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Infraestrutura & Logística

ARO adverte que gargalo logístico freia desenvolvimento e deixa Agro do Brasil sob risco

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Uma megaprodução esbarrando numa precária logística de escoamento. Esta é a situação do Brasil, que assiste a recordes sucessivos na produção agropecuária, safra após safra, com montanhas de grãos a céu aberto por falta de armazéns e um sistema de transporte que ainda depende quase que exclusivamente do modal rodoviário.

Esta condição nefasta coloca a principal vocação econômica brasileira em sério risco, com tendências de piora caso persista a falta de modais competitivos. O alerta é da Agenda Regional Oeste (ARO), organização de natureza privada com escritórios em Cáceres e Tangará da Serra e que tem por objetivo acompanhar as obras de integração logística e de desenvolvimento socioeconômico da macrorregião Oeste-Sudoeste de Mato Grosso.

“Tudo recai na falta de modais competitivos, que são as ferrovias e as hidrovias e que nós não temos. Isto gera aumento do custo do transporte, com o frete rodoviário em dólar no escoamento para os portos em distâncias de mais de 2 mil quilômetros”, observa o engenheiro civil, economista e especialista em logística intermodal, Silvio Tupinambá Fernandes de Sá, coordenador do escritório da ARO em Tangará da Serra.

Tupinambá: “Falta de modais competitivos gera aumento do custo do transporte, com o frete rodoviário em dólar no escoamento para os portos”.

Tupinambá destaca, ainda, que a estrutura de armazenagem insuficiente e a falta de logística são situações extremamente preocupantes num país que move sua economia principalmente com o setor agropecuário. “A situação nossa, no Brasil, principalmente em Mato Grosso, é caótica. Milho sob o sol, desperdiçando…”, diz, lamentando as notícias veiculadas na mídia nacional e internacional sobre a produção de grãos no Brasil, mostrando montanhas de milho a céu aberto.

Leia mais:  Primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual será inaugurado neste sábado

Os problemas com grãos a céu aberto se concentram mais no eixo da BR-163, especialmente em Sorriso. No Chapadão do Rio Verde – região produtora de Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis -, os sucessivos embarques de milho para os portos ainda mantém suficiente a capacidade de armazenagem.

Modais

Para Mato Grosso, a grande expectativa relacionada aos modais citados por Sílvio Tupinambá são, em especial, a Ferrogrão – ferrovia que liga Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), cujo projeto está parado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal em razão de uma ação direta de inconstitucionalidade protocolada pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol) –, a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO), a Ferrovia de Integração Estadual de Mato Grosso, e a Hidrovia do Rio Paraguai.

Recorde e impulso econômico

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou semana passada relatório onde aponta que o Brasil deve produzir 128 milhões de toneladas de milho, somando as três safras do ciclo 2022/2023. Trata-se de um crescimento de 13% em relação ao ciclo anterior, que já havia sido recorde.

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A supersafra de grãos impulsiona o Produto Interno Bruto (PIB), ao mesmo tempo em que embala o Brasil como maior exportador de milho do mundo, já praticamente superando o até então campeão Estados Unidos da América.

Com a grande produção, a inflação no país tende a diminuir, já que ocorre o barateamento da ração animal e o custo de produção de proteína animal. As carnes já caíram algo em torno dos 6% em 2023, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Infraestrutura & Logística

Primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual será inaugurado neste sábado

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Neste sábado, 20 de junho, será inaugurado em Dom Aquino o primeiro trecho operacional da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, considerada a primeira ferrovia construída a partir de autorização de um governo estadual no Brasil. O empreendimento representa um marco para a infraestrutura logística do Estado e promete fortalecer a competitividade do agronegócio mato-grossense nos mercados nacional e internacional.

A cerimônia ocorrerá às margens da BR-070, onde foi implantado o terminal multimodal que passa a desempenhar papel estratégico no novo corredor logístico estadual. O local funcionará como ponto de integração entre os modais rodoviário e ferroviário, recebendo cargas transportadas por caminhões para posterior embarque nos trens.

Com a entrada em operação do terminal, Dom Aquino assume posição de destaque na logística de Mato Grosso. A cidade sediará uma das principais estruturas da nova malha ferroviária, transformando uma região tradicionalmente agrícola em importante centro de distribuição e escoamento da produção.

Novo terminal ferroviário foi projetado para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano.

O trecho inaugural possui aproximadamente 162 quilômetros de extensão e liga Rondonópolis ao terminal instalado em Dom Aquino. A obra integra a primeira fase da Ferrovia Estadual, que demandou investimentos da ordem de R$ 5 bilhões e é considerada atualmente um dos maiores projetos privados de infraestrutura logística em execução no país.

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Quando totalmente concluída, a ferrovia terá cerca de 743 quilômetros de extensão, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, passando por 16 municípios mato-grossenses e contando ainda com um ramal estratégico para Cuiabá.

O novo terminal ferroviário foi projetado para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, principalmente soja e milho. A estrutura definitiva deverá ser concluída no segundo semestre de 2026, ampliando significativamente a capacidade de escoamento da produção agrícola estadual.

A chegada dos trilhos a regiões mais próximas das áreas produtoras é uma reivindicação histórica do setor produtivo. Desde a implantação da Ferronorte em Rondonópolis, em 2013, produtores rurais, empresários e lideranças políticas defendiam a expansão da malha ferroviária para o médio-norte do Estado, reduzindo custos logísticos e aumentando a eficiência no transporte de cargas.

Além dos benefícios econômicos, o projeto também é apontado como importante aliado da sustentabilidade ambiental. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o transporte ferroviário apresenta menores índices de emissão de carbono quando comparado ao modal rodoviário, contribuindo para uma logística mais limpa e eficiente.

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Na mesma linha, a vice-presidente da Rumo, Natália Marcassa, destaca que a expansão ferroviária fortalece a competitividade do agronegócio brasileiro e amplia a capacidade de conexão das cadeias produtivas aos mercados internacionais. Para ela, os trilhos representam uma solução de longo prazo que alia eficiência, segurança e redução das emissões de carbono.

A inauguração deste primeiro trecho simboliza o início de uma nova etapa para a infraestrutura de transportes de Mato Grosso, consolidando o Estado como um dos principais corredores logísticos do agronegócio nacional.

(Fotos Rumo Logística e reprodução Web)

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