TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Infraestrutura & Logística

Fávaro defende destravamento logístico, com responsabilidade ambiental e integração

Publicado em

Durante visita oficial a Tangará da Serra na última sexta-feira (18), o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Carlos Fávaro, foi provocado pelo Enfoque Business sobre um dos temas mais estratégicos para o futuro da logística em Mato Grosso: a liberação do Tramo Norte do rio Paraguai para navegação comercial.

A pauta, embora crucial, foi tratada com certa superficialidade pelo ministro, que preferiu adotar um tom de cautela ao comentar o tema. “A questão ambiental não pode ser um entrave ao desenvolvimento. As coisas precisam caminhar juntas”, afirmou Fávaro, numa resposta que deixa margem para interpretações quanto ao avanço da pauta hidroviária.

O trecho entre Cáceres e Corumbá – vale salientar – é peça-chave para a consolidação da Hidrovia Paraguai-Paraná, que pode representar um salto de competitividade para a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres e para os terminais já instalados, como o da Associação Pró-Hidrovia (APH), e os licenciados, a exemplo de Paratudal e Barranco Vermelho.

Funcionamento da hidrovia é uma das condições básicas para atração de investimentos privados e impulso ao desenvolvimento regional.

Embora tenha evitado entrar em detalhes sobre o cronograma ou entraves da liberação do Tramo Norte, Fávaro reconheceu que a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (PL 2.159/2021) pode ser um divisor de águas no setor. “Vai destravar muitos processos de licenciamento de infraestrutura, com respeito ao meio ambiente, mas com agilidade para que as obras aconteçam”, disse o ministro, destacando a importância da segurança jurídica e da unificação de procedimentos para impulsionar investimentos.

Leia mais:  Primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual será inaugurado neste sábado

A nova legislação, aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados e agora em trâmite para sanção presidencial, é apontada por setores produtivos como um avanço. No entanto, entidades ambientais alertam para riscos de flexibilização excessiva.

Fávaro também traçou um panorama mais amplo dos investimentos logísticos em curso, com destaque para o programa de rotas de integração bioceânica, coordenado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. Segundo ele, o plano contempla sete corredores interoceânicos ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, entre eles a navegação pelo rio Paraguai.

Terminais portuários aguardam licença de instalação, enquanto hidrovia aguarda liberação do tramo norte para começar a operar.

“O interesse pela melhoria da nossa logística envolve todos os modais”, afirmou. O ministro citou como exemplo concreto a Ferrovia Leste-Oeste (FIOL), que, com investimento chinês, avança em direção ao Mato Grosso via a FICO – Ferrovia de Integração do Centro-Oeste, já em operação no município de Água Boa. O traçado prevê passagem por Lucas do Rio Verde e outras regiões estratégicas até alcançar o Oceano Pacífico.

Leia mais:  Primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual será inaugurado neste sábado

O ministro se referiu ao Porto de Chancay, no Peru, está se tornando um importante ponto de conexão entre a América do Sul e a China, especificamente com o Porto de Xangai. Este novo porto de águas profundas, construído com investimento chinês, visa facilitar o comércio entre a Ásia e a América Latina, reduzindo custos e tempo de trânsito. “Investindo em ferrovias e hidrovias, teremos um fortalecimento das rotas rodoviárias. É uma oportunidade de ouro para integrar o Brasil ao mercado global de forma mais competitiva”, disse.

Apesar do tom otimista, o ministro evitou prazos ou promessas específicas. Ficou claro, no entanto, que a logística de exportação — especialmente no Centro-Oeste — está no radar estratégico do governo federal. Resta saber quando o discurso vai se transformar em dragagem, trilhos, portos e, principalmente, embarques.

Comentários Facebook
Advertisement

Infraestrutura & Logística

Primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual será inaugurado neste sábado

Published

on

Neste sábado, 20 de junho, será inaugurado em Dom Aquino o primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, considerada a primeira ferrovia construída a partir de autorização de um governo estadual no Brasil. O empreendimento representa um marco para a infraestrutura logística do Estado e promete fortalecer a competitividade do agronegócio mato-grossense nos mercados nacional e internacional.

A cerimônia ocorrerá às margens da BR-070, onde foi implantado o terminal multimodal que passa a desempenhar papel estratégico no novo corredor logístico estadual. O local funcionará como ponto de integração entre os modais rodoviário e ferroviário, recebendo cargas transportadas por caminhões para posterior embarque nos trens.

Com a entrada em operação do terminal, Dom Aquino assume posição de destaque na logística de Mato Grosso. A cidade sediará uma das principais estruturas da nova malha ferroviária, transformando uma região tradicionalmente agrícola em importante centro de distribuição e escoamento da produção.

Novo terminal ferroviário foi projetado para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano.

O trecho inaugural possui aproximadamente 162 quilômetros de extensão e liga Rondonópolis ao terminal instalado em Dom Aquino. A obra integra a primeira fase da Ferrovia Estadual, que demandou investimentos da ordem de R$ 5 bilhões e é considerada atualmente um dos maiores projetos privados de infraestrutura logística em execução no país.

Leia mais:  Primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual será inaugurado neste sábado

Quando totalmente concluída, a ferrovia terá cerca de 743 quilômetros de extensão, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, passando por 16 municípios mato-grossenses e contando ainda com um ramal estratégico para Cuiabá.

O novo terminal ferroviário foi projetado para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho. A estrutura definitiva deverá ser concluída no segundo semestre de 2026, ampliando significativamente a capacidade de escoamento da produção agrícola estadual.

A chegada dos trilhos a regiões mais próximas das áreas produtoras é uma reivindicação histórica do setor produtivo. Desde a implantação da Ferronorte em Rondonópolis, em 2013, produtores rurais, empresários e lideranças políticas defendiam a expansão da malha ferroviária para o médio-norte do Estado, reduzindo custos logísticos e aumentando a eficiência no transporte de cargas.

Além dos benefícios econômicos, o projeto também é apontado como importante aliado da sustentabilidade ambiental. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o transporte ferroviário apresenta menores índices de emissão de carbono quando comparado ao modal rodoviário, contribuindo para uma logística mais limpa e eficiente.

Leia mais:  Primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual será inaugurado neste sábado

Na mesma linha, a vice-presidente da Rumo, Natália Marcassa, destaca que a expansão ferroviária fortalece a competitividade do agronegócio brasileiro e amplia a capacidade de conexão das cadeias produtivas aos mercados internacionais. Para ela, os trilhos representam uma solução de longo prazo que alia eficiência, segurança e redução das emissões de carbono.

A inauguração deste primeiro trecho simboliza o início de uma nova etapa para a infraestrutura de transportes de Mato Grosso, consolidando o Estado como um dos principais corredores logísticos do agronegócio nacional.

(Fotos Rumo Logística e reprodução Web)

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana