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Agronegócio & Produção

Momento Agrícola: RU pós-Brexit, BloombergNEF e a inovação disruptiva da Agropecuária são destaques

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A primeira medida de destaque do Reino Unido após o ‘Brexit’, o relatório BloombergNEF, as inovações tecnológicas da Agropecuária brasileira e seus avanços em produtividade são os principais destaques nas notícias comentadas no programa Momento Agrícola deste final de semana.

O Momento Agrícola é veiculado pela cadeia de rádios do Agro aos finais de semana e repercutido pelo Enfoque Business aos domingos. A produção e apresentação é do produtor rural, engenheiro agrônomo e consultor Ricardo Arioli.

A primeira medida de destaque adotada pelo Reino Unido após sua saída da Comunidade Europeia é a antecipação para 2035 da proibição das vendas de veículos zero quilômetro a diesel. O prazo anterior era até 2040. Com a medida, o RU pretende acelerar suas metas para alcançar o conceito de ‘Carbono Neutro’. Mas, segundo Ricardo Arioli, ainda há um longo caminho a percorrer pelos britânicos até chegar a esta marca. “É preciso plantio de árvores e redução dos índices de emissão de gases de efeito estufa”, observou o apresentador.

Ricardo Arioli produz e apresenta o Momento Agrícola

Outro destaque abordado no Momento Agrícola é o relatório BloombergNEF, que aponta o Brasil como um dos mercados mais promissores para investimentos em energias renováveis. O país está em terceiro lugar neste quesito, atrás apenas da Índia e do Chile, que, por sua vez, pode perder esta posição em razão de turbulências internas, com protestos e enfrentamento entre população civil e as forças de segurança.

Há também, no programa, uma análise sobre o atual momento da Agropecuária brasileira. Arioli destaca que o presidente da Embrapa, Celso Moretti, disse que o setor é o mais disruptivo da economia nacional em razão das pesquisas e da tecnologia empregada. Para se ter uma ideia, desde 1970, o Brasil ampliou em cinco vezes a sua produção de alimentos apenas dobrando a área de plantio. A produção de carne de frango, por exemplo, saltou de 200 mil toneladas em 1970 para 12 milhões de toneladas em 2019. Ou seja, a cadeia da avicultura cresceu 60 vezes no país no período de cinco décadas.

Outros

O Momento Agrícola deste final de semana também traz informações sobre o AgriHUB da Famato, uma análise sobre a pecuária de corte para o ano de 2020 e o ritmo da colheita e plantio em Mato Grosso.

Para ouvir o programa na íntegra, é só clicar abaixo.

 

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Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

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O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

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