Sucessivas quedas de energia, acompanhadas de fortes oscilações vem causando transtornos a moradores do bairro Jardim Rio Preto, em Tangará da Serra. Os problemas mais recentes aconteceram nos dias finais de setembro e no último final de semana.
As causas, num primeiro momento, seriam picos de consumo que causaram sobrecargas no sistema, provocando as quedas. Também houve explosões de transformadores.
No último final de semana, moradores do Jardim Rio Preto – em especial na região anteriormente conhecida como Vila Portuguesa, assim como parte do Jardim Acácia, nas imediações do Bosque Municipal – relataram problemas com oscilações e quedas de energia durante entre a última sexta-feira (06) e a madrugada de sábado (Assista ao vídeo nasequência). Em razão do forte calor, os moradores passaram por uma noite de desconforto, na medida em que os termômetros registravam 26 graus centígrados por volta das 03 horas da madrugada, temperatura alta para o horário.
No início da noite de sábado, os problemas voltaram a ocorrer na mesma região da cidade, com oscilações e quedas de energia. A maioria das residências estava com energia em meia-fase. O fornecimento foi restabelecido quando já passava da meia-noite.
As oscilações levaram apreensão aos moradores, que temiam por danos irreversíveis em eletrodomésticos, principalmente geladeiras e freezers. Várias lâmpadas foram queimadas por causa das oscilações. “Vi aqui que já existe um registro de falta de energia para o seu imóvel. Sentimos muito pelo ocorrido e já estamos trabalhando para que a sua energia seja restabelecida o quanto antes”, foi a mensagem enviada pela concessionária Energisa a um consumidor que comunicou o problema pelo canal de WhatsApp.
“Tive um aumento de 30% na minha conta de luz, mas a qualidade da energia que vem parece que piorou”, disse um morador à reportagem do Enfoque Business.
Há relatos, também, de sucessivos problemas no fornecimento de energia no Jardim Europa. Além de consumidores residenciais e comerciais, a prefeitura municipal também tem sido afetada com as falhas no fornecimento.
A redação encaminhou mensagem à Ouvidoria concessionária e guarda respostas. Na mensagem há questionamentos sobre as causas dos problemas do último final de semana, sobre a atual situação física da rede de distribuição, sobre como os consumidores com prejuízos devem proceder, entre outros.
Assista ao vídeo:
Discussão na ALMT
A Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou audiência pública semana passada, na última terça-feira (03), para debater a qualidade dos serviços prestados pela concessionária de energia elétrica no estado. Representantes de todas as regiões mato-grossenses e de instituições públicas que atuam na defesa dos direitos dos usuários puderam manifestar suas demandas, reclamações e questionar os investimentos para melhoria no abastecimento de energia e também no atendimento ao consumidor.
Para a defensora pública do Núcleo de Defesa do Consumidor, Karine Michele Gonçalves, a concessionária precisa melhorar o atendimento aos usuários, sobretudo com a população de maior vulnerabilidade econômica e social. “Há uma dificuldade em resolver os problemas de forma administrativa ou por meio de acordo. Quando uma pessoa chega até a Defensoria, ela já tentou contato com a empresa, já tentou resolver no Procon, a gente busca resolver de forma direta, mas não há disponibilidade por parte da concessionária”.
Karine Gonçalves também citou casos de pessoas que estão doentes e que precisam deixar suas casas porque não conseguem liquidar as dívidas com a concessionária.
O presidente da Energisa, Gabriel Pereira, disse que a empresa vai responder a cada uma das reclamações apresentadas e pediu um prazo de 15 dias para analisar cada caso e trazer uma resposta. Sobre as reclamações com relação ao relacionamento entre a concessionária e os usuários, Gabriel destacou que vai buscar aproximar a Energisa dessas instituições para que as soluções sejam encontradas de forma mais rápida e definitiva.
Para o deputado Sebastião Rezende, a audiência pública foi uma oportunidade para aproximar a concessionária de seus usuários e atualizar o Parlamento sobre o que tem sido feito. “Nós estamos cumprindo o papel de fiscalizar, porque a população vem até nós, que somos deputados, apresentar suas reclamações, os problemas que enfrentam e nós precisamos saber o que tem sido feito”.
A Energisa também vai apresentar à Assembleia Legislativa a relação de todas as obras que vêm sendo realizadas e aquelas que estão previstas. De acordo com Gabriel Pereira, a empresa investe R$ 1 bilhão por ano no estado, sendo 50% em expansão da rede e outros 50% no melhoramento da rede já consolidada. “Mato Grosso possui grandes dimensões. São 200 mil km só de rede de distribuição. Além disso, com o crescimento econômico da região, a demanda por investimentos é constante, o que impacta inclusive no custo dessa energia”.
Alto custo
Mato Grosso possui 1,6 milhão de unidades consumidoras. Cerca de 20% da demanda de consumo está nas cidades, porém, 70% da rede de infraestrutura estão em área rural. Essa característica, de longas distâncias entre os municípios e uma densidade de consumo considerada baixa, faz com que o estado tenha uma das tarifas mais caras do país.
