O Sindicato Rural de Tangará da Serra anunciou a retomada dos cursos profissionalizantes gratuitos do Senar-MT, que haviam sido paralisados devido à pandemia.
O primeiro curso da retomada – Manutenção de Tratores Agrícolas – já tem suas inscrições abertas e será ministrado de 14 a 18 deste mês, na própria sede do Sindicato Rural, no Parque de Exposições de Tangará da Serra, na Avenida Lions Internacional, quase entroncamento com Anel Viário.
Gratuito como todos os cursos profissionalizantes oferecidos pelo Senar-MT, o curso de Manutenção de Tratores Agrícolas terá 40 horas aula e será ministrado de segunda a sexta-feira, das 07h30 às 17h30, com intervalo para almoço.
Os interessados devem procurar o Sindicato Rural no horário comercial. Informações podem ser obtidas pelos telefones 99997-4094 e 3325-0142.
A entidade informa ainda que serão seguidas todas as orientações para a segurança do convívio entre os participantes, como distanciamento social, etiqueta respiratória, higienização das mãos, uso de máscaras, limpeza e desinfecção de ambientes e isolamento domiciliar de casos suspeitos e confirmados.
Leilão Virtual
Em parceria com a Estância Bahia, o Sindicato Rural de Tangará da Serra promove neste sábado (05.09) o Leilão Criadores de Tangará da Serra. A oferta será de 3.000 animais para cria, recria, engorda e lotes especiais de cruzamento industrial. (Veja vídeo ao final da matéria)
O Leilão terá início às 10 horas da manhã (horário de Brasília; 09hs horário do MT). Segundo o presidente da entidade, Vanderlei Reck Junior, a região de Tangará da Serra tem uma das melhores pecuárias do estado, pela produção de qualidade, com genética superior e tecnologias de ponta. “Os nossos pecuaristas tem feito um trabalho diferenciado em busca da melhora constante da qualidade do gado. Será um leilão de grande sucesso e terá significado especial para a pecuária do município e região”, considerou.
O virtual Leilão Criadores de Tangará da Serra terá transmissão pelo Canal Terra Viva e Aplicativo Ebl Web. Informações, cadastros e lances podem ser feitos pelo telefone (65) 2121-6700.
O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.
Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.
Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão
Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.
A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.
Fertilizantes: dependência que preocupa
Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.
A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.
Soberania vs. custo imediato
O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.
Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.
(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo: