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Queima Pé: Revitalização da nascente mostra resultado e garante regularidade no abastecimento

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Quatro anos após o início de um abrangente projeto de recuperação ambiental, a nascente do rio Queima Pé, em Tangará da Serra, se consolida em sua recuperação hídrica. A constatação vem da última medição da sua vazão realizada neste mês de julho pelo consultor ambiental Délio Eloi Siebert, diretor do Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC).

O Queima Pé, vale lembrar, é o principal manancial de abastecimento de água para consumo da população de Tangará da Serra. Na semana passada, Décio constatou que a produção de água é de 743.040 litros por dia na nascente, equivalente a 4,72% da necessidade diária de abastecimento da zona urbana do município.

Imagem da nascente do Queima Pé em 12 de julho de 2025 (sábado).

Os dados são animadores diante do histórico de declínio da vazão percebido em anos anteriores a 2022. Conforme testemunhado pela redação do EB, a recuperação da nascente é resultado direto das ações executadas em 2021 pelo IPAC, com recursos do Ministério Público Estadual e de empresas privadas, e apoio da Prefeitura Municipal, Samae, Sema-MT, CBH Sepotuba, Rotary Club, Sindicato Rural e outras entidades da sociedade civil organizada.

Diferença perceptível: Situação do Queima Pé em agosto de 2021.

“A nascente do Queima Pé foi devolvida ao município em condição de vitalidade. A água voltou a brotar com força, e isso é fruto de trabalho técnico, articulado e com responsabilidade ambiental que estamos apresentando em números”, destacou Délio Siebert, responsável pelas medições.

Resultado da revitalização

A vazão de 743,04 m³ ocorre neste mês de julho, considerando que a última chuva – de média aproximada de 40 milímetros – ocorreu em 23 de junho. Esta vazão tende a aumentar entre os meses de dezembro e março, chegando a triplicar no terceiro mês do ano. Ou seja, a vazão no mês de março supera a marca dos 2.000m³/dia.

Imagem da nascente do Queima Pé em 12 de julho.

Para compreender melhor o resultado dos trabalhos de revitalização, basta recordar o período de estiagem em 2024. No ano passado, as chuvas cessaram no em meados de abril e retornaram somente em outubro. Ou seja, foram mais de seis meses sem chuvas, com altas temperaturas registradas no último quadrimestre ano ano.

Por outro lado, a partir de outubro e até o mês de junho, as chuvas superaram em boa os 2.000 milímetros em volume. As fartas precipitações da temporada chuvosa passada, portanto, contribuíram muito para a atual vazão da nascente principal do Queima Pé.

Décio Siebert, do IPAC, conduziu os trabalhos de revitalização, em setembro de 2021.

Números e proporção

Com uma população urbana estimada em 102.267 pessoas (considerando os dados do Censo 2022 e uma população flutuante de 3 mil habitantes), a demanda diária de água no perímetro urbano de Tangará da Serra é de aproximadamente 15.749 m³/dia, considerando o consumo médio nacional de 154 litros por habitante (dados da ANA e do SNIS).

A atual vazão da nascente do Queima Pé – 743,04 m³/dia – representa pouco menos de 5% dessa necessidade, mas com um valor estratégico relevante. Trata-se do retorno à vida de um recurso natural historicamente pressionado pelo uso desordenado do solo, erosões e assoreamento.

Décio Siebert observa que o índice de 4,72% da demanda de consumo local é de apenas uma nascente, o que, segundo ele, é um dado expressivo e que deve ser festejado. “Se uma única nascente responde por quase 5% da demanda de uma cidade de mais de 100 mil habitantes, imagine se revitalizassemos as outras 13 nascentes mais importantes da bacia do Queima Pé, localizadas a montante da ETA (Estação de Captação, Tratamento e Distribuição de Água)!”, ressalta o consultor do IPAC.

Siebert releva a importância dos trabalhos de revitalização realizados em setembro e outubro de 2021 e que hoje seguem em outras nascentes, como a do Córrego Cristalino, nas proximidades do Anel Viário. “É um percentual ainda tímido frente à demanda total da cidade, mas muito expressivo do ponto de vista ambiental. Essa nascente já foi considerada tecnicamente morta. Hoje ela responde com regularidade”, reforçou.

Recuperação e parceria institucional

Trabalhos realizados em 2021 começaram a dar resultado já em 2022, com recuperação da vazão da nascente principal.

Os trabalhos realizados em 2021 incluíram:

– Construção de terraço no entorno da cabeceira para contenção das águas pluviais;

– Construção de bacias de contenção na margem das estradas do entorno da cabeceira;

– Instalação de intensificadores de recarga do lençol freático;

– Plantio de espécies nativas para recuperação da vegetação ciliar;

– Educação ambiental com produtores e comunidade do entorno;

– Monitoramento técnico da vazão e qualidade da água.

