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CNI critica piso do mínimo do frete e alerta para impacto na economia do país

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O governo federal publicou, na última quinta-feira (19), a Medida Provisória nº 1.343/2026, que endurece as punições para o descumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas. A medida busca ampliar a proteção aos caminhoneiros diante da alta do diesel e reduzir o risco de paralisações.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), no entanto, avalia que a iniciativa pode prejudicar a competitividade e o desenvolvimento econômico. Segundo a entidade, a política de pisos mínimos apresenta fragilidades metodológicas e não reflete a realidade das empresas.

Para a CNI, o reforço das sanções, com base em parâmetros considerados inconsistentes, tende a elevar custos, ampliar a insegurança jurídica e gerar incertezas para o setor produtivo.

O especialista em Infraestrutura da CNI, Ramon Cunha, afirma que a associação entre o aumento da fiscalização e o atual cenário geopolítico pode trazer efeitos negativos.

“A associação entre a fiscalização do frete e o momento geopolítico pode gerar interpretações indevidas, afetar a segurança jurídica e ampliar a incerteza para agentes econômicos, com reflexos na indústria e na economia”, disse.

A entidade defende que a aplicação de penalidades seja precedida por revisão da metodologia do tabelamento, com critérios técnicos, transparência e participação da sociedade, além de respeito à competência regulatória da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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Impacto nos preços

A alta do diesel, principal fator de pressão sobre o frete, tem sido influenciada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, com reflexos no mercado interno.

Para conter os aumentos, o governo adotou medidas como a redução a zero de PIS e Cofins sobre o diesel, ampliação da fiscalização para coibir abusos e autorização de subvenção à comercialização do combustível.

O diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, destaca o impacto direto sobre a cadeia produtiva.

“No Brasil, o transporte de cargas é majoritariamente rodoviário, e o diesel responde por parcela relevante dos custos logísticos. A alta do combustível encarece o frete, eleva o custo de produção e pressiona os preços ao consumidor”, afirmou.

Apesar das ações, a CNI avalia que os efeitos ainda não foram percebidos nos postos, mantendo a pressão sobre os custos.

Segundo Ramon Cunha, medidas adicionais seguem em debate, como a possibilidade de redução do ICMS pelos estados, para amenizar os impactos sobre caminhoneiros, setor produtivo e consumidores.

(Com informações de Brasil 61)

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Recuperações judiciais avançam no agro; Mato Grosso lidera e frango reage

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O agronegócio brasileiro encerra a semana sob uma combinação de pressão financeira, desaceleração econômica e incertezas no comércio internacional. No episódio deste sábado (15) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli comenta o aumento dos pedidos de recuperação judicial no setor, a queda do PIB do agronegócio, a proximidade do limite de exportação de carne bovina para a China e os efeitos da seca que atinge partes da Europa.

O principal alerta está no avanço da recuperação judicial. Levantamento da Serasa Experian contabilizou 474 pedidos no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação às 389 solicitações registradas no mesmo período do ano passado. O número reúne produtores rurais que atuam como pessoa física ou jurídica e empresas relacionadas à cadeia do agronegócio, refletindo uma deterioração que ultrapassa a porteira e alcança agroindústrias, transportadores, prestadores de serviços e outros elos do sistema produtivo.

Mato Grosso concentra o maior número de pedidos

Mato Grosso liderou o ranking nacional, com 135 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março. O resultado coloca o estado no centro da discussão sobre endividamento rural, especialmente porque a produção mato-grossense tem forte exposição aos custos de sementes, fertilizantes, defensivos, máquinas, fretes e financiamento. Quando os preços das commodities recuam ou a produtividade fica abaixo do esperado, a margem estreita transforma compromissos de custeio e investimento em um problema de fluxo de caixa.

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Os dados mostram, porém, que a crise não se manifesta de forma igual em todos os segmentos. Entre produtores rurais pessoa física, foram 182 solicitações, queda de 6,7% na comparação anual. Já as empresas ligadas à cadeia do agro somaram 96 pedidos, aumento de 18,5% sobre o primeiro trimestre de 2025. A diferença sugere que a pressão financeira também está se deslocando para negócios de transformação, processamento e apoio à atividade rural.

Fonte: EB/IA

O quadro financeiro é reforçado pelo desempenho do PIB do agronegócio. Segundo levantamento Cepea/CNA, o indicador recuou 2,01% no primeiro trimestre, pressionado principalmente pelo ramo agrícola, que caiu 3,62%; a pecuária, em sentido contrário, avançou 0,70% [2]. A retração está associada sobretudo à queda dos preços das commodities, mesmo com a expectativa de crescimento da produção em algumas cadeias.

Frango traz notícia positiva ao comércio exterior

Em meio aos sinais negativos, a avicultura oferece um contraponto importante. As exportações brasileiras de carne de frango alcançaram 519,2 mil toneladas em julho, avanço de 29,9% sobre o mesmo mês de 2025, conforme dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O desempenho confirma a força do produto brasileiro no mercado internacional e ajuda a diversificar as receitas externas do setor, em um momento em que outras carnes enfrentam incertezas comerciais.

Na carne bovina, o mercado chinês acompanha com atenção a utilização da cota anual. O Brasil já havia empregado 90% do limite de 1,106 milhão de toneladas autorizado para 2026 sem a sobretaxa prevista. Depois do esgotamento da cota, a carne excedente estará sujeita a uma tarifa adicional de 55%, além das demais cobranças aplicadas pelo país asiático.

Fonte: EB/IA

A possibilidade de encarecimento pode reduzir o ritmo dos embarques, redirecionar parte da oferta para outros mercados e pressionar as negociações entre frigoríficos e pecuaristas.

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Outro tema resumido no programa é a seca na Europa. Ondas sucessivas de calor e baixos níveis dos rios Reno e Danúbio já afetam a navegação, a geração de energia, a indústria e a agricultura. A escassez de água também aumenta o risco de perdas em lavouras e de encarecimento do transporte e dos alimentos, mostrando como eventos climáticos extremos podem produzir efeitos econômicos em cadeia.

Nos blocos de entrevistas, o programa apresenta a discussão “A Europa vai acabar?”, produzida com inteligência artificial, e entrevista o pesquisador Dr. José Renato Farias, da Embrapa, sobre o Zoneamento por Níveis de Manejo. A proposta é relacionar clima, uso do solo, tecnologia e planejamento para melhorar a tomada de decisão no campo.

Em resumo: o agro enfrenta forte aumento das recuperações judiciais, liderado por Mato Grosso, e queda do PIB, mas as exportações de frango avançam; enquanto isso, a cota chinesa ameaça encarecer a carne bovina e a seca agrava os riscos agrícolas na Europa.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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