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Agronegócio & Produção

Momento Agrícola: Gripe aviária, gado vivo, incentivo para armazéns e entrevistas são destaques

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A morte de animais marinhos contaminados pela gripe aviária, o crescimento das exportações de bovinos vivos, isenções de tributos federais para investimentos em estruturas de armazenagem e entrevistas são os destaques do Momento Agrícola desse sábado, 28 de outubro.

De autoria do produtor rural, agrônomo e consultor Ricardo Arioli, o Momento Agrícola é um programa veiculado aos sábados pela rede de rádios do Agro – entre elas a Enfoque Rádio Web – e repercutido em forma de notícias e com podcast Soundcloud pelo Enfoque Business, também aos finais de semana.

Gripe aviária em mamíferos

O assunto de abertura do Momento Agrícola é a peste da gripe aviária se abatendo em animais marinhos, no Sul do Brasil. A doença é apontada como causa da morte de 552 mamíferos aquáticos, entre leões-marinhos e lobos-marinhos. O alerta é do governo do Rio Grande do Sul, em cujo litoral os animais apareceram mortos.

As primeiras notificações ocorreram em 30 de setembro, com os resultados confirmados no dia 3 de outubro. A doença foi diagnosticada em todos os animais encontrados mortos ou doentes, segundo informou a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do RS.

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Gado em pé

Grande parte do embarque de bovinos vivos para exportação se dá no porto de Rio Grande, no RS.

O Momento Agrícola também faz referência à exportação de bovinos vivos, que voltou a crescer em 2023. Depois de períodos de retração a partir de 2020 por conta da pandemia e alta do frete marítimo, as exportações de gado em pé já somam mais de 400 mil animais em 2023. Ricardo Arioli, que relembra o pico dessas exportações no ano de 2018, discorre sobre o assunto ainda no primeiro bloco do Momento Agrícola.

Outros

Outro assunto abordado pelo Momento Agrícola neste sábado está relacionado à armazenagem de grãos. A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que suspende, por cinco anos, a cobrança de tributos federais para a construção de silos.

O objetivo do texto é expandir a capacidade de estocagem de produtos agropecuários do país, como grãos. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a falta de unidades armazenadoras responde por 45,52% das perdas pós-colheita no Brasil.

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Além de outras notícias comentadas, o Momento Agrícola traz os blocos de entrevistas, com os seguintes temas: “O nosso algodão ganha o mundo”, com Alexandre Schenkel, da ABRAPA; “Os desafios da nossa carne”, com Fernando Sampaio, da ABIEC; e “Nossa Embrapa na China”, com Dr. Alexandre Nepomuceno.

Para ouvir o Momento Agrícola na íntegra, clique no podcast abaixo ou acesse a Enfoque Rádio Web, na parte superior da página deste site. O programa vai ao ar aos sábados, a partir das 07h00, com reprise aos domingos, no mesmo horário.

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Agronegócio & Produção

Entre o clima atípico e a soberania dos insumos: os desafios do agro em Mato Grosso

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O agronegócio mato-grossense encerra o mês de junho sob o impacto de dois temas que, embora distintos, convergem para a mesma preocupação: a segurança e a previsibilidade da produção. De um lado, chuvas atípicas em pleno mês de junho ameaçam a qualidade da colheita do algodão; do outro, o anúncio de estudos da Petrobras para dobrar a produção nacional de fertilizantes reacende o debate sobre a histórica dependência externa brasileira de insumos estratégicos.

Os temas são abordados na coluna “Circuito Rural”, do jornalista mato-grossense especializado em agronegócio Olmir Cividini, de Tangará da Serra.  

Chuvas em junho: o alerta na colheita do algodão

Mato Grosso, que cultivou cerca de 1,4 milhão de hectares de algodão nesta safra, foi surpreendido por episódios climáticos fora do padrão para esta época do ano. Antes dessas chuvas, a expectativa de produtividade média era de 304 arrobas por hectare, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). No entanto, acumulados superiores a 20 milímetros em diversas regiões produtoras colocam em risco a qualidade da fibra e dificultam a entrada de maquinário em campo.

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A colheita do algodão é uma fase extremamente sensível à umidade. O excesso de chuva não apenas atrasa o cronograma, mas pode provocar o escurecimento da fibra e a proliferação de doenças, impactando diretamente o valor de mercado do produto. Levantamentos técnicos ainda estão sendo realizados para mensurar o tamanho real do prejuízo, mas o alerta já está ligado para o produtor, que vê no clima um fator que foge completamente ao seu controle.

Fertilizantes: dependência que preocupa

Enquanto o campo lida com o clima, em Brasília e no Rio de Janeiro, a pauta é a soberania nacional. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou recentemente que solicitou estudos para dobrar a capacidade nacional de produção de fertilizantes. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em sua agricultura, uma vulnerabilidade estratégica que ficou evidente com as recentes crises globais.

A análise histórica é reveladora: nas últimas cinco décadas, a produção brasileira de soja saltou de 9 milhões para 180 milhões de toneladas — um crescimento de quase 2.000%. Se o país sabia que sua agricultura crescia nesse ritmo, por que optou por importar a maior parte dos insumos em vez de ampliar sua própria capacidade produtiva? A resposta passa por investimentos elevados, necessidade de gás natural a preços competitivos e infraestrutura logística. Por muito tempo, foi economicamente mais vantajoso importar do que fabricar internamente.

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Soberania vs. custo imediato

O problema é que a lógica econômica nem sempre coincide com a lógica estratégica. O Brasil já alcançou a autossuficiência na produção de petróleo bruto em 2006, mas ainda importa combustíveis porque a capacidade de refino não acompanhou a demanda. Com os fertilizantes, o desafio é semelhante. Até que ponto determinadas cadeias produtivas devem ser analisadas apenas pela ótica do custo imediato? Em casos de insumos estratégicos, a segurança de abastecimento e a soberania nacional podem justificar investimentos que, à primeira vista, não parecem os mais rentáveis, mas que garantem a sustentabilidade da maior potência agrícola do planeta.

Olmir Cividini é jornalista e colunista do Enfoque Business em Tangará da Serra.

(*) Ouça o Circuito Rural na íntegra no áudio abaixo:

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