A expansão dos transgênicos na China que impactará nas exportações de soja do Brasil, a ocorrência de ferrugem asiática no Sul, a energia renovável brasileira, experiência na Hungria e safra de soja são os destaques do Momento Agrícola deste sábado, dia 10 de fevereiro.
De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro – entre elas a Enfoque Rádio Web – e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.
Transgênicos na China
O assunto de abertura do Momento Agrícola desse sábado é a decisão da China pela expansão de seus plantios de soja e milho geneticamente modificados, conforme disse uma autoridade do governo chinês ainda no mês de janeiro. A intenção do maior importador de grãos do mundo é aumentar a produtividade e melhorar a segurança alimentar.
Ricardo Arioli comenta essa informação que vem do gigante asiático, que durante muito tempo adotou cautela quanto às culturas transgênicas, mas vem se abrindo cada vez mais para o cultivo comercial.
Ainda no primeiro bloco, o Momento Agrícola traz informações sobre a ocorrência de ferrugem asiática, segundo informações do Consórcio Antiferrugem. Somente no mês de janeiro, segundo a Embrapa, o consórcio contabilizou 51 relatos de ferrugem-asiática no Rio Grande do Sul, sendo 96% deles antes da fase de enchimento de vagens (estádio de desenvolvimento R5).
Outras
Além de outras notícias comentadas da semana, o Momento Agrícola traz os blocos de entrevistas
No segundo bloco, uma reflexão: O Brasil, além de emitir menos de 2,5% dos Gases de Efeito Estufa do mundo, possui uma matriz energética 93% renovável. Um hectare de cana, milho ou soja onde antes era Cerrado, faz sentido.
No segundo bloco, Ricardo Arioli relata sua experiência na Hungria, tradicional país do leste europeu. Ele essa semana naquele país participando de um Congresso de Agricultura de Precisão, e traz informações sobre a produção agrícola da Hungria, além de opiniões e conhecimentos dos produtores de lá.
No quarto e último bloco, o terma é: “O IMEA e a Safra de Soja de Mato Grosso”.
Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique no podcast abaixo ou acesse a Enfoque Rádio Web, na parte superior da página deste site. O programa vai ao ar aos sábados, a partir das 07h00, com reprise aos domingos, no mesmo horário.
O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.
Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.
Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão
Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.
A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.
Fertilizantes: dependência que preocupa
Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.
A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.
O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.
Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.
(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo: