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Agronegócio & Produção

Exposerra: Melhor média do Torneio Leiteiro fica com produtor da Linha 12

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O produtor Hiago Matheus Pereira, de 22 anos, foi o grande vencedor do 14º Torneio Leiteiro, realizado durante a Exposerra/2019. Hiago, que tem um plantel da raça girolando no Sítio São José, localidade de Linha 12, na região norte de Tangará da Serra, obteve 67,5 kg de leite (média diária de 22,5 kg) nos três dias do torneio. Como premiação, ele faturou o equivalente a R$ 10 mil em sementes para silagem Biomatrix.

Hiago Matheus Pereira, o vencedor do torneio, ao lado de Evanildo e Silvano, segundo e terceiro colocados.

Em segundo lugar ficou Evanildo da Silva Brito, do Sítio Pantanal – Assentamento Antônio Conselheiro -, que ordenhou 58,75 quilos em três dias, obtendo uma média de 19,5 kg/dia. A terceira colocação ficou com Silvano Rodrigues, do Sítio Nova Esperança, Estrada do Mutum, com um total de 57,7 quilos, média de 19,23 kg/dia.

As ordenhas ocorreram quinta, sexta e sábado, nos estandes de exposição de animais do Parque de Exposições de Tangará da Serra.

O torneio foi organizado pelo Sindicato Rural de Tangará da Serra, em parceria com FAMATO e patrocínio de TratorTecMaq, Reafrio, Premix, e Laticínio Vital. A programação incluiu palestra sobre manejo ministrada por Fabrício Moratelli, representante da Reafrio, indústria de equipamentos de ordenha mecânica e resfriadores.

Participantes do torneio, com organizadores e patrocinadores: 14º Torneio Leiteiro incentivou atividade.

O coordenador do evento, zootecnista Sebastião Guedes Maciel, avaliou o torneio como uma mostra de que a atividade leiteira tem boas perspectivas, com amplo espaço para crescimento. “As médias não foram das melhores. Este ano foram as mais baixas que tivemos, mas há fatores que contribuíram para este baixo rendimento, como a forte estiagem, o preço baixo do leite e o custo mais alto. Mas a atividade continua e creio que uma média acima dos 15 quilos de leite, pra mim, é fundamental”, disse Maciel.

Um dos participantes e segundo colocado no torneio, Evanildo da Silva Brito, revela que sua média na propriedade é de 23 kg/dia. Ele fornece para um laticínio localizado em Arenápolis e aposta na melhoria da atividade, apontando para algumas condições, como o aprimoramento genético dos plantéis e preços mais atrativos. “Eu espero por um fortalecimento da atividade, por isso sigo produzindo, pesquisando, conhecendo novas técnicas e novas tecnologias. O mercado quer mais, e isso nos incentiva a continuar”, disse.

(Veja galeria de fotos clicando no link ao final da matéria)

Saul Francisco, do Sindicato Rural: “Produzir leite é uma tarefa nobre”.

Representando o Sindicato Rural, o pecuarista Saul Francisco de Souza e Silva também acredita na atividade. “Produzir leite é uma tarefa nobre e nunca pode faltar, pois é um alimento de consumo diário, incluindo os seus derivados. Estes produtores que participaram do 14º Torneio Leiteiro são testemunhas de que a atividade vale a pena”, observou.

 

 

Palestra sobre manejo, com Fabrício Moratelli, da Reafrio, integrou programação.

(*) Clique no link abaixo para mais fotos do 14º Torneio Leiteiro:

Fotos do 14º Torneio Leiteiro da Exposerra/2019

(*) Texto e fotos: Amanda Reichert e Sergio Roberto

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Agronegócio & Produção

Ureia boliviana surge como alternativa para o agro em Mato Grosso na crise global de fertilizantes

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As tensões no Oriente Médio, somadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia, no Leste Europeu, tem provocado efeitos em cadeia na economia global. Entre os reflexos mais imediatos estão a escalada dos preços do petróleo e os sinais de instabilidade nos mercados internacionais.

Em maio de 2026, o petróleo tipo Brent oscila entre US$ 106,55 e US$ 118,35 por barril, enquanto o WTI (West Texas Intermediate) se mantém próximo de US$ 98,88. A valorização da commodity impacta diretamente os custos logísticos e a produção de fertilizantes nitrogenados, insumos essenciais para a agricultura.

Instabilidade no Oriente Médio reflete diretamente na economia mundial, em especial no agronegócio brasileiro.

Embora distante dos epicentros dos conflitos, o Brasil sente os efeitos, especialmente no agronegócio. O país depende fortemente da importação de fertilizantes — cerca de 95% dos nitrogenados consumidos são adquiridos no exterior. Tradicionalmente, Rússia, Oriente Médio e, em menor escala, a Ucrânia figuram entre os principais fornecedores. No atual cenário, entretanto, restrições comerciais agravam o quadro:

  • A Rússia prorrogou limites de exportação de fertilizantes minerais até novembro de 2026 e suspendeu licenças para nitrato de amônia em março;
  • A China adotou, em abril, novas restrições à exportação de ureia e NPK, priorizando o abastecimento interno;
  • No Oriente Médio, a instabilidade regional afeta rotas logísticas e a produção, comprometendo a oferta de nitrogenados.

Com isso, os fertilizantes — que podem representar até 40% do custo total de produção — pressionam ainda mais a rentabilidade do produtor.

Bolívia como alternativa logística

Diante desse cenário, ganha relevância uma alternativa regional: a ureia produzida na Bolívia. Em sua coluna “Circuito Rural”, o jornalista Olmir Cividini destacou recentemente a proximidade geográfica como fator estratégico.

Na região de Cochabamba, a Bolívia mantém uma planta industrial com capacidade de produção de cerca de 2.100 toneladas diárias de ureia. A distância aproximada de 1.300 quilômetros até Cáceres (MT) representa vantagem logística significativa frente às rotas marítimas tradicionais.

MT e Bolívia: Integração em pauta

A viabilidade dessa alternativa tem avançado com iniciativas de integração regional. Em abril de 2026, a visita do governador eleito do departamento de Santa Cruz, Juan Pablo Velasco, marcou o início de uma nova etapa nas relações comerciais com Mato Grosso, com foco na estruturação de corredores logísticos.

Dois eixos se destacam:

  • Vila Bela da Santíssima Trindade (MT) – San Ignacio de Velasco (Bolívia): prevê a pavimentação de aproximadamente 150 km da MT-199, conectando o estado a portos do Pacífico, como Arica e Iquique (Chile) e Ilo (Peru).
  • Cáceres (MT) – San Matías (Bolívia): proposta de pavimentação de cerca de 300 km, consolidando Cáceres como hub logístico, favorecido pela presença de estrutura aduaneira e de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE).

Esses corredores bioceânicos, integrados ao projeto “Corazón de Sudamérica”, podem reduzir custos de transporte rodoviário em até 40%, além de encurtar prazos logísticos.

Produção, custos e rentabilidade da safra 2026

Para a safra 2025/26, Mato Grosso deve manter sua posição de liderança nacional na produção de grãos. Projeções baseadas em dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) indicam produtividade média da soja entre 62 e 66 sacas por hectare, dependendo das condições climáticas ao longo do ciclo.

Considerando preços médios projetados na faixa de R$ 115 a R$ 125 por saca, o faturamento bruto por hectare pode variar entre R$ 7.100 e R$ 8.200.

Por outro lado, os custos totais de produção (COE + COT), ainda segundo o IMEA, devem permanecer elevados, situando-se entre R$ 5.800 e R$ 6.500 por hectare antes do escoamento da produção. Nesse cenário, a margem operacional tende a ficar entre R$ 1.300 e R$ 2.000 por hectare, evidenciando compressão frente a ciclos anteriores, principalmente em função dos fertilizantes e defensivos.

Custo do frete pressiona resultado

Além dos custos de produção, o frete segue como variável crítica. Levantamentos recentes do IMEA apontam que o transporte rodoviário da soja de regiões produtoras do médio-norte de Mato Grosso até portos como Santos (SP) ou Miritituba (PA) deve variar entre R$ 350 e R$ 500 por tonelada em 2026, dependendo da rota, da sazonalidade e do preço do diesel.

Esse valor pode representar entre 15% e 25% do valor bruto da produção, reduzindo significativamente a margem líquida do produtor. A adoção de rotas mais curtas e integradas, como as alternativas via Bolívia e corredores bioceânicos, tende a ganhar importância estratégica.

Perspectivas

A ampliação da relação comercial entre Mato Grosso e a Bolívia, somada aos investimentos em infraestrutura, aponta para um novo arranjo logístico regional. Nesse contexto, a ureia boliviana surge como alternativa para reduzir custos, aumentar a previsibilidade no abastecimento e mitigar os efeitos da instabilidade global.

A consolidação desses corredores poderá redefinir a competitividade do agronegócio mato-grossense nos próximos anos, especialmente em um cenário de custos elevados e margens mais estreitas.

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