TANGARÁ DA SERRA
Pesquisar
Close this search box.

Meio Ambiente & Preservação

Queima Pé: Infiltração de 12% das chuvas atende demanda; Produtores rurais são essenciais

Publicado em

O aproveitamento de apenas 12% da água das chuvas que caem sobre a bacia do Queima Pé seria suficiente para atender a demanda de consumo de Tangará da Serra. É o que se pode constatar a partir de simples cálculos matemáticos, considerando o volume anual das chuvas e os números do tratamento e do consumo de água na cidade.

Barreira com pedra marroada e lona desobstrui nascente.

Para o engenheiro agrônomo e consultor ambiental Décio Elói Siebert, que coordena os trabalhos de recuperação da nascente do rio Queima Pé, a revitalização do manancial, com a colocação de pedras marroadas  para formação de um canal subterrâneo para dar vazão à água que sai das nascentes e a instalação de drenos verticais de para a acelerar a infiltração da água das chuvas, irão proporcionar um incremento na vazão do Queima-Pé, aumentando a disponibilidade de água para consumo.

Simultaneamente, todo o entorno da nascente (áreas de recarga), receberá 150 drenos para infiltração das águas das chuvas.

O cálculo é simples, conforme tabela elaborada pelo Enfoque Business (abaixo). A área da bacia do Queima Pé é de 5.417 hectares, ou seja, 54,17 milhões de metros quadrados. Considerando uma precipitação média anual de 1.500 milímetros (registrada nos últimos dois anos na região), o volume das chuvas, em um ano, representa nada menos que 81,25 bilhões de litros de água.

Tomando-se a média de consumo per capita de 130 litros/dia dos 107,6 mil tangaraenses, chega-se a uma demanda diária de 13,9 milhões de litros, o que corresponde a uma demanda anual de consumo de 5,107 bilhões de litros de água.

Enquanto isso, no mesmo período, o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae) trata cerca de 300 litros/segundo na Estação de Captação, Tratamento e Distribuição de Água (ETA Queima Pé), o que significa um volume anual de 9,46 bilhões de litros de água tratada.

Estes 9,46 bilhões de litros significam um percentual de 11,6% (arredondando, 12%) do volume anual acumulado de chuvas.

Para Décio Siebert, é possível chegar a bons resultados instalando, primeiramente, os 150 drenos verticais de infiltração nas áreas de recarga do manancial. Segundo ele, apesar de ser um projeto com resultados efetivos previstos para médio e longo prazos, estes drenos, combinados com os já finalizados trabalhos de desobstrução da nascente  começarão a dar os primeiros resultados a partir deste período chuvoso que se aproxima. “Teremos absorção de água para alimentar a nascente, que assim passará a verter água em volume maior para o curso do rio”, observa.

Produtores Rurais

Romeu (esq.) e José Renato: Produtores rurais são fundamentais no processo de recuperação e conservação de nascentes.

Os produtores rurais compõem um segmento importante na preservação de nascentes. O Sindicato Rural de Tangará da Serra é um dos parceiros, cujos trabalhos contaram com o acompanhamento do presidente da entidade, Romeu Chioquetta, e do empresário rural e integrante do quadro do Sindicato, José Renato Lemos Meireles, da Fazenda Santa Amália, apoiadora do projeto.

Na abertura dos trabalhos, na última terça-feira (21), o diretor do Samae, Heliton Oliveira, destacou que os produtores rurais são fundamentais para o fortalecimento do programa ‘Pagamento por Serviços Ambientais (PSA)’, uma vez que abrem suas propriedades aos trabalhos de recuperação e conservação de nascentes.

Décio Siebert, por sua vez, destacou que a grande maioria dos corpos hídricos estão localizados em áreas rurais e, que dessa forma, a importância dos produtores rurais é fundamental no processo de conservação e, no caso de áreas degradadas, de recuperação de nascentes. “O produtor consciente sabe que a propriedade, seja ela de lavouras ou de pecuária, tem necessidade de água. Então, o próprio produtor rural é um dos principais interessados na preservação”, concluiu.

