Hoje foi o primeiro dia de funcionamento dos mercados públicos em Tangará da Serra. O novo formato tem motivação nas medidas de prevenção da pandemia do coronavírus e é resultado de decreto municipal que converteu as atuais feiras livres do município (Centro, Cidade Alta e Vila Esmeralda) em Mercados Públicos Municipais.
A presença de público foi pequena, mas já suficiente para o retomada do ânimo entre os feirantes. “Veio pouca gente, mas (o mercado público) é novidade e devagar vamos voltando ao que era antes”, disse uma produtora, enquanto atendia um comprador de temperos. “Tá fraco (o movimento), mas isso vai passar”, disse outro feirante, à reportagem do Enfoque Business.
(*) Ouça áudio com prefeito Fábio Junqueira sobre a criação dos Mercados Públicos:
Dinâmica
Presença de público foi pequena, mas já suficiente para o retomada do ânimo entre os feirantes.
A criação dos Mercados Públicos do Centro, da Cidade Alta e da Grande Esmeralda foi anunciada no último sábado pelo prefeito Fábio Martins Junqueira, com funcionamento nos locais de costume às segundas, quartas e sextas, durante o dia inteiro na unidade do Centro, com revezamento entre os produtores conforme organização da Associação dos Feirantes.
Funcionarão somente aos sábados os mercados da Grande Esmeralda (07 às 12hs) e da Cidade Alta (12 às 18hs). A feira de domingo, no Centro, deixará de ser realizada, ao menos por enquanto.
Serão permitidos somente comercialização de produtos hortifrutigranjeiros e alimentos produzidos (salgados, pamonhas, tapiocas, queijos e embutidos, etc.) não sendo permitido consumo no local.
Também fica vedada a comercialização de produtos de artesanato e importados, pelo menos enquanto durar a pandemia do coronavírus.
Os três mercados públicos também terão uma única entrada e uma única saída, com controle pela Associação dos Feirantes, para evitar aglomerações.
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.