A tarifa de energia elétrica é estabelecida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que analisa as necessidades com relação a obras, demandas locais e calcula o valor a ser pago pelo usuário. Vale lembrar que a tarifa não remunera somente a concessionária, responsável pela distribuição, mas também os custos de transmissão e geração de energia, os encargos e impostos.
Participaram da audiência o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, deputado Sebastião Rezende (União), o deputado estadual Diego Guimarães, o presidente do Grupo Energisa em Mato Grosso, Gabriel Pereira, o presidente da Agência Estadual de Regulação (Ager), Luiz Alberto Nespolo, a diretora do Procon estadual de Mato Grosso, Cristiane Vaz dos Santos, a defensora pública do Núcleo de Defesa do Consumidor, Karine Gonçalves, o assessoria do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia em Mato Grosso (Crea-MT), além de representantes da sociedade civil.
O crescimento do uso de bicicletas elétricas nas cidades tem levantado preocupações entre os poderes e autoridades de segurança pública de Tangará da Serra. A ausência de regulamentação específica e o comportamento de parte dos condutores representam riscos de acidentes, tanto para quem utiliza esse tipo de veículo quanto para outros usuários das vias.
Entre as principais irregularidades observadas estão a condução por pessoas sem qualquer tipo de habilitação ou preparo técnico, o desrespeito às normas de trânsito — como circulação na contramão, avanço de sinal vermelho e uso indevido de faixas de pedestres —, além da falta de equipamentos de segurança. Também há registros de transporte de crianças sem proteção adequada.
Diante desse cenário, especialistas defendem a criação de legislações municipais que estabeleçam regras claras para a circulação de bicicletas elétricas, incluindo exigências de segurança e critérios de uso, como forma de reduzir acidentes e organizar o trânsito da cidade.
Fatalidade recente
Um caso recente em Tangará da Serra reforça o alerta. Uma jovem de 21 anos morreu na tarde de quarta-feira (29) em decorrência de um acidente envolvendo uma motocicleta de alta cilindrada e uma bicicleta elétrica, na avenida Ismael José do Nascimento, uma das mais movimentadas da cidade.
A vítima seguia pela via quando houve uma colisão traseira com a bicicleta elétrica, que trafegava no mesmo sentido. Imagens de uma câmera de segurança registraram o momento do acidente.
Acidente envolvendo bicicleta elétrica resultou em acidente fatal na última quarta-feira, 29. (Foto: Reprodução Serra FM, redes sociais)
Com o impacto, a jovem foi arremessada contra um poste. Ela chegou a ser socorrida, mas veio a óbito pouco após dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A condutora da bicicleta elétrica também caiu e foi encaminhada com ferimentos ao hospital pelo Corpo de Bombeiros.
Alerta
O caso recente do acidente com vítima fatal evidencia a necessidade de maior atenção ao uso de bicicletas elétricas e reforça o debate sobre a regulamentação e a conscientização no trânsito, em um contexto de rápida expansão desse meio de transporte nas cidades.
Para o comandante do 19º Batalhão de Polícia Militar de Tangará da Serra, Tenente Coronel PM Eduardo Henrique Lana, é urgente a necessidade de regulamentação por parte do município, a fim de possibilitar que as forças de segurança realizem a devida fiscalização desses veículos e de seus condutores, bem como responsabilizem aqueles que estiverem em desconformidade com a legislação.
“Qualquer veículo, quando utilizado de forma inadequada, pode se tornar uma arma nas mãos de quem não possui a devida perícia”, observa o comandante.
Ausência de regulamentação e comportamento dos condutores representam riscos de acidentes, tanto para quem utiliza esse tipo de veículo quanto para outros usuários das vias.
O oficial destaca, ainda, que outro ponto que chama atenção é a conduta de alguns pais ou responsáveis, que estão disponibilizando esses veículos a menores de idade. “Não raramente, observa-se até mesmo crianças conduzindo motocicletas elétricas, sem o uso de equipamentos obrigatórios e, principalmente, sem qualquer preparo ou conhecimento para tal prática”, pontua.
A Resolução 996/2023 do CONTRAN (atualizada em 2026) regulamenta o uso de bicicletas elétricas no Brasil. Esses equipamentos são dotados de sistema de pedal assistido (o motor só funciona quando se pedala). Se forem enquadrados em até 1.000W e velocidade não superior a 32 km/h, não precisam de emplacamento e não há exigência de carteira nacional de habilitação para seus condutores.
Devem circular em ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. Já nas vias de trânsito, devem circular no mesmo sentido dos carros, de preferência no canto. O descumprimento das regras, especialmente a condução de ciclomotores (que parecem bicicletas) sem CNH e placa, pode resultar em apreensão do veículo e multas.
Segundo informações apuradas pela redação, o Executivo Municipal já teria uma proposta para regulamentar o uso de bicicletas elétricas no trânsito de Tangará da Serra. A matéria, se de fato tiver prosseguimento, terá de passar pela Câmara de Vereadores.