O comércio e o setor de serviços de Mato Grosso devem abrir cerca de 1,9 mil vagas de trabalho na temporada de fim de ano, entre setembro e dezembro. A projeção é do Núcleo de Estudos Econômicos da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso (FCDL-MT), que trabalha com um intervalo de 1,7 mil a 2,1 mil postos. Aproximadamente 1,2 mil serão vagas temporárias, com carteira assinada.
As contratações já começaram, mas o período de maior movimento ainda está por vir. Outubro e novembro devem concentrar cerca de 780 vagas, mais que o dobro do volume previsto para setembro. Novembro, impulsionado pela Black Friday e pela antecipação das compras de Natal, responderá sozinho por aproximadamente 460 contratações.
O volume é semelhante ao da temporada passada e ocorre em um cenário favorável para quem procura trabalho. Mato Grosso tem a segunda menor taxa de desemprego do país, de 2,2%, enquanto o estoque de empregos formais avançou 3,96% entre janeiro e julho, segunda maior expansão proporcional do Brasil. Com os juros ainda elevados moderando o ritmo das vendas do varejo após um primeiro trimestre forte, o Núcleo projeta estabilidade em relação a 2025, em vez do crescimento de 10% estimado para o país.

Em Tangará da Serra, expectativa no comércio varejista e no setor de serviços se renova sempre que se aproximam as festas de final de ano.
O estudo também mapeou o calendário de contratação dos principais setores da economia mato-grossense. A agropecuária concentra vagas em janeiro e no período de colheita do meio do ano; a construção civil ganha força no primeiro semestre; e a indústria acompanha o ciclo do campo. O comércio é o único setor cujo calendário é ditado pelo consumo, e não pela safra. Por isso, é no fim do ano, com a Black Friday e o Natal, que mais contrata.
Somados, comércio e serviços são os maiores empregadores do estado. Em 2025, responderam por 18.793 dos 31.733 empregos formais criados em Mato Grosso, quase seis em cada dez.
Vendedor é a função mais procurada, seguido por ajudante, entregador, manicure, caixa e recepcionista. Os contratos temporários duram, em média, 2,4 meses e asseguram direitos previstos na legislação, como 13º salário proporcional, FGTS e férias. A permanência também é uma possibilidade: historicamente, entre 11% e 15% dos temporários do varejo são efetivados. Em Mato Grosso, isso pode representar de 130 a 170 novos empregos permanentes a partir de janeiro.
“O fim de ano segue sendo a maior janela de oportunidades do comércio mato-grossense, e 2026 traz um ingrediente importante a favor do trabalhador: Mato Grosso vive praticamente pleno emprego. Isso significa que as empresas disputam bons profissionais”, afirma o presidente da FCDL-MT, David Pintor. Segundo ele, a manutenção do nível de contratações, mesmo com juros elevados, indica um mercado de trabalho ainda aquecido.
Para Pintor, o setor também pode ser porta de entrada para uma carreira. “Para muita gente, a primeira carteira assinada vem de uma loja. Mas o varejo não é só passagem. Conheço gerentes, compradores, diretores e empresários em Mato Grosso que começaram repondo mercadoria ou operando o caixa”, afirma.
O presidente recomenda que os candidatos não esperem dezembro para procurar oportunidades. “Vale entregar currículo nas lojas, acompanhar os sites e as redes sociais das empresas, cadastrar-se no Sine e nas plataformas de emprego. As CDLs de cada município também sabem quem está contratando”, orienta.
(Redação EB, com Assessoria FCDL-MT)