

A projeção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta área de 13,05 milhões de hectares para a soja em Mato Grosso, com produtividade estimada em 62,44 sacas por hectare. Caso essas estimativas se confirmem, a produção estadual poderá alcançar 48,88 milhões de toneladas, abaixo do recorde registrado no ciclo anterior.

No âmbito nacional, a Agroconsult estima uma área próxima de 49 milhões de hectares para a soja em 2026/27, praticamente estável em relação à temporada passada. A desaceleração interrompe, ao menos temporariamente, o ritmo de expansão observado em anos anteriores e reflete um ambiente mais pressionado para o produtor, marcado por custos elevados, crédito mais caro e restrito, endividamento e margens menores.

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“A conta do produtor ficou mais apertada”, observa Olmir Cividini na coluna Circuito Rural, ao avaliar os fatores que reduziram o ritmo de crescimento da área cultivada.

El Niño amplia a incerteza sobre a safra

Além da situação financeira das propriedades, o comportamento do clima aparece como um dos principais fatores de risco para o novo ciclo. Boletim divulgado em 1º de setembro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em conjunto com instituições como INPE, ANA e Cemaden, indica probabilidade superior a 90% de um El Niño muito forte no trimestre formado por setembro, outubro e novembro.

Combinação de calor e estiagem também pode prolongar o período de transição entre a estação seca e a chuvosa, mantendo o solo mais seco e aumentando o risco de queimadas.

De acordo com o documento, a influência do fenômeno tende a favorecer volumes de chuva acima da média no Sul do país, enquanto partes do Centro-Norte, incluindo Mato Grosso, apresentam maior probabilidade de precipitações abaixo do normal e temperaturas elevadas. A combinação de calor e estiagem também pode prolongar o período de transição entre a estação seca e a chuvosa, mantendo o solo mais seco e aumentando o risco de queimadas.

Na avaliação apresentada por Cividini, as pancadas de chuva registradas nos últimos dias, especialmente no oeste de Mato Grosso, melhoram temporariamente a umidade do solo e reduzem o risco de incêndios. No entanto, não devem ser interpretadas automaticamente como o início consolidado da estação chuvosa.

A meteorologia prevê novas pancadas na primeira quinzena de setembro, mas também alerta para a possibilidade de retorno da seca no restante do mês e nos períodos seguintes. Esse comportamento pode favorecer o chamado veranico, quando uma sequência de dias quentes e secos ocorre logo após o início das chuvas.

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Umidade será decisiva

O risco para o agricultor está na possibilidade de a semente germinar após uma chuva isolada e, em seguida, enfrentar falta de água durante os primeiros estágios de desenvolvimento. Nessa fase, a irregularidade das precipitações pode comprometer o estabelecimento das plantas e reduzir o potencial produtivo das lavouras.

O próprio Imea reforçou que mais importante do que o volume acumulado de chuva será a regularidade e a distribuição das precipitações ao longo do ciclo. Em análise publicada às vésperas do início do plantio, o instituto destacou que as condições de umidade do solo deverão orientar o avanço da semeadura e que a intensidade do El Niño já está incorporada às estimativas da nova safra.

Para Olmir Cividini, o principal desafio da temporada é conciliar uma área extensa a ser plantada com um ambiente climático menos previsível. “Não se pode simplesmente olhar para o calendário e dizer: chegou setembro, então é hora de colocar a semente no chão. Não é tão simples”, afirmou o jornalista na edição desta sexta-feira da coluna Circuito Rural.

A recomendação implícita no alerta é que o produtor acompanhe a evolução das chuvas e evite decisões baseadas apenas em uma precipitação pontual. Em uma safra marcada por margens mais estreitas e maior custo financeiro, o momento de plantio e a capacidade de atravessar eventuais períodos de restrição hídrica serão determinantes para o resultado econômico das propriedades.

(Fonte: Olmir Cividini — Circuito Rural)

Ouça a coluna de Olmir Cividini na íntegra:

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