Comentários Facebook
Advertisement

Meio Ambiente & Preservação

Força-tarefa realizará trabalhos de correção de erosão subterrânea na aldeia do Formoso

Published

on

O processo erosivo subterrâneo que causou o colapso do solo na área de cabeceira do córrego Bonitinho, na Aldeia Indígena do Formoso, em Tangará da Serra, motivará a mobilização de uma força-tarefa para sua correção, com ações divididas em duas fases.

A estratégia para a correção foi definida na semana passada, após vistoria na área afetada e em acompanhamento com a comunidade indígena local. Os trabalhos, propostos em reunião com os moradores, serão coordenados pelo Instituto Pantanal Amazônia de Conservação (IPAC), com anuência da Associação Haliti/Paresi, entidade representativa do povo indígena da localidade.

Ações para recuperação contam com anuência da comunidade do Formoso, expressa em reunião na última quinta-feira (30).

A reunião, coordenada pelo presidente do IPAC, Décio Eloi Siebert, e pelo representante da Associação Haliti/Paresi, Geovani Kezo, contou com a presença de membros da Brigada de Combate a Incêndios Florestais, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) e do Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do rio Sepotuba.

Erosão provocou colapso do solo na Aldeia do Formoso, nas cabeceiras do córrego Bonitinho.

Com base no diagnóstico preliminar realizado, ficaram definidas ações em duas etapas. A primeira (Fase 1) será emergencial, com o objetivo de conter o processo erosivo por meio do plantio de cordões de gramínea “vetiver” e de mudas nativas no entorno da área afetada.

Geovani Kezo, da Associação Halitinã, participa da coordenação dos trabalhos.

Na “Fase 2” será implantado um sistema de drenagem subterrânea (imagem abaixo) para solucionar o problema de “piping”, que causou a erosão e o colapso do solo no local. Esta fase também incluirá a implantação de um sistema de restauração ecológica, com a construção de paliçadas no interior da área erodida para conter as águas pluviais e o plantio de mudas de vetiver, espécies nativas e bambu.

A força-tarefa contará com a equipe do IPAC, membros da comunidade indígena local, SEMA, CBH, além da participação de propriedades rurais vizinhas e apoio de instituições. Os trabalhos serão realizados predominantemente de forma manual, devido à fragilidade do solo na região da Aldeia do Formoso, não contando, portanto, com maquinário pesado.

Para custear as atividades operacionais, insumos, ferramentaria e outros itens necessários, serão captados recursos junto aos setores público e privado. A operação será comunicada ao Ministério Público.

Processo erosivo

O processo erosivo foi identificado após o afundamento (depressão) de uma área na cabeceira do córrego Bonitinho, afluente do rio Formoso, um dos principais da bacia do rio Sepotuba.

A falha no solo foi causada por um fenômeno erosivo conhecido como “piping” (imagem acima), um tipo de erosão interna do solo, causada pelo escoamento subterrâneo concentrado de água, que remove partículas finas do interior do maciço, formando canais tubulares (pipes) sob a superfície. Esse fenômeno ocorre principalmente em solos arenosos (como o da TI Formoso), silto-arenosos ou argilosos estruturados.

O processo erosivo tem causado o carreamento de sedimentos que estão assoreando a gruta que abriga a nascente do córrego Bonitinho (foto abaixo).

Do ponto de vista ambiental, a continuidade desse processo ameaça a estabilidade do solo, acelera a degradação da paisagem e compromete a qualidade da água disponível no entorno. O assoreamento da gruta pode, também, causar alterações irreversíveis no regime hídrico e afetar a biodiversidade associada ao microambiente local.

Sob a perspectiva sociocultural, a gruta possui valor simbólico, histórico e espiritual para o povo indígena, abrigando inscrições rupestres que podem datar de 8.000 anos (foto abaixo), o que a torna um local de importância arqueológica, histórica e científica única na região.

Comentários Facebook
Continue Reading

Envie sua sugestão

Clique no botão abaixo e envie sua sugestão para nossa equipe de redação
SUGESTÃO

Empresas & Produtos

Economia & Mercado

Contábil & Tributário

Governo & Legislação

Profissionais & Tecnologias

Mais Lidas da Semana