Recuperação da nascente é resultado direto das ações executadas em 2021 pelo IPAC, em parceria com o Ministério Público Estadual, Prefeitura de Tangará da Serra, Samae, Sema-MT, Rotary Club, Sindicato Rural e outras entidades da sociedade civil.

O projeto foi coordenado pelo Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC) em parceria com a Prefeitura de Tangará da Serra,  com recuros do Ministério Público Estadual e de empresas privadas  e apoio do Samae, SEMA-MT, CBH Sepotuba, Rotary Club, Sindicato Rural e outras entidades da sociedade civil organizada

“Este é um exemplo de como parcerias entre sociedade civil, poder público e iniciativa privada podem gerar resultados concretos em defesa da sustentabilidade. Em tempos de incertezas climáticas e pressões urbanas crescentes, recuperar e proteger nascentes é, mais do que uma ação ambiental, é, sobretudo, uma medida de segurança hídrica e planejamento estratégico para o futuro”, concluiu Décio Siebert.

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Tangará da Serra

Saúde em emergência e falhas recorrentes em serviços levam gestão a anunciar medidas

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Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (16), o prefeito de Tangará da Serra, Vander Masson (União), acompanhado de secretários municipais, prestou esclarecimentos sobre os problemas enfrentados pelo município nas áreas de saúde, coleta de lixo e infraestrutura urbana. (No topo, foto da coletiva)

O principal gargalo está na saúde pública, com aumento expressivo na demanda por atendimentos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em decorrência de um surto de Influenza “A” registrado no município.

Segundo Vander Masson (foto acima), a média diária varia entre 650 e 700 atendimentos de pacientes com sintomas gripais. A sobrecarga tem provocado demora nos atendimentos e impactado inclusive os estoques de medicamentos. Diante do cenário, o município decretou situação de emergência na saúde pública por 180 dias, autorizando medidas como contratação emergencial de profissionais, aquisição de insumos e locação de equipamentos e leitos na rede privada.

Surto de gripe gera entre 650 e 700 atendimentos diários na UPA de Tangará da Serra.

Entre as ações adotadas, está a ampliação do horário de atendimento até às 23h, de segunda a sexta-feira, no Posto Central, e até às 21h nas Unidades de Saúde da Família (USFs) dos bairros Cohab Tarumã e Jardim Presidente.

A implementação das medidas dependeu de autorização da Câmara Municipal para a contratação de médicos. Para isso, o Executivo encaminhou os projetos de lei nº 105 e 106, que tratam de contratações emergenciais e da abertura de crédito especial de R$ 2,45 milhões para custeio das ações. As propostas foram aprovadas em sessão extraordinária na última segunda-feira (13).

Também foi anunciada a ampliação dos leitos hospitalares contratados junto à rede privada, passando de 20 para 28 vagas disponíveis nos dois hospitais particulares do município.

Crise na coleta de lixo

As falhas recorrentes na coleta de lixo domiciliar têm gerado reclamações de moradores em diversos bairros. A empresa responsável pelo serviço enfrenta limitações técnicas, resultando em atrasos e acúmulo de resíduos em frente às residências, com potenciais riscos sanitários.

Empresa contratada tem cometido falhas na coleta de resíduos desde o início das suas operações no município.

De acordo com o prefeito, a empresa já foi notificada ao menos seis vezes e multada, com autos de infração que ultrapassam R$ 50 mil. Diante da situação, o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), responsável pelo contrato, instaurou procedimento administrativo que pode culminar na rescisão contratual.

Questionado sobre a capacidade técnica da empresa no processo licitatório, o diretor do Samae, Marcos Scolari (foto do topo), afirmou que todas as exigências legais foram cumpridas e que o certame priorizou o menor preço. No entanto, após o início das operações, a empresa apresentou falhas recorrentes. “Haverá medidas e, em breve, teremos a solução desses problemas”, declarou.

Problemas na infraestrutura

As dificuldades com empresas contratadas também se estendem às obras de infraestrutura urbana. No bairro Jardim Acapulco, intervenções que incluem a instalação de galerias de águas pluviais, rede de esgoto e pavimentação têm provocado transtornos aos moradores.

Moradores da Vila Goiás e Jardim Acapulco relatam transtornos com o atraso na reposição do asfalto.

Além de atrasos, a empresa responsável não realizou adequadamente a recomposição asfáltica após a instalação das redes. Diante da situação, o município suprimiu essa etapa do contrato e assumiu os serviços de forma emergencial.

As falhas já resultaram em notificações à empresa. Segundo o Executivo, os trabalhos seguem agora em ritmo de normalização, com previsão de conclusão durante o período de estiagem, quando as condições climáticas são mais favoráveis.

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