O prefeito Vander Masson apresentou na última segunda-feira (10) a vereadores e representantes dos produtores locais, na prefeitura, o projeto “Porteira Adentro”. De autoria do próprio Executivo, a iniciativa busca fomentar o desenvolvimento da atividade rural dos pequenos produtores do município.
O projeto “Porteira Adentro” tem como foco a promoção de um meio rural sustentável e a melhoria da infraestrutura para a agropecuária, tendo como prioridade inicial os produtores que possuem até 4 módulos fiscais fortalecendo o pequeno produtor e a agricultura familiar.
“Estamos criando condições para que nossos agricultores possam prosperar dentro de suas propriedades, com acesso a maquinários e ao apoio necessário para o crescimento sustentável. O ‘Porteira Adentro’ é um programa que busca ajudar diretamente aqueles que contribuem significativamente para a nossa economia e para o alimento que chega às nossas mesas”, afirmou Vander Masson.
Durante a reunião (foto acima), o prefeito destacou a necessidade de atenção para aqueles produtores que possuem até 1 módulo fiscal e buscou dialogar com os secretários a necessidade de parcerias para facilitar na adesão desses produtores ao programa.
O Secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Alceu Grapeggia, também enfatizou o impacto positivo da proposta para o município. “Este é um projeto que vai proporcionar aos pequenos agricultores as ferramentas necessárias para melhorar a produtividade, a qualidade do trabalho e, consequentemente, beneficiar o município em questões de mercado. É a nossa gestão comprometida em proporcionar um ambiente favorável ao crescimento da agricultura local”, explicou o secretário.
O vice-prefeito, Eduardo Sanches, também pontuou sobre “São diversas ações, mas o primeiro passo para melhorar nosso município já foi dado e agora com muita transparência e clareza, com apoio do poder legislativo e dos nossos produtores rurais promover o avanço na produção agropecuária de Tangará da Serra”, destacou Eduardo.
O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.
Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.
Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão
Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.
A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.
Fertilizantes: dependência que preocupa
Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.
A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.
Soberania vs. custo imediato
O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.
Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.
(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo: