O Ministério do Desenvolvimento Regional aprovou proposta e plano de trabalho para ampliação da Estação de Captação, Tratamento e Distribuição de Água (ETA Queima Pé) de Tangará da Serra.
A aprovação ministerial é sinal verde para investimentos na ampliação da capacidade de tratamento de água na ordem de R$ 7.468.129,90, sendo R$ 6.789.209,00 em recursos de emenda impositiva de bancada e R$ 678.920,90 em contrapartida do município. Os valores virão para conta específica do município após assinatura de convênio com o ministério.
O projeto foi desenvolvido pelo município através do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto, ainda na gestão de Wesley Lopes Torres. À época da elaboração do projeto, Torres explicou que a ampliação da ETA atenderá demanda gerada em virtude do crescimento populacional do município, em atendimento ao que preconiza a Lei Federal de Saneamento Básico.
Ampliação da ETA atenderá demanda gerada em virtude do crescimento populacional do município, que tem previsão de 165 mil habitantes em 2040.
Com a ampliação, a ETA passará dos atuais 360 litros/segundo de água tratada para 490 litros/segundo, conforme estudo de aumento de demanda que prevê uma população de 165 mil habitantes no município até o ano de 2040.
Já o prefeito Fábio Martins Junqueira inclui a ampliação como parte de um processo de modernização que completará um ciclo iniciado com o aumento da capacidade de reservação, num investimento estimado em cerca de R$ 10 milhões. “Já investimos na água bruta com as novas lagoas, no armazenamento de água tratada com o reservatório de 3 milhões de litros e dobramos a capacidade de distribuição. Agora vamos manter essa qualidade de excelência da água aliada à quantidade suficiente para manter o abastecimento”, disse.
Obras
O Enfoque Business conversou ainda no ano passado com o representante da empresa responsável pelo projeto, quando a equipe técnica esteve no município fazendo trabalho de campo.
De acordo com o diretor Life Saneamento, engenheiro Joaquim Castro Santos, os trabalhos de ampliação da ETA acontecerão sem interrupção do abastecimento da cidade.
Com a ampliação, a ETA passará dos atuais 360 litros/segundo de água tratada para 490 litros/segundo.
O projeto prevê um canal com gradeamento e desarenador, uma nova unidade de mistura rápida mecanizada, oito novos floculadores, reforma e ampliação/conversão dos decantadores para altas taxas, removedor de lodo submerso, cinco novos filtros e reforma dos atuais sete filtros já existentes.
Também serão construídos um novo tanque para desinfecção e uma nova estação elevatória de água tratada, reformas e adequações da unidade de tratamento de resíduos, da casa de química e do sistema de dosagem de produtos químicos. Por fim, será construído um moderno centro de controle operacional automatizado, com operação remota de todo o sistema.
O leite é um dos alimentos mais antigos incorporados à alimentação humana e acompanha a própria evolução das sociedades. Seu consumo começou há milhares de anos, ainda no período Neolítico, quando os seres humanos passaram a domesticar animais e a desenvolver formas mais permanentes de produção de alimentos.
Vestígios arqueológicos encontrados em antigas cerâmicas indicam que o consumo de leite e de seus derivados já fazia parte da vida de comunidades do Oriente Médio e de outras regiões do Crescente Fértil há pelo menos 10 mil anos. A criação de ovelhas, cabras e bovinos ampliou as possibilidades de aproveitamento dos animais, incorporando o leite à alimentação cotidiana.
Em Tangará da Serra, o leite também representa uma importante atividade da agricultura familiar. Além do produto in natura, a produção leiteira dá origem a uma variedade de alimentos de grande aceitação no mercado, como queijos, requeijões, doces, nata e outros derivados.
Na Feira do Produtor do Centro, o leite está entre os produtos procurados pelos consumidores. Vendido in natura, chega à feira em quantidade considerável e, segundo os próprios feirantes, costuma ter boa procura. Os derivados também conquistam espaço entre os consumidores.
Um dos feirantes que comercializa leite e derivados é Valdeci Ferraz Aquino (na foto abaixo, em seu box), presidente da Associação dos Feirantes de Tangará da Serra (Asfet). Ele confirma a procura pelo produto.
“Se o consumidor não chegar cedo, pode ficar sem o leite, porque vende muito bem”, revela.
Entre as principais regiões produtoras de leite do município estão a Linha 12, Córrego das Pedras, Acampamento e Gleba Bandeirantes. O rebanho leiteiro é formado principalmente por animais da raça Girolando, conhecida pela aptidão para a produção de leite e pela adaptação às condições climáticas brasileiras.
Benefícios
O leite e seus derivados integram um grupo de alimentos de importante valor nutricional. São fontes de proteínas e cálcio e também fornecem minerais como fósforo e potássio, além de vitaminas.
O cálcio presente nos alimentos lácteos apresenta elevada biodisponibilidade, o que significa que pode ser bem aproveitado pelo organismo. Por isso, o leite e seus derivados fazem parte de uma alimentação associada à manutenção da saúde óssea e ao fornecimento de proteínas importantes para a formação e manutenção da massa muscular.
A quantidade e a frequência adequadas de consumo, entretanto, variam conforme a idade, as necessidades nutricionais e as condições individuais de cada pessoa.
A “cachorrada”
O leite faz parte da alimentação de muitas pessoas desde a infância. Por isso, também está presente em lembranças, histórias e tradições familiares. É o caso de Valdeci Ferraz Aquino, que transformou uma lembrança da infância em um dos produtos que hoje comercializa na feira.
Era 1969. Valdeci ainda era criança e acompanhava os pais, Dona Noemi e ‘Seo’ Juanir, na rotina da propriedade rural da família, no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul.
Numa manhã, Dona Noemi colocou para ferver uma grande panela de leite recém-ordenhado das vacas da propriedade. Naquele dia, porém, algo saiu diferente do esperado: o leite coalhou.
Para não desperdiçar o produto, Dona Noemi acrescentou açúcar à coalhada e improvisou um doce. O que poderia ter sido apenas uma solução para aproveitar o leite acabou se transformando em uma tradição culinária da família.
Quando voltou da lida, Juanir entrou na cozinha e pediu leite para beber. A resposta da esposa foi direta: “Coalhou!”
Frustrado, Juanir reagiu: “Que cachorrada!”
E o nome ficou.
Décadas depois, a “cachorrada” é um dos produtos comercializados por Valdeci e sua esposa, Dª Cleide, no Box 81 da Feira do Produtor do Centro. Semelhante à ambrosia, mas preparada sem a adição de ovos, o doce mantém a receita que nasceu de uma situação corriqueira na propriedade da família e hoje desperta a curiosidade e o paladar dos frequentadores da feira.
Morador da localidade do Acampamento, Valdeci também oferece leite de vaca, queijo, doce pastoso, doce em cubos e nata.
Assim, entre o leite que chega fresco à banca e os produtos que carregam receitas transmitidas ao longo do tempo, a feira preserva não apenas uma tradição alimentar, mas também um pouco da memória de quem vive da produção rural.