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MT mais demite que contrata em dezembro, mas fecha ano com variação positiva

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O estado de Mato Grosso fechou 2019 com um saldo positivo de 23.060 empregos com carteira assinada. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (24) pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, e constam no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

De acordo com os números do Caged, Mato Grosso registrou nos 12 meses de 2019 411.225 admissões contra 388.165 desligamentos, perfazendo um saldo positivo de 23.060 empregos com carteira assinada ao longo do ano passado. O número representa um percentual positivo de 5,94% no comparativo admissões/demissões.

Os setores que mais admitiram no estado durante 2019 foram os setores de Serviços (118.366, saldo final positivo de 8.553 empregos), Comércio (118.326, saldo final positivo de 6.556), Agropecuária (85.019, saldo final positivo de 2.564), Indústria (53.473, saldo final positivo de 4.831) e Construção Civil (31.899, saldo final positivo de 423).

Em comparação com 2018, Mato Grosso teve uma variação de -13.7% no saldo entre admissões e desligamentos, que foi de 26.736. Em 31 de dezembro daquele ano, Mato Grosso registrou um acumulado anual de 389.614 contratações com carteira assinada ante 362.878 demissões.

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Dezembro

Em dezembro de 2019, porém, houve mais demissões que admissões em Mato Grosso. Segundo o Caged, o último mês do ano passado registrou 32.723 demissões contra 23.371 admissões, perfazendo um saldo negativo de 9.352 desligamentos a mais.

Enquanto o comércio registrou 616 desligamentos a mais (7.968 admissões contra 8.589 demissões), o setor de serviços cravou 2.203 demissões a mais em relação às contratações (8.751 contra 6.548) com carteira assinada.

Outros setores que registraram saldo negativo no mês de dezembro em Mato Grosso foram a Agropecuária (4.871 admissões contra 6.883 desligamentos, saldo negativo de 2.012); Indústria (2.546 admissões contra 5.095 demissões, saldo negativo de 2.549) e Construção Civil (1.234 admissões contra 3.080 desligamentos, saldo negativo de 1.846).

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Bets drenam renda das famílias enquanto agro enfrenta crédito caro e novas pressões

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O agronegócio e a economia brasileira estão no centro de uma discussão que vai além das lavouras e dos mercados. Na edição deste sábado (22) do Momento Agrícola, o engenheiro agrônomo, produtor rural e consultor Ricardo Arioli aborda o avanço das apostas online, o baixo investimento em pesquisa, os efeitos das recuperações judiciais e a nova mistura de etanol na gasolina. O programa também trata das dificuldades em cadeias de proteínas e frutas e traz entrevistas sobre o ITR e o mercado da soja.

Bets corroem renda das famílias

O primeiro bloco destaca o impacto das chamadas bets sobre o orçamento doméstico. Estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), com base em dados do Banco Central, estima perda líquida de R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras com apostas online em 2025. O cálculo considera a diferença entre os valores enviados às plataformas e os recursos recebidos posteriormente pelos apostadores.

A perda líquida equivaleu a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das famílias, proporção superior à referência de 0,50% do PIB associada ao Bolsa Família. Mais do que entretenimento, o fenômeno representa uma expressiva transferência de renda para um setor que não gera bens nem amplia a capacidade produtiva, em contraste com investimentos capazes de estimular produtividade, emprego e inovação.

A comparação com a pesquisa científica reforça o alerta. Dados analisados pelo Ipea e divulgados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação mostram que o Brasil destinou 1,19% – o equivalente a US$ 27 bilhões – do PIB à pesquisa e desenvolvimento em 2022 e 2023. Alemanha, Japão, Estados Unidos (3,45% do PIB, ou US$ 1 trilhão), Coreia do Sul e Israel superaram 2,5%. A China, que trem se destacado em inovação tecnológica, investiu US$ 546 bilhões. A diferença evidencia o atraso brasileiro em uma área estratégica para agregar valor ao agro, desenvolver tecnologias e ampliar a competitividade.

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Recuperações judiciais ampliam impacto na economia

O programa também retoma o crescimento das recuperações judiciais no agronegócio. Levantamento da Serasa Experian registrou 474 pedidos no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% sobre as 389 solicitações do mesmo período de 2025. Mato Grosso liderou o ranking, com 135 pedidos.

Os efeitos vão além dos produtores e empresas envolvidos nos processos. A dificuldade financeira reduz compras de insumos, adia investimentos, compromete transportadores e fornecedores e torna o crédito mais restritivo. Em regiões dependentes da atividade rural, a crise tende a atingir também comércio, serviços e mercado de trabalho.

Os produtores rurais constituídos como pessoa jurídica somaram 196 pedidos, alta de 73,5% em um ano. Empresas da cadeia do agronegócio registraram 96 solicitações, crescimento de 18,5%, enquanto produtores pessoa física tiveram 182 pedidos, queda de 6,7%. Os números mostram que a pressão alcança diferentes elos da cadeia e pode encarecer o crédito justamente às vésperas do financiamento de uma nova safra.

Gasolina passa a ter 32% de etanol

Outro tema de impacto no campo e no consumo é a adoção temporária da gasolina E32. Desde 1º de agosto, a gasolina comum e a aditivada passaram de 30% para 32% de etanol anidro, conforme a Resolução CNPE nº 9/2026. A medida vale por 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação, enquanto a gasolina premium permanece com 25%.

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Para o setor sucroenergético, a mudança tende a ampliar a demanda pelo biocombustível e reduzir a necessidade de gasolina importada. Para consumidores e transportadores, os efeitos dependem dos preços, do rendimento e das características dos veículos. A alteração é considerada incremental, embora o consumo possa variar conforme o modelo.

No segundo bloco, Arioli comenta os prejuízos da suinocultura, mesmo com o crescimento das exportações; o avanço dos produtos biológicos, dependente de regulamentação adequada; e o contraste entre a queda das exportações brasileiras de milho e os recordes da Argentina. O programa também aborda a crise dos produtores de laranja, pressionados por custos, preços e condições de mercado.

Nos dois blocos finais, Leonardo Oliveira, da Léo Consultoria, orienta sobre os cuidados na declaração do Imposto Territorial Rural (ITR). Na última entrevista, o professor Liones Severo, da SIM Consult, analisa o novo patamar dos preços da soja e o Plano Quinquenal da China, voltado à redução da dependência de importações de alimentos por razões de segurança. As conversas ampliam o debate sobre gestão tributária, planejamento produtivo e os reflexos das decisões chinesas no mercado internacional.

Ouça o Momento Agrícola na íntegra:

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